Entrevista: Ale Maia e sua homenagem a Sapucaia do Sul

Carlos Alexandre Torres Siqueira de Maia e Pádua, mais conhecido no meio das artes plásticas como Ale Maia e Pádua, tem 36 anos, nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, e graduou-se em design pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de Porto Alegre em 2012. Começou a pintar no fim da faculdade, quando se apaixonou pelas artes visuais e passou a assinar não mais como designer e sim como artista. Desde 2015, ele já apresentou quatro exposições de arte aos usuários da Trensurb, no Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos e na Galeria Mario Quintana, na Estação Mercado.

Também autor do painel Os cavalos, em exibição permanente na Estação Luiz Pasteur da Trensurb, Ale esteve recentemente no Rio Grande do Sul mais uma vez e pôde finalmente conferir seu trabalho de perto. Uma homenagem ao município de Sapucaia do Sul, a obra foi instalada em 27 de fevereiro deste ano, às vésperas do aniversário de 34 anos de operação do metrô gaúcho – completados em 2 de março. O painel de três metros quadrados conta com elementos que remetem à geografia, cultura e história de Sapucaia do Sul. Conversamos com Ale sobre Os cavalos, seu processo de criação e sua carreira.

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Sapucaia do Sul: 55 anos de emancipação

Sapucaia do Sul teve origem com a chegada dos descendentes portugueses e açorianos, à Fazenda Sapucaia e ali fixaram moradia, tomando posse da terra com a Carta Sesmaria, em 1738. O local era distrito do município de São Leopoldo e conquistou vida administrativa própria em 1961, quando foi emancipada pelo então governador do estado do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. A cada dia 20 de agosto é comemorada a vitória do plebiscito que resultou na emancipação política da cidade.

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Festival das Pandorgas em Sapucaia do Sul

Crédito: Daniela Lame

Crédito: Daniela Lame

Não estranhe se durante a viagem de trem você encontrar algumas pessoas levando pandorgas nas mãos e descendo na Estação Sapucaia – certamente estão indo ao Morro do Chapéu para testar a aerodinâmica de sua criação antes do Festival das Pandorgas.

Em 2010, acontecia em Sapucaia do Sul a última edição do Festival das Pandorgas. O evento tinha a proposta de reunir os estudantes do município nas proximidades do Morro do Chapéu para aprender mais sobre a zona rural da região e ensinar a importância da preservação ambiental. O concurso premiava as cinco melhores pandorgas em duas categorias, infantil e juvenil.

Crédito: artesanatoereciclagem.com.br

Crédito: artesanatoereciclagem.com.br

Depois de um hiato de dois anos, a prefeitura de Sapucaia vai consolidar o evento na agenda cultural da cidade e já tem até data marcada para a realização neste ano: 22 de novembro. O objetivo é reunir cerca de 2 mil pessoas, vindas de todas as escolas da cidade, municipais, estaduais e particulares, além de grupos e entidades que desejarem participar do Festival.

Foto: Arquivo Trensurb

Clube de Mães Vinícius de Moraes junto com a Trensurb na Campanha do Agasalho

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Se o inverno é a estação do ano favorita de muita gente, para outros é uma época para esquecer. Principalmente os moradores de comunidades carentes que dependem de doações para se aquecerem no frio, e também aqueles que perderam tudo em decorrência de chuvas e alagamentos que aconteceram em agosto. Em momentos assim é que a solidariedade costuma emergir das mais diferentes formas.

Na última quinta-feira, a Trensurb recebeu a visita de um grupo de mulheres do Clube das Mães Vinícius de Moraes, de Sapucaia do Sul. Elas estiveram presentes para ajudar na triagem das vestimentas doadas para a Campanha do Agasalho da empresa. Cinco voluntárias organizaram as vestimentas em geral e vão distribuir parte das peças entre famílias carentes das comunidades atendidas pela organização. “Esta parceria é fundamental para o nosso trabalho. É um prazer ajudar a empresa e, em troca do nosso voluntariado, receber roupas para doar às pessoas necessitadas, orfanatos e famílias atingidas pelas águas da chuva na última semana”, diz a presidente do grupo de mães, Conceição Lopes.

A Trensurb, junto com a sua ajuda, já arrecadou este ano cerca de 20 toneladas de agasalhos, recebidos através dos postos de coleta existentes nas estações. O material recebido é distribuído entre ONGs, entidades beneficentes e órgãos municipais, que fazem os donativos chegarem nas mãos de quem realmente precisa.

Quer colaborar com a Campanha do Agasalho? Antes de sair de casa rumo ao trem, separe aquela roupa que está no fundo do seu armário e que você não usa mais e traga consigo. Deixe-a em um dos postos de coletas que estão em todas as estações. Faça a sua parte!

Foto: Arquivo Trensurb

Um quiosque entre cidades, um coração entre paixões

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Quem desce na Estação Luís Pasteur acaba sempre cruzando pelo quiosque do Osvaldo Santos. Isso porque a loja fica na passarela, em frente à entrada da estação. Conhecida ou desconhecida, a pessoa logo é atendida com animação e sorriso no rosto pelo vendedor. É pelo balcão que ele as idas e vindas das pessoas que circulam pelos carros da Trensurb e acompanha o dia a dia de duas cidades ao mesmo tempo – curiosamente seu quiosque fica na divisa das cidades de Sapucaia do Sul e Esteio. “Quando tem feriado em Sapucaia, sou obrigado a trabalhar porque não é feriado em Esteio e vice-versa”, brinca.  Mas esta não é a única dualidade na vida dele.

Osvaldo morava em Capão da Canoa, onde trabalhava em um supermercado. Há cerca de um ano e meio seu pai, dono do quiosque, teve um problema cardíaco, o que o levou a repassar o negócio para o filho. Quer dizer, nem tanto: “Hoje eu trabalho aqui para meu pai. De vez em quando ele me pergunta como está o movimento, quer saber como andam as coisas… Ele fica em cima mesmo”, conta. O vendedor deixou a brisa da praia e veio com a mulher e a filha para Sapucaia. “Da praia eu não tenho saudades. Sinto falta mesmo é dos amigos que ficaram por lá. Agora a saudade a gente mata pelo Facebook”, explica.

No lugar dos amigos que ficaram no litoral, surgiram os amigos que circulam diariamente na estação. É possível perceber isso pelos muitos cumprimentos que Osvaldo recebeu durante a entrevista. “Às vezes as pessoas estão com a cara amarrada, tão de mal com a vida, e tudo que querem ouvir é um ‘bom dia’. Aí você vai criando o hábito que antes não existia, e elas vão ficando mais leves”, conta.

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Para o vendedor, pontualidade é a alma do negócio. “Tem gente que sai de casa em cima da hora, atrasado para pegar o trem, contanto que vai chegar aqui e fazer um lanche ou tomar um cafezinho antes de embarcar. Pra essa pessoa eu não posso falhar. Eu tenho que me garantir aqui para ela poder garantir o dela”, explica Osvaldo, que trabalha das seis da manhã às seis da tarde.

Além de o quiosque estar na divisa de duas cidades, o seu coração é dividido entre duas paixões: o comércio e a arbitragem. “Eu atuo como árbitro de campo desde jovem. Meu sonho era ser jogador de futebol, mas eu sofri um acidente onde quase perdi a perna. Depois de recuperado, os joelhos estouraram. Aí me encontrei na arbitragem. É lindo ir para uma cidade do interior para apitar um jogo, porque não tem briga, não tem xingamento. O espetáculo é o jogo e a arbitragem. Agora, chegando quase aos 45 anos, eu estou fazendo o curso para virar árbitro de futebol de salão”.

Se Osvaldo tivesse que escolher entre os cartões do campo e os produtos do quiosque, ele não pensa duas vezes: “Eu ficaria com os dois. Por que eu gosto dos dois. Eu aprendi com minha mãe que a gente tem que fazer as coisas como se fosse a primeira, a única e a última vez. Este é o segredo para se fazer um bom trabalho, além de fazer o que se gosta”.