Antologia Digital da Poesia Gaúcha: Paola Severo

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar mais cultura ao cotidiano da comunidade. Nesta semana, o projeto lança vídeos apresentando três poemas de Paola Severo, declamados pela própria autora. São eles: Poeira de estrelas, Agridoce e Autocombustão. Clique aqui e acesse a playlist com os vídeos da Antologia no YouTube.

Nessa primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Nascida em Santa Cruz do Sul, em 1992, Paola Severo formou-se em Jornalismo na Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc) em 2016. Pós-graduou-se em Cinema e Linguagem Audiovisual pela Estácio de Sá em 2019 e atualmente cursa MBA em História da Arte na mesma instituição. Atua como repórter multimídia da Gazeta Grupo de Comunicações desde 2013. Em poesia, publicou Melodia perversa (2019) e Atelophobia (2021), ambos pela Editora Gazeta. Confira a seguir a entrevista que fizemos com ela a respeito da participação no projeto, sua trajetória na literatura, processo criativo e temas abordados.

Como avalias o projeto da Antologia Digital da Poesia Gaúcha? O que pensas de fazer parte dele?

Paola Severo – Acho que todo tipo de projeto que valorize a nossa cultura e especialmente a literatura são muito necessários. No caso da Antologia Digital da Poesia Gaúcha, acho muito louvável que sejam reunidos tantos poetas de idades, cidades e tempos de atuação diferentes. Me sinto muito honrada por fazer parte do projeto, aceitei o convite com muita alegria por estar entre colegas poetas tão talentosos do nosso estado.

Desde quando tu escreves? Como foi tua trajetória na literatura?

Paola Severo – Comecei a escrever ainda na adolescência, influenciada pelas minhas leituras, já que sempre gostei imensamente de ler. No período do vestibular, por gostar de escrever, acabei optando pelo jornalismo, curso no qual me graduei em 2016 e trabalho há mais de oito anos. Minha experiência com o jornalismo me levou a, em meu tempo livre, escrever poesias, já que os dois estilos de escrita são tão diferentes, para mim, eles acabam sendo complementares, pois posso tanto utilizar meu vocabulário em textos jornalísticos mais diretos e factuais, ao mesmo tempo que utilizo adjetivos e posso fantasiar quando escrevo poemas. Em 2019, lancei meu primeiro livro de poesias, chamado Melodia perversa, que reunia textos desde a minha adolescência. Neste ano, acabei de lançar o meu segundo livro, Atelophobia, que possui poesias escritas de 2017 a 2020.

O que motivou a escolha do poema Poeira de estrelas para a Antologia, o que ele significa para ti?

Paola Severo – O Poeira de estrelas por ser um poema muito romântico acabou sendo um dos favoritos dos leitores após o lançamento do meu primeiro livro. Eu já gostava muito dele quando o escrevi, mas após receber tantos feedbacks positivos, ele acabou se tornando ainda mais especial.

E quanto ao poema Agridoce?

Paola Severo – Agridoce é o poema de abertura do meu segundo livro de poesias, chamado Atelophobia. É um poema sobre escrever poemas. Como retrato muitas das minhas vivências em minha escrita, acaba sendo comum que muitos dos meus textos sejam sobre a arte de escrever, mostrando algumas das dificuldades dessa prática.

E Autocombustão?

Paola Severo – Assim como ocorreu com o Poeira de estrelas no meu primeiro livro, Autocombustão se tornou um dos favoritos da maioria dos leitores após o lançamento do Atelophobia. Acredito que a imagem visual que consegui criar com esse texto, fazendo referência à fênix, é muito próxima de todos que já passaram por dificuldades e momentos de sofrimento físico ou mental.

Como é teu processo criativo?

Paola Severo – No meu processo criativo tento não depender de inspiração, pois acho que isso prejudica tanto o volume quanto a qualidade do trabalho. Criar uma rotina de escrita e produzir um pouco a cada dia é o que funciona melhor. Assim, quando começo um novo livro, crio um arquivo de Word onde vou escrevendo todas as poesias e textos que surgirem, onde mais tarde será feita uma seleção para quais eu considero adequados para integrarem o livro.

Quais temas tu mais gostas de abordar em teus escritos?

Paola Severo – Gosto muito de abordar minhas próprias experiências e vivências, acredito que a poesia autobiográfica tem tanto um grande poder de identificação junto aos leitores, quanto uma característica quase terapêutica. A posição da mulher, da mulher jovem, da mulher artista na sociedade costuma ser um tema recorrente, assim como os desajustes enfrentados pela minha geração, os millennials. Minhas poesias variam entre românticas, cômicas ou mais tristes, e muitas carregam fragmentos das minhas lutas contra a ignorância, o preconceito e a violência contra a mulher.

Antologia Digital da Poesia Gaúcha: Juliana Meira

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar a  cultura poética ao dia a dia dos usuários do metrô e todos aqueles que seguem as redes sociais da empresa. O projeto lança nesta semana vídeos com três poemas de Juliana Meira, declamados pela própria autora. Clique aqui e acesse a playlist com os vídeos da Antologia no canal da Trensurb no YouTube.

Nessa primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Juliana Meira nasceu em Carazinho e reside atualmente na serra gaúcha, em Canela. Publicou, entre outros, água dura (Artes & Ecos, 2019), na língua da manhã silêncio e sal (Modelo de Nuvem/Belas Letras, 2017), livro vencedor do Prêmio Minuano de Literatura na categoria Poesia, em 2018. 

Como avalias o projeto da Antologia Digital da Poesia Gaúcha?

Juliana Meira – Este projeto é importante e necessário diante da época brutal que estamos atravessando. Estou contente que meus poemas integram esta antologia, porque ela apresenta um conjunto bonito e vigoroso do que se produz no estado por competentes escritores.

Desde quando tu escreves? Como foi tua trajetória na literatura?

Juliana Meira – Costumava escrever pequenos textos quando criança. No colégio, gostava muito das aulas de redação. Quando adolescente, escrevia algumas coisas em diários e cadernos. Os poemas passei a escrever ao final da adolescência, já no início da vida adulta. A poesia chegou até mim primeiro através da escuta, porque meu pai declamava poetas que ele gostava, como Apparício Silva Rillo e Jayme Caetano Braun.

As publicações de meu trabalho na poesia aconteceram quando mudei da minha cidade natal para Porto Alegre e criei um blog onde postava meus poemas e também poemas de outras/os poetas que eram e são importantes para mim. Em 2008 foram publicados alguns deles em caixas de fósforos, dentro do projeto Fogo do Verbo, organizado por Renato de Mattos Motta. Nesse período, ocorria um festival de poesia chamado Porto Poesia e então conheci ótimos poetas em Porto Alegre; o Renato que mencionei anteriormente, o Alexandre Brito quem primeiro leu meus poemas, o Ronald Augusto, o Marco Celso Viola, a Sandra Santos, o Ricardo Silvestrin, a Eliane Marques, o Élvio Vargas, o Jaime Medeiros, o Mario Pirata, a Mara Faturi. Todos escritores de minhas leituras e releituras.

Em 2009 foi publicado o poema dilema meu primeiro livro de poesia pela editora Porto Poesia. Três anos depois, em 2012, publiquei um livro sem título dentro do projeto Instante Estante de incentivo à leitura, de curadoria de Sandra Santos. Em 2015 saiu meu terceiro livro, o poema pássaro, pela editora Patuá. Esse livro reuniu os poemas dos dois anteriores e mais inéditos. De 2017 é o na língua da manhã silêncio e sal, publicado pelo selo Modelo de Nuvem, da editora Belas Letras. Esse livro recebeu o Prêmio Minuano de Literatura na categoria Poesia, em 2018. O meu livro mais recente é de 2019 e se chama água dura, publicado pela editora Artes & Ecos.

Tenho poemas publicados em revistas e jornais literários e também em duas antologias, a Blasfêmeas: Mulheres de Palavra (organização de Marilia Kubota e Rita Bittencourt) e a Treze Mulheres e Um Verão (organização de Bárbara Lia), além do manifesto Balbúrdia Poética: 80 Tiros (organização de Taciana Oliveira).

O que motivou a escolha dos poemas para a Antologia, o que eles significam para ti?

Juliana Meira – Para este projeto escolhi um poema de meu livro na língua da manhã silêncio e sal (Modelo de Nuvem/Belas Letras, 2017) e outros dois poemas inéditos. Um deles, de temática político-social, escrevi no início do isolamento quando estava morando em Brasília. Os outros dois têm como mote o trem. São significativos para mim porque projetam a experiência do trem em minha infância. Em minha cidade natal, até poucos anos atrás, o trem de carga ainda estava ativo.

Como é teu processo criativo?

Juliana Meira – A necessidade de escrever todos os dias da semana, obedecendo a um horário rígido, não acontece comigo. Meu processo criativo é um desobediente da rotina, embora para escrever, eu busque as manhãs. Desconfio que seja por isso que eu fique períodos sem escrever. Sem ler, não. Leio praticamente todos os dias, ainda que poucas páginas. Sou mãe de um bebê de 1 ano e 11 meses e reduzi a leitura de poesia ao fim da gestação e durante o primeiro ano de vida do meu filho. Nesse período somente os livros sobre parto, maternidade e primeiríssima infância me interessavam. Depois, e aos poucos, fui retomando o ritmo de leitura. E o de escrita também. Ou seja, há um ritmo, ainda que inconstante, precário.

A fonte é o olho. Gosto de espiar o mundo. O que está na natureza, no outro, no livro, no cinema, no teatro, no museu, na fotografia, na pintura, na escultura, na dança, na música.

O meio é indiferente: escrevo em telas e em páginas. A quietude e o silêncio são muito importantes para o meu trabalho de escrita. Quando eles faltam, procuro anotar uma palavra, um verso, uma sonoridade, para retomar adiante.

Quais temas tu mais gostas de abordar em teus escritos?

Juliana Meira – Uso com frequência o tempo, a infância e a memória. Gosto também de colocar nos versos alguns bichos ordinários como varejeiras, cupins, ácaros, formigas, entre outros.

Antologia Digital da Poesia Gaúcha: Joaquim Moncks

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar mais cultura ao cotidiano da comunidade. Nesta semana, o projeto lança vídeos apresentando três poemas de José Eduardo Degrazia, declamados pelo próprio autor. São eles: A quatro pés, Estado de graça e NascimentoClique aqui e acesse a playlist com os vídeos da Antologia no YouTube.

Nessa primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Natural de Pelotas, Joaquim Moncks é tenente-coronel da Brigada Militar, criminólogo, advogado e escritor. Foi deputado estadual constituinte, de 1987 a 1990. Tem dez livros publicados e é membro titular na Academia Rio-Grandense de Letras e na Academia Sul-Brasileira de Letras,  de Pelotas. É o coordenador nacional da Casa do Poeta Brasileiro (Poebras) e senador da cultura pelo Rio Grande do Sul no Congresso da Sociedade de Cultura Latina do Brasil (SCLB), empossado em julho de 2018. Divide-se entre Porto Alegre e Passo de Torres, em Santa Catarina. Confira a seguir a entrevista que fizemos com ele a respeito da participação no projeto, sua trajetória na literatura, inspirações e temas abordados.

Como avalias o projeto da Antologia Digital da Poesia Gaúcha?

Joaquim Moncks – Uma Antologia Digital, no atual momento, fica muito coerente pela tecnologia posta à disposição para que possamos divulgar a literatura, em particular a poesia. Permite que nós possamos estar em contato com os usuários da Trensurb, de Porto Alegre e região. Essa disseminação da poesia para usuários do metrô é extremamente importante e envolve um universo – tanto o universo ativo, quanto o universo passivo envolvido, que são os que utilizam o metrô. Em um momento em que se deslocam para o seu trabalho, para suas casas, de retorno ou mesmo em lazer, utilizando a divulgação nos aparelhos de TV dentro dos trens e nas próprias estações. Poesia é o gênero literário e a materialidade da poesia é o poema, ainda mais na modernidade. São os tipos de produção da materialidade com que ela se apresenta. A poesia, esta dama nobre, esta alvissareira busca que todos nós fazemos em torno da busca da felicidade, do amor, da liberdade, do sonho, utilizando a inventiva e o talento desenvolvido naturalmente com a base cultural.

O que pensas de fazer parte dele?

Joaquim Moncks – Tenho 75 anos, dez livros publicados, 47 anos de ativismo cultural. Milito hoje na Academia Rio-Grandense de Letras, que é a mais alta instituição e mais tradicional do Brasil com 118 anos de existência. Enfim, tenho uma dedicação total desde os 26 anos, hoje com 75, e vejo que é uma iniciativa maravilhosa. A Trensurb seleciona pessoas para darem a sua contribuição, eu humildemente encaminhei três textos de minha poesia, três poemas que pretendo que contenham poesia, porque há poemas com poesia e poemas sem poesia. O que vemos normalmente nas redes sociais é uma tentativa de fazer poemas como poesia, mas na verdade a maioria das pessoas não sabe o que é poesia, mas isso é outra história.

Desde quando tu escreves? Como foi tua trajetória na literatura?

Joaquim Moncks – Eu escrevo desde os 11 anos de idade. Comecei em Pelotas, na escola, no terceiro ano primário. Isso se deu lá por 1953 e, chegando, em 1958, ao Instituto Educacional Assis Brasil, que depois à noite cursei no mesmo prédio, funcionava a Escola Monsenhor Queiroz. Lá nós tivemos, no Assis Brasil, sob a batuta da professora Maria Luíza Pereira Lima, que falava fluentemente o francês, e o primeiro poema que citei foi um poema em francês, me lembro como se fosse hoje, um pitoquinho. Meu pai com seis anos de idade fez um soneto a João Afonso, ele era mais antigo, era do verso clássico, dos dois quartetos e dois textos, os catorze versos que compõem o soneto e que dominava, à época, a sua geração. Ele era de 1918. Ele escreveu a ode a João Afonso, que era um professor patronímico da minha escola, situada na antiga Praça dos Macacos em Pelotas. Então, eu venho desse cadinho cultural graças ao meu pai que também foi oficial da Brigada Militar, foi de soldado a capitão. Hoje, sou tenente-coronel da reserva da Brigada e formado em Direito. Mas, na verdade, sou condenado a pensar a poesia, a maneira pela qual eu penso o mundo, penso o mundo carregado de sugestão de beleza para que os meus olhos possam ser felizes, frente ao mundo extremamente antagônico com injustiças sociais e coisas que ocorrem. Eu sou um poeta artesão. É claro que a centelha original, esta centelha da criação, não gosta da palavra inspiração, eu prefiro a palavra da espontaneidade, que tem raiz espanhola. A inspiração é de raiz portuguesa. Então, eu acho que existe um primeiro momento de inspiração, em um segundo momento de transpiração, que é quando se adequa o que se quer dizer ao fenômeno da verdadeira comoção interna do estado de poesia que permite que o poeta autor, possa se comunicar com o poeta leitor. Eu chamo meu leitor de poeta. Aliás, genericamente, eu acho que o leitor para poder entender de poesia e compreender poesia, acatar a proposta que a poesia faz, é preciso que ele também seja um poeta que tem uma visão de mundo. Onde o idealismo, onde o amor entre as pessoas e valores mais altos se levantem.

O que motivou a escolha do poema A quatro pés para a Antologia, o que ele significa para ti?

Joaquim Moncks – Anteriormente, a criação deste poema e as várias revisões que sofreu é porque ele é um poema urbano, que pretende traçar em versos, portanto em linguagem sintética, utilizando a sugestionabilidade, utilizando a metáfora. Evidentemente que eu tive o cuidado de, ao escrever o poema, não utilizar metáforas que ficassem distantes do público-alvo que usa, que utiliza o trem. Trabalho estes elementos que caracterizam a vida citadina, a modernidade e suas agruras. A própria questão desta modernidade pandêmica que estamos sofrendo há cerca de um ano e meio. Onde sequer o rosto podemos ver de uma pessoa com quem dialogamos, já que temos que ficar em distanciamento social. Então, termino o poema dizendo que a oração é pão dos injustos, há uma maçã na cruz. O pecado original, na cruz, o desejo do Cristo Crucificado. O poema nos joga de joelhos de quatro pés como se fôssemos o animalzinho. 

E quanto ao poema Estado de graça?

Joaquim Moncks – Não é só a escolha do texto, eu escolhi o poema porque acho que ele tem a linguagem capaz de ser entendida pelo público que ocupa os trens da Trensurb, essas milhões de pessoas que se deslocam de suas casas para o trabalho, de volta de seu trabalho para casa e também seus passeios. Mas eu vejo fundamentalmente aquele que está se preparando para uma jornada de trabalho e que é preciso que a cultura coloque os produtores de cultura – eu me considero um deles. Proponho uma discussão. É exatamente isso que eu faço. Na verdade, para que se produza poesia, precisa se anotar. Isso faz da poesia uma ligação. Como espiritual, em que sobreveio esta graça de se poder falar. Esquecendo um pouco a nossa condição material e trabalhando o que está na nossa cabeça, objetivando a felicidade das pessoas, trazendo desejos insatisfeitos e enfermidades, Goethe já dizia em 1744, no seu livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, que as enfermidades, as paixões e as loucuras, não são enfermidades particulares de uma época, essas inquietações, essas harmonias, e sim que todo homem é isto e aquilo. Coloco a figura do galo cinza que é muito comum entre os homens quando nós chegamos à maturidade – e é o meu caso, com 75 anos –, o destemido galo cinza que amanheceu de mal com o mundo e escreve o poema, denunciando, mostrando como é que as coisas funcionam. Nesse meu livro, O Pavio da Palavra, é esse fogo que existe dentro da palavra e que não se destina a abordar o brincar, pois ele não se destina a abordar o que existe no mundo dos fatos. Ela está na abstração, uma criação separada do mundo dos fatos. Existe o mundo dos fatos e a poesia não se destina a interferir, o poema com seus versos. Não se destina a interferir diretamente no mundo da realidade, mas é uma proposta de reflexão sobre esta realidade.

E o poema Nascimento, o que significa para ti?

Joaquim Moncks – Esse poema já é um poema mais elaborado, apesar de ser mais sintético. Utiliza palavras que não são muito comuns, como “germinal”. Aqui se faz a conotação com o nascimento de quem está vendo o mundo, de quem veio à luz, então o germinal noviço, ser um só, a criança chegando à germinação de nove meses e abriu os olhinhos ao sol. E aí aparecem várias questões que espiritualmente são necessárias que pensemos entre o nascer e o morrer. E termina com “palavras / solitários disfarces / entrelinhas / ao sol amanhecido”. Então, está preparado para enfrentar a vida. Os chineses, toda vez que nasce uma criança, choravam porque sabiam que entrariam no planeta de expiação, como dizem os espíritas, numa concepção mais harmoniosa como o espiritual de preparação para uma transição futura. Por quê? Principalmente se as religiões orientais acreditam numa nova vida. O espírita, por exemplo, acredita na reencarnação. Poesia é a melhor maneira que tem o educador para fazer o seu educando pensar. Pela poesia que se consegue pensar porque é sugestionável, ninguém diz poesia a todo tempo, como diz o poeta português Fernando Pessoa. A poesia é excepcionalidade, é uma sugestão para que consigamos entender que há uma outra linguagem que não é essa do lugar comum da vida que é a linguagem denotativa em sentido denotativo. A poesia se dá no sentido conotativo, a gente conota as coisas para que possamos ampliar a cabeça, inclusive no plano objetivo de ampliar o vocabulário.

Como é teu processo criativo?

Joaquim Moncks – O meu processo criativo é muito simples: é ler, ler e mais ler. Comecei lendo um poema aos seis anos de idade, porque não fiz o primeiro ano, já saí de dentro de casa alfabetizado e entrei direto no segundo ano. Então, esse ler é que amplia o horizonte. Algumas figuras históricas fantásticas que conseguem inclusive, da sua linguagem regional, construir poesia, mas esta é a poesia popular da poesia para o povo. A poesia é para ser cantada nas feiras, onde, lá no Nordeste, há poesia de cordel, que não é nada mais, nada menos do que uma folha de papel impressa dobrada em quatro que dá oito páginas pequenas de um quarto de uma folha de ofício. É isto que eles vendem lá hoje e permitem que se tenha uma cultura popular assentada no cantador nordestino, que lembra muito o nosso trovador gaúcho dos nossos rodeios. Só que nós ficamos muito mais na oralidade, eles imprimem os seus textos e vendem lá. Mas eu trabalho com poesia culta e, para isso, eu preciso ter que dar um passeio no que se escreve de poesia, no que se escreve de prosa, tem que se ter uma ideia. Eu não tenho formação em Letras, a minha formação é em Direito, mas tenho cursos de horas e horas de estudo e me atrevo inclusive a fazer a crítica literária. O meu processo criativo então é ver a realidade e ela vai se acumulando dentro de mim e, em determinado momento, via de regra, com olhos de poeta, consigo escrever algumas coisas e depois vou revisando. No meu livro Oficina do Verso, eu digo que é bula de remédio, que esse remédio é o que a poesia representa para o espírito humano. Lá tem um poema que eu levei 24 anos para terminá-lo. Foi publicado em oito coletâneas quando publiquei no nível individual. Para mim, a poesia nunca está pronta. O poema como poesia nunca está pronto, ele é matéria viva. As influências e inspirações são variadíssimas, do momento em que se vive e um momento interno no mundo que nos circunda. O texto que sobrevém, o mundo que me circunda são outros agentes espirituais que me tocam. Além das figuras humanas, todo esse universo que está aí, pra mim, serve para o poema.

Quais são tuas influências e as inspirações para escrever?

Joaquim Moncks – Evidentemente que a influência vem dos grandes poetas. Por exemplo, o meu grande poeta, de minha cabeceira, é Fernando Pessoa, mas também tenho como influência Octavio Paz, Carlos Drummond de Andrade, entre outros.

Quais temas tu mais gostas de abordar em teus escritos?

Joaquim Moncks – Eu gosto de abordar nos meus textos a vida retratada, a liberdade, a injustiça social, a denúncia, o amor, porque isso também é uma forma de exercer o amor para que as pessoas possam entender a humanização, o cuidado com as crianças, para que tenhamos um país em que as pessoas possam ser mais felizes, em que as pessoas possam vencer com mais facilidade as doenças. O Brasil é um país de discrepâncias, mas um país que deu certo. Um país que eu amo e que produz poesia todos os dias.

Antologia Digital da Poesia Gaúcha: Ricardo Silvestrin

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar mais cultura ao cotidiano da comunidade. Nesta semana, o projeto lança vídeos apresentando três poemas de Ricardo Silvestrin, declamados pelo próprio autor. São eles: 79, modelo 80 e dois poemas sem título.  Clique aqui e acesse a playlist com os vídeos da Antologia no YouTube.

Nessa primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Poeta, escritor e músico, natural de Porto Alegre, Ricardo Silvestrin formou-se em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1985. No mesmo ano, publicou seu primeiro livro de poemas, Viagem dos olhos, pela editora Coolírica. Ganhou cinco vezes o Prêmio Açorianos de Literatura. Seu livro É tudo invenção (2004) foi selecionado para representar o Brasil na 41ª Feira de Literatura de Bolonha. Tem entre suas obras publicadas: Play: contos (2008), O videogame do rei (2009) e Seres Trock (2017). Como músico, em 2001, com os também poetas Alexandre Britto e Ronald Augusto, criou o grupo musical os poETs. E, em 2019, lançou o álbum Silvestream, com seu repertório solo de canções. De 2003 a 2009, foi colunista quinzenal no Segundo Caderno do jornal Zero Hora. De 2008 a 2011, deu aulas de roteiro e dramaturgia no curso de Realização Audiovisual da Unisinos. É colunista do site Musa Rara. Em 2020, criou o programa Um Bando de Gente em seu canal no YouTube.

Confira a seguir a entrevista que fizemos com ele a respeito da participação no projeto, sua trajetória na literatura e seu processo criativo.

Como avalias o projeto da Antologia Digital da Poesia Gaúcha? O que pensas de fazer parte dele?

Ricardo Silvestrin – Acho ótimo que a poesia esteja no lugar para o qual foi criada: junto das pessoas, do público, dos leitores.

Desde quando tu escreves? Como foi tua trajetória na literatura?

Ricardo Silvestrin – Desde os 15 anos. Lancei meu primeiro livro aos 22. De lá pra cá, já são mais de 20 livros.

O que motivou a escolha dos poemas para a Antologia, o que eles significam para ti?

Ricardo Silvestrin – Um fala sobre os goleiros e sua condição solitária e contraditória no jogo. É também um poema todo com versos de dez sílabas. O segundo é sobre o enredo estranho que passa na nossa cabeça durante o sonho. O 79, modelo 80 é sobre um velho Chevette. Todos são sobre coisas humanas, da vida.

Como é teu processo criativo?

Ricardo Silvestrin – Crio de várias maneiras, mas todas elas são abordagens estéticas com o discurso formal do poema. São pesquisas criativas.

Quais temas tu mais gostas de abordar em teus escritos

Ricardo Silvestrin – Não me guio por temas, mas por achar caminhos criativos. Também faço um diálogo com os poetas que leio, com os procedimentos formais deles.

Antologia Digital da Poesia Gaúcha: José Eduardo Degrazia

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar mais cultura ao cotidiano da comunidade. Nesta semana, o projeto lança vídeos apresentando três poemas de José Eduardo Degrazia, declamados pelo próprio autor. São eles: Chuva Antiga, Cidadezinha e Margens.  Clique aqui e acesse a playlist com os vídeos da Antologia no YouTube.

Nessa primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Natural de Porto Alegre, José Eduardo Degrazia é médico oftalmologista. Como escritor tem publicados livros de contos, poesia, novela e infanto-juvenil; entre eles: Lavra Permanente (poesia – 1975); Cidade Submersa (poesia – 1979); Lições de Geometria Fantástica (poesia – 2016); O Atleta Recordista (contos e minicontos -1996); A Orelha do Bugre (contos e minicontos – 1998); Deus Não Protege os Certinhos (minicontos – 2020); O Reino de Macambira (novela – 2005); A Fabulosa Viagem do Mel de Lechiguana (novela – 2008); O Samba da Girafa (infanto-juvenil -1985); A Caturrita Cocota (infanto-juvenil – 1991). Como tradutor do espanhol e do italiano, publicou 14 livros, entre eles, sete de Pablo Neruda. Entre seus principais prêmios recebidos estão o Prêmio do Biênio da Colonização e Imigração, com Lavra Permanente, em 1974, e o prêmio do I Concurso Universitário de Literatura da UFRGS, em 1976. Confira a seguir a entrevista que fizemos com ele a respeito da participação no projeto, sua trajetória na literatura, inspirações e temas abordados.

Como avalias o projeto da Antologia Digital da Poesia Gaúcha? O que pensas de fazer parte dele?

É um projeto muito importante para a divulgação da poesia feita no nosso estado, que tem a oportunidade de levar para os usuários dos trens, e para um público maior e diversificado, os vídeos feitos com leituras com os próprios autores. Para mim é uma honra e uma alegria ter o meu trabalho colocado à disposição da nossa população.

Desde quando tu escreves? Como foi tua trajetória na literatura?

Escrevo desde a adolescência, portanto, já com um longo caminho na literatura – o meu primeiro livro foi publicado em 1975. Publiquei mais de 30 livros de poesia e prosa, traduzi livros de poesia do italiano e do espanhol, inclusive oito do Pablo Neruda. Escrevi em jornais e revistas do Brasil e do exterior, recebi prêmios nacionais e internacionais (não falo isso por falso orgulho, mas por dizer que o trabalho feito com dedicação e amor acaba gerando os seus frutos). Penso que sempre escrevi visando a comunhão com os leitores e tentando levar, através da poesia e da ficção, questionamentos e mensagens humanistas.

O que motivou a escolha do poema “Chuva Antiga” para a Antologia, o que ele significa para ti?

Este é um poema lírico dos anos 70, de que eu gosto muito; inclusive, ele vem sendo divulgado em inúmeras antologias e publicações em jornais e revistas. É um poema de amor.

E quanto ao poema “Cidadezinha”?

Pessoalmente gosto deste poema, também da década de 70, que trata com humor, mas com carinho, a realidade de nossas pequenas cidades do interior.

E o poema “Margens”, o que significa para ti?

Este já é um poema dos anos 2000, com uma carga metafísica maior, que procura junto com os livros deste ciclo, trabalhar as questões maiores da existência, nosso espanto diante da vida, da morte e do nosso destino.

Como é teu processo criativo?

Não tenho propriamente um método, depende do que eu estou escrevendo no momento, se é poesia, conto, novela, crônica ou ensaio. Cada gênero necessita de uma entrega diferente. Deixar-se dominar pela imagem poética e trabalhar o texto depois, ou pesquisar linguagem e história para escrever o conto ou a novela. Não tenho hábitos que precisam ser repetidos para poder escrever.

Quais são tuas influências e as inspirações para escrever?

Não tenho, talvez algum crítico pense ao contrário, uma influência definitiva. No meu primeiro livro, Lavra Permanente, foi muito presente João Cabral de Melo Neto, por uma necessidade, à época, de concisão e domínio de linguagem. Mas como li muito, muitos autores me inspiraram tanto em poesia quanto em prosa. Seria uma enumeração interminável.

Quais temas tu mais gostas de abordar em teus escritos?

Não tenho um tema específico, mas posso dizer, de maneira abrangente, que se dividem em dois grandes temas, o épico e o lírico. O épico é ligado à História e à política, como em Lavra Permanente, A urna guarani, Corpo do Brasil e poemas das antologias em mãos. O lírico vai do amor aos problemas existenciais, como em Cidade Submersa, A nitidez das coisas, A flor fugaz, O rio Eterno.

Antologia Digital da Poesia Gaúcha: César Alexandre Pereira

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar mais cultura ao cotidiano da comunidade. Nesta semana, o projeto lança vídeos apresentando três poemas de César Alexandre Pereira, declamados pelo próprio autor. São eles:Por trás do lucro, Guarda-chuvas e Árdua é a escalada.  Clique aqui e acesse a playlist com os vídeos da Antologia no YouTube.

Nessa primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Natural de Taquari, César Alexandre Pereira ocupa a cadeira de número 12 na Academia Rio-Grandense de Letras. Conta com vários livros publicados e premiações no Rio Grande do Sul e em outros estados. Seu nome é referência em vários livros e catálogos sobre os melhores poetas gaúchos. Em 2016, conquistou o primeiro lugar no Concurso Nacional Lila Ripoll. Confira a seguir a entrevista que fizemos com ele a respeito da participação no projeto, sua trajetória na literatura e projetos.

Como avalias o projeto da Antologia Digital da Poesia Gaúcha? O que pensas de fazer parte dele?

César Alexandre Pereira – Trata-se de um projeto bem composto, criativo, de organização esmerada, que faculta também à população o amplo acesso à cultura, que muitas vezes é restrita a grupos culturais elitizados. Incentivos dessa natureza são promotores de inclusão social e merecem todo respaldo. Considero muito importante e sinto-me muito honrado, pois é um incentivo a mais aos escritores.

Desde quando tu escreves? Como foi tua trajetória na literatura?

César Alexandre Pereira – Escrevo há mais de 60 anos. Posso dizer que foi bastante produtiva. Fui premiado várias vezes em concursos literários, participei de diversas antologias, de encontros literários, ministrei oficina de poesia na Casa de Cultura Mario Quintana. Diria que fiz escola, muitos jovens seguiram meu caminho no estilo literário. Em 1973, fui premiado com o primeiro lugar em poesia, em Paranavaí-PR, e em 1974, em Porto Alegre, pelo IEL, com o livro Dardos de Ajuste. Em 1986, recebi o prêmio de poesia Petrobras. Em 1989, recebi novamente o 1º lugar no concurso do IEL, com o livro Porta de Emergência. Em 1994, fui 1º lugar no concurso da Associação de Jornalistas e Escritores do Brasil. Em 2011, recebi o prêmio de 1º lugar em poesia, no concurso Lila Ripoll, promovido pela Assembleia Legislativa do Estado. Em 2015, fui premiado no concurso de poesia da Faculdade Porto-Alegrense de Letras. Em 2016, recebi o primeiro lugar no referido concurso, outra vez. Participei da antologia Poetas Contemporâneos da Assembleia Legislativa do Estado, organizada por Dilan Camargo e outros. Sou membro da cadeira n° 12, da Academia Rio-Grandense de Letras. Fui participante escolhido para integrar As Bases da Literatura Rio-Grandense, do professor Francisco Bernardi. Figuro no livro, Quem é Quem nas Letras Rio-Grandense, de Sérgio Faraco e Hickmann. Editei os Livros Carrossel de Cinzas (1960), Dardos de Ajuste (IEL, 1974), Porta de Emergência (IEL, 1989), Caminhos do Fruto (IEL-CORAG/2012). Publiquei Verso e Reverso, em 2012, pela Editora Castelinho do Alto da Bronze.

O que motivou a escolha do poema Por trás do lucro para a Antologia? O que ele significa para ti?

César Alexandre Pereira – Eu trabalhei no Correio do Povo por muitos anos, ao lado do poeta Mario Quintana. E desde 1968, meus poemas foram escolhidos para serem publicados no “Caderno de Sábado”, do Correio do Povo, que foi um caderno importante para divulgação dos autores à época. Somam mais de 25 anos. Mesmo com todas essas publicações e sendo inclusive capa do Correio do Povo, meu nome foi omitido na lista dos escritores que participaram à época do Caderno, no festejo dos cinquenta anos, denominado “Cincoentão”. Naquela época o poeta que organizou a lista devia estar com dezoito anos, talvez ainda não lesse o caderno. Todavia, o Por Trás do Lucro foi publicado no Caderno de Sábado de 28 de junho de 1975, pela primeira vez. Por esse motivo escolhi esse poema.

E em relação ao poema Guarda-chuvas?

César Alexandre Pereira – O Guarda-chuvas foi composto a partir da experiência com guarda-chuvas, que temos de perder guarda-chuvas, no dia a dia. Basta acabar a chuva e já o esquecemos em algum lugar e outro vem e leva. Quis descrever o acontecimento de forma bem-humorada. É um poema que o público gosta muito quando o recito. E sempre o solicitam nos eventos de poesia.

E quanto ao poema Árdua é a escalada, o que ele significa pra ti?

César Alexandre Pereira – Significa o desejo de buscar uma linguagem menos prosaica e sim de metáforas e contenção verbal, numa inventiva original, onde se torna natural sua dicção, porque é Longo o Território da Palavra.

Tens algum projeto para o futuro?

César Alexandre Pereira – Sim, quero editar o livro de poemas Palavras e Fruição e um de sonetos.

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar mais cultura ao cotidiano da comunidade. Nesta semana, o projeto lança vídeos apresentando três poemas de Celso Gutfreind, declamados pelo próprio autor. São eles:O sujeitoO sujeito que diz e Considerações sobre o parto.  Clique aqui e acesse a playlist com os vídeos da Antologia no YouTube.

Nessa primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Celso Gutfreind é natural de Porto Alegre. Como médico, é especialista em psiquiatria e psicanálise de crianças e adultos. Como escritor, tem 41 livros publicados, entre ensaios, poemas, crônicas e literatura infanto-juvenil, tendo recebido diversos prêmios. Confira a seguir a entrevista que fizemos com ele a respeito da participação no projeto, sua trajetória na literatura, inspirações e temas de suas obras.