Funcionários da manutenção trabalham à noite para garantir funcionamento diário do metrô

Todos os dias, cerca de 200 mil pessoas utilizam o metrô gaúcho para deslocarem-se entre os municípios de Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia, São Leopoldo e Novo Hamburgo. Contudo, muitas vezes, os usuários do trem não têm ideia da quantidade de profissionais que atuam durante a noite para que o serviço possa funcionar normalmente no próximo dia.

Os trabalhos, na maioria de manutenção preventiva e corretiva, são realizados das 0h às 4h, diariamente. Ao todo, mais de 100 funcionários trabalham à noite nos setores responsáveis por manutenção leve de trens, de rede aérea, de via permanente e de sinalização, além das áreas de segurança, de tráfego, nas estações, na limpeza e no centro de controle operacional.

O Setor de Via Permanente

O supervisor de manutenção do Setor de Via Permanente (Sevip) da Trensurb, Uberlan Sá, conta que brinca com os colegas de outros setores da manutenção que “para tudo o mais se dá um jeito, mas, sem trilhos, o trem não roda”. E é por isso que, durante a noite, aproximadamente 52 empregados, divididos entre funcionários da Trensurb e da empresa contratada Prumo Engenharia, atuam na manutenção da via. As principais atividades desenvolvidas por eles são:

  • Substituição ou remoção de peças danificadas que compõem a via, como lastros ou dormentes, por quebras, desgastes ou problemas como contaminação por barro, material orgânico, entre outros;
  • Execução de soldas em função de desgaste ou de rompimento da solda ou dos trilhos. Também é feita a solda de bondeamento, que possibilita a continuidade do sistema de sinalização;
  • Execução de roçada e limpeza de canaletas de drenagem da via;
  • Correção geométrica pesada, que consiste na manutenção dos parâmetros geométricos da via, como alinhamento, nivelamento e socaria;
  • Lubrificação dos aparelhos de mudança de via (AMV’s);
  • Troca de curvas com desgaste acentuado e troca de peças componentes dos AMV’S, bem como manutenção dos aparelhos;

Segundo o chefe do Setor de Via Permanente da Trensurb, Alexandre Morcinek, todos os equipamentos, sistemas e instalações estão sujeitos à degradação das suas condições normais de operacionalidade com o decorrer do tempo em consequência de seu uso natural. Ele explica que “a missão da manutenção do Sevip é repor a operacionalidade desses equipamentos em níveis aceitáveis, proporcionando uma operação contínua e que ofereça segurança aos usuários”. É por isso que a atuação noturna da equipe é tão importante para o bom funcionamento do trem.

Nas palavras do funcionário da Sevip, José Francisco Mendes, “para trabalhar à noite tem que ser apaixonado. Eu sou apaixonado por trilho, por trem”. Ele está na empresa há 30 anos e conta que praticamente sempre trabalhou à noite. “À noite é melhor, mais tranquilo”, diz. Entretanto, na opinião de Francisco, ao mesmo tempo em que há vantagens no trabalho noturno, também existem dificuldades. O frio rigoroso do inverno gaúcho ou a chuva são obstáculos, já que, quando está chovendo, a maior parte dos trabalhos do Sevip nem chega a acontecer. Também há momentos em que a chuva inicia durante o serviço e os empregados precisam concluir os reparos na chuva. “Por isso que tem que gostar”, pontua.

Nas palavras de Alexandre, chefiar o setor é uma tarefa que visa alcançar resultados com responsabilidade, agilidade e muito trabalho em equipe. “Tem sido muito gratificante liderar os funcionários com esse intuito por lidar com técnicos e assistentes de manutenção que possuem conhecimento na área e que são comprometidos com o serviço que realizam, o que pode ser confirmado pelos indicadores de disponibilidade da via permanente no último ano, acima de 99%”.

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