Sempre sorridente

“Maquinista do trem 106, você é show, muito animado”. “Parabéns para o maquinista do trem 111, que tenha mais maquinistas alegres assim”. “O maquinista do trem 106 está neste exato momento fazendo a alegria dos coleguinhas ao narrar as estações de uma forma muito motivada”. Esses são apenas alguns dos comentários feitos nas redes sociais por usuários que pegam trens conduzidos por Vanderlei Dias Furtado. Quando perguntado sobre a forma animada com que anuncia as estações, Vanderlei faz pouco caso: “Eu não falo nada demais, só digo o nome das estações, mas o pessoal gosta. É o meu jeito”. É com esse jeito alegre e sempre sorridente que o metroviário que está há mais de 30 anos na Trensurb se porta durante toda a entrevista.

De ascendência humilde e batalhadora, o porto-alegrense cresceu em uma casa de madeira no bairro Jardim Ingá, Zona Norte da cidade. Vanderlei aprendeu a se virar sozinho desde cedo. Tinha três anos quando o pai faleceu e coube a sua mãe a tarefa de criar e educar o futuro operador de trens e suas duas irmãs. “Eu com 11, 12, 13 anos já fazia aquela correria: lavava carro, vendia comida em marmita… Meu primeiro emprego foi aos 14 anos de idade. Trabalhei para uma empresa de publicidade: via televisão e anotava o tempo de duração dos comerciais”, conta. Lembra ainda que passou por outras três empresas antes de ingressar na Trensurb, em 1986, como auxiliar de operações.

A vontade de trabalhar como operador, que mostra toda a vez que liga o microfone, não é de hoje. Três anos após ingressar na empresa, em 1989, Vanderlei fez um teste para a função, mas não conseguiu aprovação. No cargo desde 2014, parece não conseguir conter o entusiasmo com a profissão e repete diversas vezes que ama o que faz. “Estou adorando (a função de operador). A Trensurb foi o que deu aquele up na minha vida. As coisas que eu tenho são aqui do trabalho”.  Vanderlei também se derrama em elogios ao Setor de Tráfego – que congrega operadores de trem e supervisores –, que diz ser um lugar de “pessoas homogêneas”, onde “todos são queridos e se ajudam”.

Pai de uma filha, Luiza, que estuda enfermagem na UFRGS, Vanderlei diz estar em um momento ótimo da vida hoje, aos 54 anos. Se diverte contando suas histórias de estação. Lembra das muitas vezes que passageiros o chamaram para tirar fotos, do menino que disse ter rido durante toda a viagem de trem e da mulher que o agradeceu por ter melhorado o dia dela ao anunciar as estações com alegria. “É só isso que eu quero, que todo mundo fique bem, que todos sejam felizes. O bem gera o bem e eu quero isso para todos à minha volta”.

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