Entrevista: Carlitos Astrada e o ciclo da vida ilustrado na Biblioteca Livros sobre Trilhos

Está em exposição, no espaço multicultural da Biblioteca Livros sobre Trilhos, na Estação Mercado, a exposição Cyclum Vitae, de autoria do artista Carlitos Astrada. Em três painéis, ele mostra três fases diferentes do ciclo existencial do ser humano. Os trabalhos de Astrada ficarão expostos até o dia 31 de maio e apresentam traços marcantes para expor uma nova concepção e reflexão sobre a existência humana. Leia nossa entrevista realizada com o artista.

De onde surgiu a inspiração para criar painéis tão reflexivos?

Não dá pra dizer que tive um momento específico do insight para criar cada uma das peças. É mais uma reflexão, um protesto, um manifesto quanto a nossa existência neste plano. Somos tratados como números e temos que sempre mostrar o que fazemos, por isso o nome é baseado no curriculum vitae.

E como é expor na Galeria Mario Quintana?

É uma grande satisfação! Tive a oportunidade de trabalhar na Trensurb há tempos atrás, em uma empresa terceirizada, e pude conhecer diversas pessoas. Foi o mesmo período em que conheci algumas expressões artísticas que influenciaram meu trabalho.

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Entrevista: Pablo Aguiar e seus “Recortes no Metrô”

Em exposição na Galeria Mario Quintana, no túnel de acesso às plataformas da Estação Mercado da Trensurb, em Porto Alegre, encontra-se o trabalho do artista Pablo Aguiar, Recortes no Metrô. Apresentando uma ideia inovadora de gravuras de pessoas, feitas dentro de metrôs pelo mundo, coladas sobre fotos, Pablo estreia as exposições na galeria no ano de 2016. Leia a seguir nossa entrevista com o artista.

De onde veio a tua inspiração?

A ideia para o projeto surgiu naturalmente. Precisava pegar o metrô para chegar à minha faculdade, em São Leopoldo. Era quase uma hora de viagem. Eu estava também angustiado nessa época, pois não desenhava por falta de tempo e sabia que se quisesse melhorar o meu traço deveria praticar muito mais. A minha vontade de desenhar e esse tempo livre dentro do trem me deram a ideia de começar a desenhar os passageiros no metrô. Só tive o trabalho de comprar um bloco e perder a vergonha.

Como é, pra ti, expor teus trabalhos na Galeria Mario Quintana? E ainda por cima pela segunda vez?

É incrível! Não vejo um lugar melhor para expor o meu trabalho – que retrata os passageiros do metrô – do que na Estação Mercado da Trensurb. Milhares de pessoas passam pela Galeria Mario Quintana durante o dia e poder mostrar o meu trabalho para essas pessoas, que são o tema da minha arte, é de um valor muito grande para mim.

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Entrevista: Patrícia Langlois e “O Fio da História” na Biblioteca Livros sobre Trilhos

Até 30 de novembro, a Biblioteca Livros sobre Trilhos, localizada na plataforma de embarque da Estação Mercado, recebe as ilustrações da artista plástica Patrícia Langlois, presentes também no livro Tudo que Couber no Coração, escrito e ilustrado por ela. A exposição faz parte da 2ª Mostra Arte Sesc para Crianças, uma iniciativa do projeto Arte Sesc – Cultura por toda parte, que promove em Porto Alegre uma série de atividades culturais gratuitas voltadas especialmente ao público infantil. Saiba mais a respeito do trabalho de Patrícia na entrevista que fizemos com ela.

Como começou tua carreira?

Comecei ilustrando livros de outros escritores. Depois disso, fiz também algumas oficinas literárias, a fim de entender melhor a estrutura dos textos. A partir daí, enviei textos para diversas editoras, até a Cuore, editora de São Paulo, abraçar a ideia e resolver publicar.

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Entrevista: a expressiva obra de Alexandre Maia e Pádua

Desde o início do mês de março, a Biblioteca Livros sobre Trilhos da Trensurb está mais colorida. A exposição de grafites e ilustrações Entre Linhas e Painéis, do artista plástico fluminense Alexandre Maia e Pádua, está em cartaz no espaço cultural. A mostra pode ser apreciada das 10h às 20h até o dia 28 de maio.

Ficou interessado em conhecer melhor a obra de Alexandre? Confira abaixo a entrevista que fizemos com o artista, formado em Design pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de Porto Alegre.

Como é desenvolvido o seu trabalho e quais são os materiais mais utilizados nas suas produções?

Busco constantemente estender meu trabalho a diferentes formatos e aplicações. Estou sempre tentando adaptá-lo a novas superfícies e materiais, buscando o uso de novas técnicas. Inicialmente trabalhava com Posca, um marcador de tinta acrílica a base de água. Sequencialmente fui somando tinta acrílica em pincel e Spray 94 MTN em paredes, telas e papéis, normalmente de alta gramatura. Atualmente, tento fazer uso desses materiais simultaneamente, até mesmo em uma única arte quando possível. O resultado disso é a possibilidade de se trabalhar em diferentes formatos e dimensões, assim como em pequenas ilustrações em A4 ou grafites com metros de extensão.

Quando surgiu seu interesse pela arte? E quando começou de fato a produzir as ilustrações?

No meu caso, esse interesse começou a ganhar forma e vida no fim da minha faculdade. Naquele momento eu vivia em Porto Alegre e cursava Design na ESPM. Ao meu lado, conviviam outros alunos com o mesmo interesse que eu, e estes foram fundamentais na formação da ideia de dar sequência ao que se produzia em arte. Bruno Góes, Gui Torisan, Vital Lordelo e Rafael Kim, além de Ivanhoé Lewandowski e Val Payeras, somaram-se entre outros ao que hoje vejo ser um grupo de pessoas fundamentais naquela base artística.

Como é a sensação de expor ao público do metrô, que é bem numeroso (na Estação Mercado, passam cerca de 60 mil pessoas por dia) e diversificado?

O fato de os painéis ficarem junto à biblioteca me agradou muito, por ser um ambiente onde as pessoas que estão em seu caminho comum, como passageiros da estação, têm a chance de buscar e receber informação, cultura e lazer. Fazer parte disso deixaria qualquer um lisonjeado. Acho que esta é a exposição mais linda que já fiz, pois é a primeira vez que tenho o meu trabalho exposto em painéis tão grandes em uma estação de metrô. Podem-se ver os detalhes com exatidão!

Você já teve trabalhos expostos em galerias ou participou de algum tipo de projeto artístico?

Sim, já tive a oportunidade de participar de outras iniciativas, como bienais e concursos, sendo algumas delas em outros países (mostras coletivas VII Arte Laguna, Art Meeting Barcelona, XII Carrousel Du Louvre, entre outras). Houve um evento realizado pela Prefeitura de Niterói (RJ) em 2014 para o qual fui convidado a participar junto de outros artistas. O projeto consistia em pintar pontos de ônibus espalhados pela cidade.

Percebemos que os animais são figuras recorrentes em seus trabalhos. Por que você decide representá-los?

O amor e interesse aos animais e à natureza como um todo me acompanham desde criança. Fui criado em um lugar afastado dos grandes centros e tive a oportunidade de passar minha infância vivendo em um sítio no bairro Itaipu, localizado no município de Niterói. Todavia, ao representar animais atualmente em minha arte, tento implicar em dizer que estes simbolizam não somente sua própria figura, mas também suas características mais notáveis traduzidas em forma de sentimento. Ou seja, quando desenho um cavalo, por exemplo, eu também quero falar sobre força, luta, perseverança e trabalho.

Seu traço nos lembra muito os músculos humanos. Há um motivo específico para isso?

Os traços de qualquer artista acabam por se modificar e evoluir com o tempo. E eu não me considero diferente disso. Sinto em mim uma constante busca por uma linguagem própria e uma identidade que possa se modificar de forma lógica e conectada comigo mesmo. Sobre a linha dos meus atuais trabalhos, eu explico: sou filho de médico e acabei tendo acesso aos livros do meu pai. Atualmente tenho andado para cima e para baixo com um deles, que é The Illustrations from the Works of Andreas Vesalius of Brussels. Trata-se de um livro repleto de ilustrações magnificas sobre o corpo humano. Esse tipo de leitura somada às influencias que recebo das artes que vejo nas ruas, desde em grafite às galerias, acrescentando os sentimentos que venho tendo no dia a dia, é o resultado do meu atual trabalho.

Vimos na sua página do Facebook a sequência de ilustrações de um cavalo atingido por flechas e uma lança. Ao fim, já caído no chão, surge, voando, um cavalo azul, que representaria o espírito. De onde vem sua inspiração para esse tipo de trabalho, tão forte e expressivo?

Do cotidiano. Das influências que eu sofro, sejam elas artísticas ou não. E, como dito anteriormente, isso se inicia desde cedo, desde criança. Ao expor um cavalo lutando por sua vida, proponho ao espectador entender que a luta e a perseverança fazem parte do nosso dia a dia. Seja no trabalho, seja na vida amorosa ou mesmo num simples ato de embarcar em uma estação de metrô. No fim, o cotidiano nada mais é que o processo de recomeço de algo.

Outras obras de Alexandre podem ser conferidas no Behance do artista.