Wellington Marques (2)

Um amor além das fronteiras

Natural de Esteio e morador de Sapucaia do Sul, Marco Antônio de Souza da Silva, 41 anos, atua desde 2015 como técnico em eletrotécnica no Setor de Energia da Trensurb. Suas responsabilidades na empresa incluem a manutenção dos equipamentos a fim de garantir a confiabilidade, disponibilidade e segurança no fornecimento de energia elétrica de tração dos trens. “Em nossas atividades no Senerg, não temos rotina, nós trabalhamos com demandas de manutenção corretiva, preventiva e emergencial, em que temos que sair e botar para funcionar o sistema”, afirma.

Em seu tempo livre, o metroviário mergulha nos livros, principalmente na literatura russa, com nomes como Liev Tolstói, Fiodor Dostoiévski e Boris Pasternak. “Minha mulher me influenciou na leitura e agora sou apaixonado por romance e literatura russa”, conta, indicando livros como Ressurreição e Doutor Jivago. Marco também pratica corrida e caminhada. Em sua rotina esportiva, sai de sua casa e percorre cerca de nove quilômetros indo e voltando das proximidades da Estação Luiz Pasteur.

Marco e sua esposa têm uma história de amor digna de cinema, com alguns obstáculos que dificultaram o romance, mas que, com o desenrolar dos acontecimentos e algumas reviravoltas, teve um final feliz para o casal. Com crenças religiosas em comum, o metroviário se apaixonou tendo a certeza de que teria que cruzar oceanos: “Nós tínhamos um grupo de testemunhas de Jeová em comum no Facebook. Nisso, ela me apareceu como sugestão de amizade e eu a adicionei. Começamos a conversar, fomos nos conhecendo e desenvolvemos um sentimento um pelo outro”.

Iuliia Yuriev’na Shuvalov morava na Rússia. O nome de sua cidade natal, Zheleznodorozhny, significa “estrada de ferro”, devido ao grande número de ferrovias na região. Em março de 2016, quatro meses depois de sua primeira viagem ao Brasil, diante de muita saudade, Iuliia teve certeza de que seu verdadeiro lar era ao lado de Marco. Foi então que decidiu se mudar para o país. “Ela voltou para a Rússia para resolver as papeladas, documentações que tinha que fazer para ficar aqui no Brasil. Daí, depois de seis meses de espera, por conta da lei de imigração, ela voltou para se casar comigo”, conta o metroviário.

No início, Marco precisou dar muito apoio a Iuliia, que sofria por não conseguir compreender o português, comunicando-se apenas em inglês. Com muito suporte do marido e após iniciar os estudos da língua portuguesa em uma escola para russos, ela começou a se familiarizar com o novo idioma. Iuliia é confeiteira profissional e faz doces russos artesanais por encomenda. Feliz com a esposa e no trabalho, Marco enxerga a Trensurb como um lar e tem vontade de seguir carreira na empresa. Formado em engenharia mecânica em novembro de 2019, ele espera uma oportunidade para quem sabe poder trabalhar na área de engenharia do metrô gaúcho.

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