Um existencialista

Paulo André Geitens, de 46 anos, é pai e também já é avô de uma menininha chamada Isabeli. Exerce a função de técnico em administração na Gerência Jurídica da Trensurb há quatro anos. Sua principal função é cuidar dos pagamentos cíveis e trabalhistas. Antes de ser aprovado no concurso da Trensurb, Paulo foi proprietário de uma casa de produtos naturais, produziu lanches vegetarianos, foi guarda-parques e também trabalhou em uma exposição egípcia que circulou pelo Brasil. Ao ingressar na área jurídica da empresa, começou a estudar direito na Unisinos e, em 2015, pôde cursar uma cadeira de direito penal econômico em Portugal, aproveitando a oportunidade para conhecer a Itália. Nesse período, trabalhou em uma fazenda na região da cidade de Belluno, no norte do país, a 200 km da Áustria, e pôde ir de bicicleta até a localidade onde sua família originou-se.

Desde pequeno, pelo fato de seus pais terem vivido no interior, teve muito contato com a natureza. Sempre teve gosto por acampar e, depois de certo tempo, começou a procurar um significado para a vida na espiritualidade. “Depois que eu soube que teria um filho, parti para buscar alguma coisa que valesse a pena, que fizesse sentido na vida”, afirma Paulo. Para ele, ser pai passar a um outro nível de existência, pois incentiva o homem a ser uma pessoa melhor. Ele relata também o período em que viveu em uma comunidade no Paraná, onde pôde por seus princípios à prova: “O ser humano  não precisa de mais que um prato de comida para viver e me parece que quanto mais bens nós desejamos, mais problemas parecemos ter”, reflete.

Paulo analisa sua entrada na Trensurb em um momento de mudanças: “Peguei uma época muito boa aqui na empresa, quando a expansão a Novo Hamburgo estava em desenvolvimento, a implantação do aeromóvel, a chegada dos novos trens, o plano de carreira, o ajardinamento do nosso pátio(…) fazer parte disso foi bem gratificante. Muitas pessoas trabalham aqui dentro, é uma verdadeira ‘fauna humana’. São muitas as pérolas, pessoas de muito valor, que às vezes permanecem quase no anonimato”. “Estamos aqui para nos aperfeiçoarmos, vencermos os medos, vaidades, orgulhos, melindres e em conjunto, com todos os outros metroviários, fazer o trem funcionar”, diz Paulo a respeito do abandono do individualismo e a construção de um pensamento coletivo e colaborativo.

Paulo fala ainda de seu pensamento em relação ao ser humano: “Não existem ‘coitados’ neste mundo, todos temos condições de acessar um poder que está além de nós e passar a viver em um outro nível existencial. Não estamos a sós neste mundo”.

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