Nova galeria homenageia centenário de Xico Stockinger

Austríaco naturalizado brasileiro, Xico Stockinger foi um dos grandes nomes das artes plásticas no Rio Grande do Sul e no Brasil. Se estivesse vivo, estaria completando 100 anos em 2019, no dia 7 de agosto. Em homenagem a ele, Trensurb e Sesc Centro, de Porto Alegre, batizaram uma nova galeria de artes visuais na Estação Rodoviária do metrô com o nome do artista. Localizada no túnel de acesso à plataforma da estação, por onde transitam diariamente cerca de 20 mil pessoas, a nova Galeria Xico Stockinger receberá exposições artísticas trimestrais com a curadoria do Sesc, buscando democratizar o acesso às artes visuais e incentivar o trabalho de artistas. A mostra inaugural do espaço é Mantenho o que disse, da fotógrafa Ana Mendes.

A nova atração foi inspirada na Galeria Mario Quintana, da Estação Mercado, criada pela Trensurb no centenário do poeta e vitrine para mais de 100 exposições, de artistas consagrados e iniciantes, ao longo dos últimos 13 anos.

Em discurso durante a cerimônia de inauguração, realizada em 24 de abril, a filha de Xico, Jussara Stockinger fez um agradecimento à Trensurb e ao Sesc em nome dela própria e da mãe. “É uma homenagem muito bonita, faz bem para o coração também”, declarou. Ela afirma que uma iniciativa como a nova galeria, localizada em um espaço público e de fácil acesso à população, reflete a visão que seu pai tinha sobre a arte: “Meu pai dizia uma coisa, que a obra de arte foi feita para ser tocada”. Para Jussara, a obra de arte “ir para a rua é mais ou menos isso, ser tocada, sentida, é para as pessoas verem”.

A trajetória de Xico Stockinger

Terceiro filho do casal de imigrantes Franz e Ethel Stockinger, Franz Alexander Stockinger, nasceu na pequena cidade de Traun, na Áustria, em 7 de agosto de 1919. Veio com a família para o Brasil, até o interior de São Paulo, em 1923. Já adulto, naturalizou-se brasileiro e transformou-se em Francisco Alexandre – ou Xico. Após passagens pela capital paulista e pelo Rio de Janeiro – onde aprendeu a esculpir enquanto trabalhou em jornais como ilustrador –, fixou residência em Porto Alegre em 1954. Foi na capital gaúcha que Xico desenvolveu boa parte da carreira como artista e onde criou algumas de suas principais obras, como a série de esculturas Os Guerreiros. Escultor, gravurista, desenhista, agitador cultural, militante e gestor público, Xico fundou o Atelier Livre de Porto Alegre e foi duas vezes diretor do Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs). Faleceu em 12 de abril de 2009, em Porto Alegre, deixando uma vasta obra que o coloca como um dos principais nomes da escultura no país.

A nova galeria da Estação Rodoviária homenageia o artista no ano em que se completa o centenário de seu nascimento. Outro fator contribuiu para a escolha de seu nome para batizar o espaço: ele era amigo próximo do poeta Mario Quintana, que já empresta seu nome à galeria da Estação Mercado.

A realidade Guarani e Kaiowá em fotografias

Mantenho o que disse é uma exposição fotográfica de Ana Mendes a respeito da realidade do povo Guarani e Kaiowá, segunda maior população indígena do Brasil e a primeira no ranking de mortes. Mesmo na luta por sobrevivência, os indígenas resistem com fé e alegria, pois sonham com a conquista da terra sagrada, a terra-sem-mal, onde poderão livremente viver ao seu modo. O título da mostra é uma referência ao discurso que incentiva e legitima a violência contra os povos indígenas no Brasil. A exposição, que também é alusiva ao Dia do Índio – celebrado em 19 de abril –, permanece na Galeria Xico Stockinger até 30 de junho.

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