Entrevista: Pablo Aguiar e seus “Recortes no Metrô”

Em exposição na Galeria Mario Quintana, no túnel de acesso às plataformas da Estação Mercado da Trensurb, em Porto Alegre, encontra-se o trabalho do artista Pablo Aguiar, Recortes no Metrô. Apresentando uma ideia inovadora de gravuras de pessoas, feitas dentro de metrôs pelo mundo, coladas sobre fotos, Pablo estreia as exposições na galeria no ano de 2016. Leia a seguir nossa entrevista com o artista.

De onde veio a tua inspiração?

A ideia para o projeto surgiu naturalmente. Precisava pegar o metrô para chegar à minha faculdade, em São Leopoldo. Era quase uma hora de viagem. Eu estava também angustiado nessa época, pois não desenhava por falta de tempo e sabia que se quisesse melhorar o meu traço deveria praticar muito mais. A minha vontade de desenhar e esse tempo livre dentro do trem me deram a ideia de começar a desenhar os passageiros no metrô. Só tive o trabalho de comprar um bloco e perder a vergonha.

Como é, pra ti, expor teus trabalhos na Galeria Mario Quintana? E ainda por cima pela segunda vez?

É incrível! Não vejo um lugar melhor para expor o meu trabalho – que retrata os passageiros do metrô – do que na Estação Mercado da Trensurb. Milhares de pessoas passam pela Galeria Mario Quintana durante o dia e poder mostrar o meu trabalho para essas pessoas, que são o tema da minha arte, é de um valor muito grande para mim.

A primeira exposição teve como foco os próprios passageiros da Trensurb. A de agora já são os passageiros de outros países. Uma das minhas intenções é mostrar as diferenças que existem nas estações de outros lugares do mundo, entretanto mostrar também as semelhanças que existem entre as pessoas. Não importa a língua, a raça, o gênero… No final, todos amamos e sofremos. Isso faz com que os nossos pensamentos sejam parecidos em sua essência. E que, por mais distante que uma pessoa esteja, estamos ligados por uma mesma linha: a vida.

Qual foi o teu primeiro desenho relacionado ao metrô?

Primeiro recorte no metrô

Evoluí bastante desde o primeiro desenho no metrô. O projeto começou em 2011. São cinco anos de lá para cá.

Tu fizeste um intercâmbio na Espanha. O que foste fazer lá?

Fui estudar na Espanha. Fiz um curso de artes na Facultad de Bellas Artes da Universidad del País Vasco, no norte da Espanha. O intercâmbio durou um ano.

Como tu enxergas a parceria com a Trensurb? O que tu pensas das iniciativas da empresa em prol da cultura?

Eu fico muito feliz em poder contribuir com a Trensurb. Tive a oportunidade de conhecer estações de outros lugares na Europa e esse espaço que a Trensurb oferece para artistas não encontrei em nenhum lugar pelo qual passei. A biblioteca, as exposições, o Arte nos Trilhos, entre outras… São várias iniciativas que contribuem de forma significativa para a cultura do nosso estado.

Uma das ilustrações que integra a exposição na Galeria Mario Quintana

Uma das ilustrações que integram a exposição na Galeria Mario Quintana

Quais são tuas referências?

Admiro diversos artistas. Liniers, Briony May Smith, João Montanaro… São alguns deles.

Fala pra nós um pouco de ti, da tua formação e experiência.

Tenho 27 anos, sou natural de Alvorada. Faço faculdade de comunicação digital na Unisinos. Já trabalhei em agências de design, mas atualmente estou trabalhando em um jornal da minha cidade como diagramador. Faço também charges para o Jornal A Semana e “frilas” como ilustrador.

Como é a aceitação, perante o público, da tua arte? O que as pessoas te falam quando vêem?

A aceitação é ótima. Dizem que é uma boa ideia, pois sempre se perguntaram também no metrô: “o que será que essa pessoa está pensando? Às vezes me param enquanto estou desenhando, mas é sempre com um sorriso, para ver o que estou fazendo”.

Além da Galeria Mario Quintana, os Recortes no Metrô também podem ser conferidos no Facebook.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *