Bom atendimento para você e para seu celular

Foto: Arquivo Trensurb

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A Estação Mathias Velho é a terceira mais movimentada da Trensurb. No meio de tantas pessoas, uma delas abre diariamente seu quiosque ao público. Há nove anos, a Margarete Lacerda da Rosa mora em Canoas. “Eu sou de Caçapava do Sul. Já morei no Mato Grosso, em Goiânia, em Minas… Viajava acompanhando o meu marido. Quando a gente se separou, vim para Canoas, onde boa parte da minha família mora”, conta.

Margarete trabalha na estação há sete anos, atendendo as pessoas em busca de uma capa ou acessório novo para celular. O sucesso é garantido – tivemos que interromper a entrevista várias vezes para que ela atendesse os clientes. “Normalmente são as mesmas pessoas que sempre circulam por aqui. Por isso atender bem é fundamental. Quando alguém chega e eu não tenho o acessório compatível com o aparelho, eu pego o contato do cliente e vou atrás”, explica.

Além dos acessórios para smartphones, a Léka Celulares (nome do seu quiosque) também trabalha com artigos para presentes e informática. “Já cheguei a trabalhar aqui com compra, venda e conserto de telefones, mas agora estou mais focada nos acessórios”. Margarete aproveita e convida a todos que viajam de trem para descer na Estação Mathias Velho e fazer um “upgrade” no visual do seu celular. :)

 

Foto: Arquivo Trensurb

Um quiosque entre cidades, um coração entre paixões

Foto: Arquivo Trensurb

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Quem desce na Estação Luís Pasteur acaba sempre cruzando pelo quiosque do Osvaldo Santos. Isso porque a loja fica na passarela, em frente à entrada da estação. Conhecida ou desconhecida, a pessoa logo é atendida com animação e sorriso no rosto pelo vendedor. É pelo balcão que ele as idas e vindas das pessoas que circulam pelos carros da Trensurb e acompanha o dia a dia de duas cidades ao mesmo tempo – curiosamente seu quiosque fica na divisa das cidades de Sapucaia do Sul e Esteio. “Quando tem feriado em Sapucaia, sou obrigado a trabalhar porque não é feriado em Esteio e vice-versa”, brinca.  Mas esta não é a única dualidade na vida dele.

Osvaldo morava em Capão da Canoa, onde trabalhava em um supermercado. Há cerca de um ano e meio seu pai, dono do quiosque, teve um problema cardíaco, o que o levou a repassar o negócio para o filho. Quer dizer, nem tanto: “Hoje eu trabalho aqui para meu pai. De vez em quando ele me pergunta como está o movimento, quer saber como andam as coisas… Ele fica em cima mesmo”, conta. O vendedor deixou a brisa da praia e veio com a mulher e a filha para Sapucaia. “Da praia eu não tenho saudades. Sinto falta mesmo é dos amigos que ficaram por lá. Agora a saudade a gente mata pelo Facebook”, explica.

No lugar dos amigos que ficaram no litoral, surgiram os amigos que circulam diariamente na estação. É possível perceber isso pelos muitos cumprimentos que Osvaldo recebeu durante a entrevista. “Às vezes as pessoas estão com a cara amarrada, tão de mal com a vida, e tudo que querem ouvir é um ‘bom dia’. Aí você vai criando o hábito que antes não existia, e elas vão ficando mais leves”, conta.

Foto: Arquivo Trensurb

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Para o vendedor, pontualidade é a alma do negócio. “Tem gente que sai de casa em cima da hora, atrasado para pegar o trem, contanto que vai chegar aqui e fazer um lanche ou tomar um cafezinho antes de embarcar. Pra essa pessoa eu não posso falhar. Eu tenho que me garantir aqui para ela poder garantir o dela”, explica Osvaldo, que trabalha das seis da manhã às seis da tarde.

Além de o quiosque estar na divisa de duas cidades, o seu coração é dividido entre duas paixões: o comércio e a arbitragem. “Eu atuo como árbitro de campo desde jovem. Meu sonho era ser jogador de futebol, mas eu sofri um acidente onde quase perdi a perna. Depois de recuperado, os joelhos estouraram. Aí me encontrei na arbitragem. É lindo ir para uma cidade do interior para apitar um jogo, porque não tem briga, não tem xingamento. O espetáculo é o jogo e a arbitragem. Agora, chegando quase aos 45 anos, eu estou fazendo o curso para virar árbitro de futebol de salão”.

Se Osvaldo tivesse que escolher entre os cartões do campo e os produtos do quiosque, ele não pensa duas vezes: “Eu ficaria com os dois. Por que eu gosto dos dois. Eu aprendi com minha mãe que a gente tem que fazer as coisas como se fosse a primeira, a única e a última vez. Este é o segredo para se fazer um bom trabalho, além de fazer o que se gosta”.