Entrevista: Usina do Trabalho do Ator no Festival Palco Giratório e na Estação Mercado

O 12º Festival Palco Giratório Sesc/POA traz ao Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos, de 4 de maio a 30 de junho, uma nova exposição fotográfica que comemora os 25 anos de atividades da Usina do Trabalho do Ator (UTA). O grupo de teatro e pesquisa realiza trabalhos de criação e pedagogia em Porto Alegre, no Brasil e no exterior desde 1992. As imagens reunidas na mostra Usina do Trabalho do Ator: 25 Anos de Performatividade em Imagem convocam o olhar a muitas formas de ver, a diversas experiências de vida e culturas, mas, sobretudo, ao protagonismo do corpo em cena. As imagens expostas na Estação Mercado são uma extensão da exposição principal no Café Sesc Centro, em Porto Alegre.

Convidamos os integrantes da Usina e o curador da mostra a nos falar sobre a exposição e sobre o trabalho do grupo. Confira o que eles tiveram a nos dizer.

Trensurb – Como o grupo vê essa exposição?

Thiago Pirajira, ator – A exposição retrata justamente a trajetória da Usina do Trabalho do Ator, um grupo de teatro aqui de Porto Alegre. Um grupo que há 25 anos vem trabalhando, produzindo espetáculos, tendo uma construção de conhecimento na área da pedagogia teatral, na medida em que nós, do grupo, somos atores e professores de teatro. Para nós, essa exposição traz muitas felicidades, porque conseguimos ter um panorama e, dessa forma, concretizar, enquanto exposição, a trajetória do nosso grupo de trabalho. Nós sabemos que, no contexto de Brasil, Rio Grande do Sul, Porto Alegre, um grupo de teatro ter uma longevidade assim é um dado relevante e importante a ser considerado. Então, uma exposição, justamente a partir das artes visuais, nos traz esse reconhecimento e, justamente aqui, na Estação Mercado, onde pessoas de todos os tipos, de todas as classes sociais, transitam, de uma maneira que faz sentido o nosso trabalho de levar para as pessoas aquilo que produzimos. Então, uma exposição aqui na Trensurb também nos deixa muito felizes.

Trensurb – Como foi participar do trabalho como curador da exposição? Como avalia o resultado dela no Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos?

Fábio Zambom, fotógrafo e curador da exposição – Fiquei honrado com o convite do grupo para fazer a curadoria dessa exposição porque eu já os acompanho há algum tempo como fotografo. Foi um trabalho bem extenso, o material que eles têm vem desde a época do negativo, mas foi uma pesquisa muito bacana e fico feliz que conseguimos sintetizar todos esses anos do trabalho deles. Eu não conhecia o Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos, mas me surpreende, é melhor do que eu esperava. A visualização da exposição é muito boa e eu acredito que o fluxo de pessoas aqui vai dar uma dimensão bem bacana para esse trabalho.

Trensurb – Qual é a proposta principal da UTA?

UTA (respostas elaboradas coletivamente pelos integrantes do grupo) – A proposta principal do trabalho da UTA foi e segue sendo fazer teatro a partir do trabalho do ator. Tanto do ponto de vista daquilo que ele/ela quer/tem para dizer quanto pelo modo de expressar as ideias, sentimentos, pensamentos.  No caso da UTA, essas duas questões estiveram sempre conectadas, aquilo que dizemos está diretamente relacionado com o modo como dizemos.

Trensurb – Como foi a trajetória do grupo ao longo desses 25 anos?

UTA – O grupo surgiu como um núcleo de pesquisa apoiado pela Secretaria Municipal da Cultura (de Porto Alegre) em 1992. Foi feito um processo público em que foram selecionados 12 atores e os 2 primeiros classificados deveriam receber uma bolsa mensal em dinheiro. Por força desse processo, o grupo de atores pode, também, utilizar uma sala na Usina do Gasômetro para desenvolver o trabalho como núcleo de pesquisa. Ao final do segundo ano de trabalho, a Secretaria retirou o seu apoio e o grupo seguiu sua trajetória de forma autônoma. Nesse momento, 6 dos 12 selecionados permaneciam no grupo. De lá para cá, desenvolvemos nosso trabalho na Companhia de Arte (um importante espaço de luta e resistência da classe artística porto-alegrense) e vários artistas passaram pelo grupo deixando suas marcas no trabalho. Aqueles que permaneceram mantiveram a história viva do grupo e a possibilidade da comemoração destes 25 anos. A composição atual do grupo é a seguinte: Celina Alcântara, Gilberto Icle, Ciça Reckziegel, Dedy Ricardo, Gisela Habeyche, Shirley Rosário e Thiago Pirajira.

Trensurb – O que significa, para os integrantes do grupo, a homenagem de um festival importante como o Palco Giratório à trajetória e ao trabalho da UTA?

UTA – Além da honra, no sentido da importância, relevância e alcance de um festival como este, tem o reconhecimento do nosso trabalho e da sua importância para o campo das artes cênicas. Ou seja, para a produção local (de Porto Alegre), mas também no Brasil como um todo. Afinal, este é um festival de abrangência nacional e o grupo já participou dele representando o sul do Brasil em outras regiões.

Trensurb – Como o grupo avalia a oportunidade de levar esta exposição a um espaço como uma estação de metrô?

UTA – Fundamental, em termos de visibilidade para o trabalho de um grupo que se dedica, justamente, ao teatro de rua e apresentações em espaços não convencionais. Assim, quem já se confrontou com o trabalho da UTA irá se recordar e outros tantos que ainda não conhecem terão um primeiro contato que talvez desperte a curiosidade e a possibilidade de futuros encontros pelas ruas da cidade.  Há uma canção que diz que “todo o artista tem que ir aonde o povo está”, essa é a nossa grande sorte com uma iniciativa assim: chegar perto das pessoas. Isso é maravilhoso porque inaugura uma relação, na medida em que as milhares de pessoas que passam pela Trensurb se sentem mais próximas do teatro e descobrem que são muito bem-vindas às manifestações artísticas em geral e ao teatro em particular.  Quer ele aconteça na rua ou numa sala, todos podem encontrar algo que lhes alimente ao frequentar espetáculos teatrais.

Trensurb – Quais são as expectativas para a participação da UTA no 12º Festival Palco Giratório?

UTA – Nossas expectativas são as maiores possíveis, visto que são 25 anos de trabalho! Esse número é muito relevante se tratando de um grupo de teatro em contexto de Brasil. E também por conta da luxuosa parceria de um festival tão importante nacionalmente como o Palco Giratório! Estamos vibrantes!

Além da homenagem com a exposição, os 25 anos de trabalho da Usina do Trabalho do Ator também são tema de programação comemorativa no Festival Palco Giratório. Confira clicando aqui.

A programação completa do 12º Festival Palco Giratório Sesc/POA também pode ser acessada online.

A UTA também está presente no Facebook.

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