A Páscoa Literária da Trensurb

Com o objetivo de estimular a leitura e incentivar o empréstimo dos livros do seu acervo, o Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT) irá presentear um sócio com uma surpresa: uma cesta com chocolates e livros. Mas corra, porque a promoção “Páscoa Literária”, do EMLsT, acontece só até a próxima segunda-feira (10). Todo associado que retirar livros até essa data tem direito a um cupom para participar do sorteio. Cada empréstimo dá direito a um cupom. O sorteio da cesta de Páscoa será feito no dia 11 de abril.

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Literatura sem fronteiras

Os usuários do sistema metroviário têm a sua disposição a Biblioteca Livros sob Trilhos, localizada na plataforma de embarque da Estação Mercado. Lá é possível retirar livros para tornar as viagens de trem mais agradáveis. A Trensurb resolveu expandir o serviço da biblioteca com o projeto “Livros Livres”. Iniciada dia 28/08, essa ação consiste de caixas customizadas onde estarão diversos títulos de livros disponíveis gratuitamente aos usuários do trem, podendo ser retirados sem a necessidade de um cadastro. Esses postos do projeto estão atualmente nas estações: São Pedro, Canoas, Mathias Velho, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo, Fenac e Novo Hamburgo.

Inicialmente serão oito livros em cada estação. Quem chegar às caixas do Livros Livres pode escolher as obras do seu agrado e pegá-las e ler no trem, em casa ou em qualquer outro lugar de preferência. Finalizando a leitura, o usuário pode colocar a obra novamente na caixa ou transferí-la diretamente para algum outro leitor.

Grande parte do acervo de obras disponibilizado ao público pela Trensurb vem de doações dos próprios funcionários da empresa e de usuários do metrô. O projeto Livros Livres facilita esse processo para quem mora longe da estação e/ou não tem como ir até o centro de Porto Alegre, onde a estação Mercado está localizada. Nas caixas onde as obras estão disponíveis ao público, é possível deixar sua doação espontaneamente.

Iolanda Fernandes, antes mesmo de se tornar sócia do espaço cultural dedicado à leitura, procurou a empresa para fazer sua doação. “Em casa, tenho muitas histórias que estão paradas, então resolvi passar para outras pessoas”, comenta. A leitura faz parte da vida dela desde criança, vinda do pai “que lia tudo o que via pela frente”. A moradora da capital gaúcha acredita que, assim como doar, a nova iniciativa da Trensurb ajudará pessoas que não tem como adquirir livros a lerem mais: “Muita gente não tem como comprar os livros, então, levando-os para as outras estações, mais pessoas podem ter a oportunidade de ler”.

Loeci Diogo, moradora de Sapucaia, se diz apaixonada por leitura. “Quando termino um, já pego outro”, comenta. Sempre quando necessita de outra obra, ela pega o trem até Porto Alegre para saber se tem algo do seu agrado na biblioteca. “Com essa ação, antes de ir até a Estação Mercado, vou dar uma olhada nas caixas pra saber se tem alguma obra de que eu goste”.

A escritora canoense Luisa Geisler, autora de Quiça, romance vencedor do Prêmio Jabuti, em 2014, vê de forma positiva o Livros Livres. De acordo com ela, deixar a pessoa livre para escolher ficar ou não com as obras incentiva a leitura. “É uma proposta excelente, porque tira a pressão que pode existir. Se gostou, pode ficar e reler. Se não gostou, outra pessoa pode gostar”. Desta forma, segundo Luisa, só vai até o livro quem realmente o quer. A possibilidade de poder retirar e doar obras “cria um ciclo que incentiva a troca dentro do ambiente do trem”.

Além da responsabilidade com o transporte de pessoas, a Trensurb tem como objetivo melhorar a sociedade. Para o diretor-presidente Humberto Kasper, esse projeto atua exatamente na busca do bem estar de toda a comunidade, “essa iniciativa vai de encontro a nossa visão de empresa, socialmente responsável e que tem tido diversas ações na área social e cultural, buscando conectar e melhorar a vida das pessoas”.

O gerente de Comunicação, Jânio Ayres, disse que a inspiração veio de um post encaminhado pela chefe de Gabinete, Regina Vidal, sobre uma ação semelhante na rodoviária de Porto Alegre. “Somou-se a isso o registro de alguns usuários que também falavam nesse tema, via Central de Atendimento”, afirma. Jânio disse, ainda, que “observamos que havia interesse, oportunidade e ambiente para a iniciativa ser implantada, o que queremos agora é monitorar a participação e quem sabe ampliar em todo o sistema”.

Livros sobre Trilhos

A Biblioteca Livros sobre Trilhos, mantida pela Trensurb e a parceria do Instituto Brasil Leitor, funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, na plataforma de embarque da Estação Mercado. A biblioteca conta com 6,5 mil livros, 3,7 mil sócios e já contabiliza mais de 52 mil empréstimos. Somente em 2014, foram 6,5 mil empréstimos e o acervo, ampliado apenas através de doações, aumentou em cerca de mil publicações.

Desde o seu surgimento, há ações com o objetivo de incentivar a leitura entre os usuários do metrô e os municípios aonde a Trensurb chega. Muitas instituições receberam doações de livros provenientes da biblioteca, por exemplo, a Associação Sol Maior, que recebeu para iniciar sua biblioteca própria. A Associação Sol Maior é uma entidade cujo objetivo é utilizar a música como ferramenta de inclusão social para crianças em situações de vulnerabilidade.

Disseminando cultura

A secretária executiva da Diretoria de Administração e Finanças da Trensurb, Adriana Stiborski, foi “contagiada” pelas ações de bookcrossing – prática de deixar um livro num local público para que outros o encontrem e, assim que a leitura for realizada, voltem a “libertá-lo” para que mais pessoas façam o mesmo – da Biblioteca Livros sobre Trilhos. Desde o início deste ano, ela decidiu deixar livros nos bancos dos trens. “Eu tenho alguns livros em casa, uns que gosto e decido ficar com eles. Mas há os que leio e não tenho tanto apego, então penso que é melhor fazer eles circularem”, explica.

Para Adriana, esse tipo de ação deve ser incentivado. “Acho uma ideia legal para estimular a prática do bem entre as pessoas”, pontua. Quando fala em incentivar boas ações entre as pessoas, a secretária lembra de uma ocasião recente. “Dias atrás esqueci um sapato novinho que comprei numa loja. No dia seguinte retornei ao local e haviam guardado a sacola pra mim. É como uma corrente em que tu vais fazendo o bem e essas coisas retornam pra ti de alguma forma”, argumenta.

Entre as obras que a secretária executiva já doou, estão Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, e A Metamorfose, de Franz Kafka. Junto aos livros, ela coloca um marca-páginas da Biblioteca Livros sobre Trilhos – o mesmo que acompanha as obras distribuídas nas ações de bookcrossing do espaço cultural, contendo uma mensagem direta a quem encontrar o volume para que saibam que o livro pode ser “esquecido” novamente para que ganhe um novo dono.

Há dois anos, Adriana também é sócia da biblioteca localizada na Estação Mercado e acredita que a postura do espaço cultural de distribuir livros é “muito legal”. A Biblioteca Livros sobre Trilhos, mantida em parceria entre Trensurb e Instituto Brasil Leitor, funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h, na plataforma de embarque do terminal do metrô. A biblioteca conta com 6,5 mil livros, 3,7 mil sócios e já contabiliza mais de 52 mil empréstimos. Somente em 2014, foram 6,5 mil empréstimos e o acervo, ampliado apenas através de doações, aumentou em cerca de mil publicações.

Para utilizar o serviço, é necessário apenas fazer um cadastro gratuito. Os interessados devem apresentar documento de identidade, CPF e comprovante de residência atual (originais e cópias), juntamente com uma foto 3×4. Menores de 18 anos devem estar acompanhados dos pais. Os leitores são cadastrados e recebem uma carteira de identificação com foto e código de barras para usar o serviço. A partir daí, podem retirar os livros de seu interesse sem custo algum e desfrutar do mundo da leitura.

Entrevista: a expressiva obra de Alexandre Maia e Pádua

Desde o início do mês de março, a Biblioteca Livros sobre Trilhos da Trensurb está mais colorida. A exposição de grafites e ilustrações Entre Linhas e Painéis, do artista plástico fluminense Alexandre Maia e Pádua, está em cartaz no espaço cultural. A mostra pode ser apreciada das 10h às 20h até o dia 28 de maio.

Ficou interessado em conhecer melhor a obra de Alexandre? Confira abaixo a entrevista que fizemos com o artista, formado em Design pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de Porto Alegre.

Como é desenvolvido o seu trabalho e quais são os materiais mais utilizados nas suas produções?

Busco constantemente estender meu trabalho a diferentes formatos e aplicações. Estou sempre tentando adaptá-lo a novas superfícies e materiais, buscando o uso de novas técnicas. Inicialmente trabalhava com Posca, um marcador de tinta acrílica a base de água. Sequencialmente fui somando tinta acrílica em pincel e Spray 94 MTN em paredes, telas e papéis, normalmente de alta gramatura. Atualmente, tento fazer uso desses materiais simultaneamente, até mesmo em uma única arte quando possível. O resultado disso é a possibilidade de se trabalhar em diferentes formatos e dimensões, assim como em pequenas ilustrações em A4 ou grafites com metros de extensão.

Quando surgiu seu interesse pela arte? E quando começou de fato a produzir as ilustrações?

No meu caso, esse interesse começou a ganhar forma e vida no fim da minha faculdade. Naquele momento eu vivia em Porto Alegre e cursava Design na ESPM. Ao meu lado, conviviam outros alunos com o mesmo interesse que eu, e estes foram fundamentais na formação da ideia de dar sequência ao que se produzia em arte. Bruno Góes, Gui Torisan, Vital Lordelo e Rafael Kim, além de Ivanhoé Lewandowski e Val Payeras, somaram-se entre outros ao que hoje vejo ser um grupo de pessoas fundamentais naquela base artística.

Como é a sensação de expor ao público do metrô, que é bem numeroso (na Estação Mercado, passam cerca de 60 mil pessoas por dia) e diversificado?

O fato de os painéis ficarem junto à biblioteca me agradou muito, por ser um ambiente onde as pessoas que estão em seu caminho comum, como passageiros da estação, têm a chance de buscar e receber informação, cultura e lazer. Fazer parte disso deixaria qualquer um lisonjeado. Acho que esta é a exposição mais linda que já fiz, pois é a primeira vez que tenho o meu trabalho exposto em painéis tão grandes em uma estação de metrô. Podem-se ver os detalhes com exatidão!

Você já teve trabalhos expostos em galerias ou participou de algum tipo de projeto artístico?

Sim, já tive a oportunidade de participar de outras iniciativas, como bienais e concursos, sendo algumas delas em outros países (mostras coletivas VII Arte Laguna, Art Meeting Barcelona, XII Carrousel Du Louvre, entre outras). Houve um evento realizado pela Prefeitura de Niterói (RJ) em 2014 para o qual fui convidado a participar junto de outros artistas. O projeto consistia em pintar pontos de ônibus espalhados pela cidade.

Percebemos que os animais são figuras recorrentes em seus trabalhos. Por que você decide representá-los?

O amor e interesse aos animais e à natureza como um todo me acompanham desde criança. Fui criado em um lugar afastado dos grandes centros e tive a oportunidade de passar minha infância vivendo em um sítio no bairro Itaipu, localizado no município de Niterói. Todavia, ao representar animais atualmente em minha arte, tento implicar em dizer que estes simbolizam não somente sua própria figura, mas também suas características mais notáveis traduzidas em forma de sentimento. Ou seja, quando desenho um cavalo, por exemplo, eu também quero falar sobre força, luta, perseverança e trabalho.

Seu traço nos lembra muito os músculos humanos. Há um motivo específico para isso?

Os traços de qualquer artista acabam por se modificar e evoluir com o tempo. E eu não me considero diferente disso. Sinto em mim uma constante busca por uma linguagem própria e uma identidade que possa se modificar de forma lógica e conectada comigo mesmo. Sobre a linha dos meus atuais trabalhos, eu explico: sou filho de médico e acabei tendo acesso aos livros do meu pai. Atualmente tenho andado para cima e para baixo com um deles, que é The Illustrations from the Works of Andreas Vesalius of Brussels. Trata-se de um livro repleto de ilustrações magnificas sobre o corpo humano. Esse tipo de leitura somada às influencias que recebo das artes que vejo nas ruas, desde em grafite às galerias, acrescentando os sentimentos que venho tendo no dia a dia, é o resultado do meu atual trabalho.

Vimos na sua página do Facebook a sequência de ilustrações de um cavalo atingido por flechas e uma lança. Ao fim, já caído no chão, surge, voando, um cavalo azul, que representaria o espírito. De onde vem sua inspiração para esse tipo de trabalho, tão forte e expressivo?

Do cotidiano. Das influências que eu sofro, sejam elas artísticas ou não. E, como dito anteriormente, isso se inicia desde cedo, desde criança. Ao expor um cavalo lutando por sua vida, proponho ao espectador entender que a luta e a perseverança fazem parte do nosso dia a dia. Seja no trabalho, seja na vida amorosa ou mesmo num simples ato de embarcar em uma estação de metrô. No fim, o cotidiano nada mais é que o processo de recomeço de algo.

Outras obras de Alexandre podem ser conferidas no Behance do artista.

Foto por Fernanda Garrido

Metroviário, comunicador, professor e músico

Em dezembro de 1984, Fernando Rogério Kloeckner Noronha ingressou na Trensurb. Iniciou preparando e coordenando os primeiros cursos da segurança operacional e da antiga segurança patrimonial, além de ter passado pelo Centro de Desenvolvimento de RH e pelo Setor de Integração Intermodal. Formado em relações públicas pela UFRGS em 1992, foi transferido, no mesmo ano, para a assessoria de comunicação da empresa. Com a criação do Setor de Comunicação Social, em 1995, foi o primeiro chefe nomeado da área, permanecendo até outubro de 1999. Professor do curso de comunicação social da Ulbra, desde 1996, seu currículo inclui períodos de cedência ao extinto DNER e DNIT-RS (1999 a 2003), ao DAER-RS  – onde coordenou a área de comunicação (2003 a 2010) – e à Assembleia Legislativa do estado.

A partir de 2013, passou a ser assistente de gestão da Gerência de Comunicação Integrada da Trensurb, atuando na Biblioteca Livros sobre Trilhos. Para Noronha, foi “um desafio muito legal. Junto aos nossos estagiários, contribuímos para melhorar o serviço ao usuário”, conta. Sobre o Prêmio Top Cidadania conquistado pela biblioteca, afirma que “é uma honra contribuir para a Trensurb conquistar mais este prêmio”. Neste mês, aos 57 anos, está deixando a empresa.

Desde os 16 anos, Noronha é músico, toca bateria e seu baterista favorito é Gene Krupa. Os Beatles são sua banda preferida. Ele conta que gosta de filmes de ficção científica, suspense, documentários históricos, comédias e musicais – e de livros de gêneros similares.

Foto Luiz Soares (13) 1024

Trensurb é Top Cidadania com a Biblioteca Livros sobre Trilhos

“Vida longa para a Biblioteca Livros sobre Trilhos e parabéns à Trensurb”. Foi esse o cumprimento da coordenadora do Instituto Brasil Leitor, Maria Garcia, quando foi informada de que o espaço cultural mantido pela empresa metroviária em parceria com o Instituto havia conquistado o Prêmio Top Cidadania. O reconhecimento é oferecido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RS) a instituições que se esforçam no desenvolvimento de projetos que beneficiam comunidades externas. A Trensurb recebeu o prêmio em cerimônia realizada no Grêmio Náutico União. Representaram a empresa na ocasião o diretor-presidente Humberto Kasper, o diretor de Operações, Carlos Augusto Belolli, gestores e empregados das áreas de comunicação e administração.

A Biblioteca Livros sobre Trilhos disponibiliza mais de seis mil livros para empréstimo aos seus 3,5 mil sócios. Somente neste ano, o espaço cultural localizado na Estação Mercado do metrô realizou mais de cinco mil empréstimos de publicações. “Ao colocar o livro no caminho de milhares de usuários do metrô, a biblioteca contribui de forma incontestável para a democratização da leitura”, afirma o diretor-presidente da Trensurb, Humberto Kasper. “Com a biblioteca, agregamos mais uma atividade cultural à rotina de nossos usuários, fortalecendo a visão da empresa comprometida com ações na área da responsabilidade socioambiental”, diz o gerente de Comunicação Integrada da empresa, Jânio Ayres.

Para o assistente de gestão da Biblioteca Livros sobre Trilhos, Fernando Noronha, “a conquista desse prêmio confirma a avaliação favorável da biblioteca por parte do público interessado e comprova o acerto da direção da Trensurb em assumir o papel de mantê-la ativa. Afinal, ampliar as oportunidades de acesso à cultura, através da leitura é uma responsabilidade de todos”, afirmou. Noronha lembra, também, que atualmente um dos desafios do espaço cultural é encontrar parceiros da iniciativa privada para expandir ainda mais a biblioteca. Atualmente, a Livros sobre Trilhos amplia seu acervo unicamente a partir de doações.

Seis anos de incentivo à leitura

No dia 15 de dezembro, a Biblioteca Livros sobre Trilhos completa seis anos de atuação. Contudo, as atividades de comemoração pelo aniversário já iniciaram. A primeira é a Campanha de Troca de Livros, lançada com o início da Feira do Livro de Porto Alegre. O espaço não possui estrutura para restaurar os impressos, então as campanhas de doação são realizadas para substituir títulos que não apresentam mais condições uso. Na primeira metade de dezembro (dias 2, 8, 9, 10 e 15), ocorrerão sessões de contação de histórias ara alunos do ensino fundamental. As atividades são promovidas pelo Grupo Cataventus e pelo autor Matheus Ayres. No dia 15, ao fim das contações de histórias, serão realizadas entregas do Certificado Amigo da Biblioteca, destinado às pessoas e instituições que apoiam a biblioteca durante o ano, seja com a doação de livros ou ações de promoção institucional. Uma surpresa destinada aos usuários do metrô também está sendo preparada para marcar o aniversário do espaço cultural e levar a literatura ao dia de um maior número de pessoas.