Sapucaia do Sul: 55 anos de emancipação

Sapucaia do Sul teve origem com a chegada dos descendentes portugueses e açorianos, à Fazenda Sapucaia e ali fixaram moradia, tomando posse da terra com a Carta Sesmaria, em 1738. O local era distrito do município de São Leopoldo e conquistou vida administrativa própria em 1961, quando foi emancipada pelo então governador do estado do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. A cada dia 20 de agosto é comemorada a vitória do plebiscito que resultou na emancipação política da cidade.

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Festival das Pandorgas em Sapucaia do Sul

Crédito: Daniela Lame

Crédito: Daniela Lame

Não estranhe se durante a viagem de trem você encontrar algumas pessoas levando pandorgas nas mãos e descendo na Estação Sapucaia – certamente estão indo ao Morro do Chapéu para testar a aerodinâmica de sua criação antes do Festival das Pandorgas.

Em 2010, acontecia em Sapucaia do Sul a última edição do Festival das Pandorgas. O evento tinha a proposta de reunir os estudantes do município nas proximidades do Morro do Chapéu para aprender mais sobre a zona rural da região e ensinar a importância da preservação ambiental. O concurso premiava as cinco melhores pandorgas em duas categorias, infantil e juvenil.

Crédito: artesanatoereciclagem.com.br

Crédito: artesanatoereciclagem.com.br

Depois de um hiato de dois anos, a prefeitura de Sapucaia vai consolidar o evento na agenda cultural da cidade e já tem até data marcada para a realização neste ano: 22 de novembro. O objetivo é reunir cerca de 2 mil pessoas, vindas de todas as escolas da cidade, municipais, estaduais e particulares, além de grupos e entidades que desejarem participar do Festival.

Foto: Arquivo Trensurb

Clube de Mães Vinícius de Moraes junto com a Trensurb na Campanha do Agasalho

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Se o inverno é a estação do ano favorita de muita gente, para outros é uma época para esquecer. Principalmente os moradores de comunidades carentes que dependem de doações para se aquecerem no frio, e também aqueles que perderam tudo em decorrência de chuvas e alagamentos que aconteceram em agosto. Em momentos assim é que a solidariedade costuma emergir das mais diferentes formas.

Na última quinta-feira, a Trensurb recebeu a visita de um grupo de mulheres do Clube das Mães Vinícius de Moraes, de Sapucaia do Sul. Elas estiveram presentes para ajudar na triagem das vestimentas doadas para a Campanha do Agasalho da empresa. Cinco voluntárias organizaram as vestimentas em geral e vão distribuir parte das peças entre famílias carentes das comunidades atendidas pela organização. “Esta parceria é fundamental para o nosso trabalho. É um prazer ajudar a empresa e, em troca do nosso voluntariado, receber roupas para doar às pessoas necessitadas, orfanatos e famílias atingidas pelas águas da chuva na última semana”, diz a presidente do grupo de mães, Conceição Lopes.

A Trensurb, junto com a sua ajuda, já arrecadou este ano cerca de 20 toneladas de agasalhos, recebidos através dos postos de coleta existentes nas estações. O material recebido é distribuído entre ONGs, entidades beneficentes e órgãos municipais, que fazem os donativos chegarem nas mãos de quem realmente precisa.

Quer colaborar com a Campanha do Agasalho? Antes de sair de casa rumo ao trem, separe aquela roupa que está no fundo do seu armário e que você não usa mais e traga consigo. Deixe-a em um dos postos de coletas que estão em todas as estações. Faça a sua parte!

Foto: Arquivo Trensurb

Um quiosque entre cidades, um coração entre paixões

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Quem desce na Estação Luís Pasteur acaba sempre cruzando pelo quiosque do Osvaldo Santos. Isso porque a loja fica na passarela, em frente à entrada da estação. Conhecida ou desconhecida, a pessoa logo é atendida com animação e sorriso no rosto pelo vendedor. É pelo balcão que ele as idas e vindas das pessoas que circulam pelos carros da Trensurb e acompanha o dia a dia de duas cidades ao mesmo tempo – curiosamente seu quiosque fica na divisa das cidades de Sapucaia do Sul e Esteio. “Quando tem feriado em Sapucaia, sou obrigado a trabalhar porque não é feriado em Esteio e vice-versa”, brinca.  Mas esta não é a única dualidade na vida dele.

Osvaldo morava em Capão da Canoa, onde trabalhava em um supermercado. Há cerca de um ano e meio seu pai, dono do quiosque, teve um problema cardíaco, o que o levou a repassar o negócio para o filho. Quer dizer, nem tanto: “Hoje eu trabalho aqui para meu pai. De vez em quando ele me pergunta como está o movimento, quer saber como andam as coisas… Ele fica em cima mesmo”, conta. O vendedor deixou a brisa da praia e veio com a mulher e a filha para Sapucaia. “Da praia eu não tenho saudades. Sinto falta mesmo é dos amigos que ficaram por lá. Agora a saudade a gente mata pelo Facebook”, explica.

No lugar dos amigos que ficaram no litoral, surgiram os amigos que circulam diariamente na estação. É possível perceber isso pelos muitos cumprimentos que Osvaldo recebeu durante a entrevista. “Às vezes as pessoas estão com a cara amarrada, tão de mal com a vida, e tudo que querem ouvir é um ‘bom dia’. Aí você vai criando o hábito que antes não existia, e elas vão ficando mais leves”, conta.

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Para o vendedor, pontualidade é a alma do negócio. “Tem gente que sai de casa em cima da hora, atrasado para pegar o trem, contanto que vai chegar aqui e fazer um lanche ou tomar um cafezinho antes de embarcar. Pra essa pessoa eu não posso falhar. Eu tenho que me garantir aqui para ela poder garantir o dela”, explica Osvaldo, que trabalha das seis da manhã às seis da tarde.

Além de o quiosque estar na divisa de duas cidades, o seu coração é dividido entre duas paixões: o comércio e a arbitragem. “Eu atuo como árbitro de campo desde jovem. Meu sonho era ser jogador de futebol, mas eu sofri um acidente onde quase perdi a perna. Depois de recuperado, os joelhos estouraram. Aí me encontrei na arbitragem. É lindo ir para uma cidade do interior para apitar um jogo, porque não tem briga, não tem xingamento. O espetáculo é o jogo e a arbitragem. Agora, chegando quase aos 45 anos, eu estou fazendo o curso para virar árbitro de futebol de salão”.

Se Osvaldo tivesse que escolher entre os cartões do campo e os produtos do quiosque, ele não pensa duas vezes: “Eu ficaria com os dois. Por que eu gosto dos dois. Eu aprendi com minha mãe que a gente tem que fazer as coisas como se fosse a primeira, a única e a última vez. Este é o segredo para se fazer um bom trabalho, além de fazer o que se gosta”.