Mestranda da UFRGS analisa qualidade do ar em estações e trens

Mestranda na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Bianca Dutra de Lima vem realizando, desde agosto de 2018, um estudo da qualidade do ar nas dependências da Trensurb. A porto-alegrense de 22 anos é moradora de Canoas, graduada em Química pela Universidade La Salle e, atualmente, está no Programa de Pós-Graduação em Sensoriamento Remoto com ênfase em Ciências Atmosféricas da UFRGS. Quinzenalmente, ela realiza a medição de partículas no ar, tanto dentro dos trens série 200 como nas plataformas.  O objetivo é avaliar a influência de veículos, indústrias e outros fatores na qualidade do ar respirado pelos usuários do metrô e moradores do entorno da linha.

Medidor de partículas no ar utilizado pela mestranda

Medidor de partículas no ar utilizado pela mestranda

Bianca comenta que já fez projetos similares anteriormente e que sempre se interessou pelo estudo do ar. Segundo ela, muitos pesquisadores “esquecem” de analisá-lo, preferindo dedicar-se ao estudo do solo e da água: “O ar é o meio mais difícil de se analisar porque ele não pode ser coletado e investigado. Acredito que, devido a isso, pesquisadores ignoram o estudo dele, para se focar em coisas que podem ser mais fáceis de estudar”. Bianca afirma que “a atenção com o que acontece acima da atmosfera é superior à atenção dada para o que ocorre abaixo dela, mas temos que lembrar que vivemos em uma camada baixa dela”. Conforme a mestranda, a população tende a achar que a poluição se dissipa no ar, não se prende a ele, mas esse é um pensamento equivocado.

Chefe do Setor de Responsabilidade Socioambiental da Trensurb, Guilherme Campos explica que “está na política ambiental da Trensurb fazer parcerias com instituições de ensino e pesquisa para a realização de estudos na empresa que sejam de interesse socioambiental”. Por isso a empresa abriu seus espaços para a pesquisa de Bianca.

Segundo a mestranda, o trem é um dos meios de transporte menos poluentes existentes, o que colabora com melhores resultados nas análises. “Eu quis fazer um trabalho no meu mestrado que realmente impactasse a vida das pessoas, por isso eu observei que a Trensurb é uma empresa que atua no estado há 30 anos, é a única empresa de trens da região e atende seis municípios, ou seja, atende muitos usuários por dia e nunca teve um estudo similar aqui”, afirma Bianca.

A mestranda lembra que, diferentemente do que acontece em metrôs subterrâneos, os espaços da Trensurb recebem muitas partículas de poluentes atmosféricos que vêm do entorno. Isso quer dizer que a empresa não é responsável por boa parte da poluição do ar encontrada nas plataformas. Na análise dos dados coletados, Bianca tem que considerar a localização e o projeto das estações. Por exemplo, várias plataformas têm estradas movimentadas de ambos os lados, o que faz com que haja mais partículas poluentes no ar. Dessa forma, além das partículas de ferro devido ao desgaste normal dos trilhos, a mestranda deve encontrar muitas partículas de gasolina no ar das estações, provenientes dos automóveis que circulam no entorno. O clima é outro fator que deve ser levado em consideração, pois, no inverno, a concentração de partículas tende a ser maior. “O monitoramento do inverno vai me apresentar uma concentração de composto voláteis superior aos números que terei no verão, já que os composto oxidam na luz solar, fazendo com que a aglomeração diminua”, explica. As medições da mestranda seguem até setembro deste ano e os resultados da pesquisa devem ficar prontos no início de 2020.

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