O novo CCO

O Centro de Controle Operacional (CCO) é o “cérebro” da Trensurb, responsável por monitorar todas as demandas relacionadas à operação do metrô, controlar os sistemas instalados na via e centralizar as informações deles provenientes.

Com a expansão da linha metroviária até Novo Hamburgo, foi necessária a implantação de equipamentos adicionais para permitir o comando do novo trecho pelo CCO, além da instalação de um novo software de telecontrole. Assim, deu-se início a um processo de modernização de todo o sistema de controle de tráfego e energia. Parte do contrato de expansão São Leopoldo-Novo Hamburgo firmado com o Consórcio Nova Via (CNV), o projeto começou a ser implantado de fato no segundo semestre de 2013. Agora, entra em fase de garantia e ajustes de software por parte do fornecedor – a unidade de automação ferroviária da alemã Siemens, que adquiriu a espanhola Invensys (empresa que havia sido contratada pelo CNV). O investimento total da Trensurb no projeto foi de R$ 19,65 milhões.

Modernização de hardware e software

Nova remota de tráfego instalada na área do painel de controle local da Estação Aeroporto

Nova remota de tráfego instalada na área do painel de controle local da Estação Aeroporto

O projeto incluiu a substituição de todas as dez remotas de tráfego entre as estações Mercado e Sapucaia, bem como de outra localizada no pátio da empresa. As remotas são armários com controladores lógicos programáveis que fazem a leitura da informação da via e enviam esses dados para o CCO e para painéis de controle locais (PCLs), além de fazerem o envio dos comandos para manobras, como abertura e fechamento de sinais e a movimentação dos aparelhos de mudança de via. Também foram instalados quatro novos PCLs nas estações Unisinos, São Leopoldo, Santo Afonso e Novo Hamburgo e uma nova remota para a cabine de energia junto à estação terminal hamburguense – que supervisiona e controla os equipamentos de proteção da rede aérea de alimentação elétrica no novo trecho.

Outra novidade trazida pelo processo de modernização do sistema de controle foi a substituição do painel sinóptico, que traz a visualização de toda a linha metroviária e da movimentação dos trens, por seis cubos retroprojetores DLP LED com telas de 80 polegadas. Todo o hardware do CCO, servidores e postos de trabalho, também foi substituído por equipamentos mais modernos. São seis postos: três de controle de tráfego, um de controle das estações, um de controle do pátio e um de supervisão, todos com integração de software que permite que um assuma qualquer uma das funções dos outros em caso de necessidade. Hoje, ficam dentro do próprio CCO apenas os monitores – três para cada posto de trabalho –, mouses e teclados, enquanto as unidades de processamento dos postos de trabalho permanecem em armários localizados na sala de equipamentos do andar inferior. Nesses armários também ficam os nove servidores (com redundância, caso algum apresente problemas) e o armazenamento do banco de dados, além de equipamentos de rede e comunicação.

Armários da sala de equipamentos que contêm servidores, equipamentos de rede e unidades de processamento de postos de trabalho do CCO, além de um console para acesso local

Armários da sala de equipamentos que contêm servidores, equipamentos de rede e unidades de processamento de postos de trabalho do CCO, além de um console para acesso local

Um novo software de telecontrole de tráfego e energia foi, ainda, implantado e, no momento, passa por ajustes. O programa traz algumas mudanças e melhorias na apresentação das informações do campo e na rotina de trabalho do CCO, como maior precisão na informação e a possibilidade de uso de mais comandos automáticos. “Tivemos um ganho operacional de trabalho de cerca de 20%”, avalia o controlador Alfredo Loss, representante da área operacional da Trensurb no processo de modernização. “O foco do sistema é deixar tudo automático e os controladores só atuarem quando houver problema”, explica o engenheiro Cleber Correa, cogestor do contrato com o CNV responsável pela implantação do novo sistema. Para Alfredo, o “maior ganho” com o novo software foi a implantação da ferramenta Moviola, que ainda necessita de ajustes, mas permitirá que sejam recuperadas todas as informações do sistema metroviário – incluindo, por exemplo, a posição de cada trem na linha e o estado de cada sinaleiro ou aparelho de mudança de via – em qualquer período escolhido. Outra vantagem destacada por Alfredo é a possibilidade de aplicação pontual do sistema Frota, que faz o controle automático de sinalização. Anteriormente, a ferramenta só podia ser aplicada por trecho; hoje, é possível escolher individualmente qual sinaleiro será controlado manualmente.

Um processo de grande complexidade

Toda mudança, por mais que seja necessária e por mais progresso que ofereça, sempre pode causar transtornos. No caso do processo de troca de todo um sistema de controle sem que se interrompa a circulação dos trens e minimizando prejuízos aos usuários do metrô, a complexidade é muito grande e a colaboração de todos os envolvidos é fundamental. “É como trocar os pneus de um carro em movimento”, compara o engenheiro Cleber. Ele declara que “os setores envolvidos foram parceiros” e destaca a paciência e a cooperação dos empregados do CCO.

“É um trabalho árduo até deixar tudo ‘redondo’”, afirma Alfredo Loss. No entanto, segundo ele, apesar de todas as dificuldades, inclusive de adaptação ao novo sistema, “a modernização é obrigatória”. Isso não só por ser necessária para o comando do trecho até Novo Hamburgo, mas porque confere mais confiabilidade aos processos de controle operacional e facilita a manutenção e eventual substituição de equipamentos numa realidade em que a tecnologia avança muito rapidamente.

A terceira geração do CCO

Primeira geração do CCO na década de 1980

Primeira geração do CCO na década de 1980

O sistema original do Centro de Controle Operacional da Trensurb, utilizado desde 1984, foi projetado pela Fundação para o Desenvolvimento Tecnológico da Engenharia, entidade de direito privado ligada à Escola Politécnica da USP. A primeira geração do CCO utilizava tecnologia similar à da antiga Ferrovia Paulista S.A., cuja seção urbana na Região Metropolitana de São Paulo compõe, hoje, a malha da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.

Foi em 2002 que o CCO adquiriu boa parte da forma atual, com a conclusão de um processo de modernização contratado junto à Alstom. Esse projeto incluiu não somente novos hardware e software, mas alterações impactantes no próprio espaço físico. Quebrando o paradigma que centros de controle deveriam ser quase que completamente isolados, a nova configuração adotada passou a ter janelas para a rua, numa iniciativa para melhorar o ambiente de trabalho e deixá-lo menos estressante. O CCO da Trensurb foi um dos primeiros do mundo a contar com a novidade.

O novo Centro de Controle é, portanto, a terceira geração de CCOs da Trensurb. O objetivo por trás da modernização, no entanto, é o mesmo de diversas ações da empresa ao longo dos anos: tornar cada vez mais eficientes os processos de trabalho e oferecer serviços cada vez melhores aos usuários.

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