Sempre sorridente

“Maquinista do trem 106, você é show, muito animado”. “Parabéns para o maquinista do trem 111, que tenha mais maquinistas alegres assim”. “O maquinista do trem 106 está neste exato momento fazendo a alegria dos coleguinhas ao narrar as estações de uma forma muito motivada”. Esses são apenas alguns dos comentários feitos nas redes sociais por usuários que pegam trens conduzidos por Vanderlei Dias Furtado. Quando perguntado sobre a forma animada com que anuncia as estações, Vanderlei faz pouco caso: “Eu não falo nada demais, só digo o nome das estações, mas o pessoal gosta. É o meu jeito”. É com esse jeito alegre e sempre sorridente que o metroviário que está há mais de 30 anos na Trensurb se porta durante toda a entrevista.

De ascendência humilde e batalhadora, o porto-alegrense cresceu em uma casa de madeira no bairro Jardim Ingá, Zona Norte da cidade. Vanderlei aprendeu a se virar sozinho desde cedo. Tinha três anos quando o pai faleceu e coube a sua mãe a tarefa de criar e educar o futuro operador de trens e suas duas irmãs. “Eu com 11, 12, 13 anos já fazia aquela correria: lavava carro, vendia comida em marmita… Meu primeiro emprego foi aos 14 anos de idade. Trabalhei para uma empresa de publicidade: via televisão e anotava o tempo de duração dos comerciais”, conta. Lembra ainda que passou por outras três empresas antes de ingressar na Trensurb, em 1986, como auxiliar de operações.

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Retrato de uma piloto dos pampas

Raquel Krumberg da Silveira Barbosa, de 36 anos, atua como operadora de trens desde 2010. Ingressou na Trensurb em 2008, como assistente operacional, seu primeiro emprego.

O trabalho como operadora rendeu a Raquel uma chance de ser personagem em uma matéria da Revista Claudia, da Editora Abril. Na série de reportagens “Retratos da mulher brasileira”, eram contadas histórias de mulheres cujas profissões são desempenhadas majoritariamente por homens. Essas pessoas eram selecionadas pelas cinco regiões do país e a metroviária foi escolhida para ser a representante do sul. De acordo com Raquel, a oportunidade foi interessante: “O repórter e o fotógrafo ficavam me seguindo pelo trabalho para ver como era. Foi assim por dois dias. Achei muito divertido, porque não é uma coisa que acontece sempre”.

Raquel mora em Sapucaia, mas nasceu em Esteio. Hoje, ela vive com seu marido e dois filhos, gêmeos de 19 anos. Seus principais momentos de lazer ainda conectam-se com a Trensurb: a operadora gosta muito de participar das atividades do departamento de tradições gaúchas Trilhos da Tradição, pois diz adorar dançar. “Só não danço mais, porque meu marido não gosta muito”, comenta aos risos.