Entrevista: Karine Rico traz o circo para o cotidiano

Nos dias 30 e 31 de agosto, a intervenção circense Dias de Chuva, da artista Karine Rico, invadiu as estações Mercado, São Leopoldo e Canoas, da Trensurb. A ação teve duração de aproximadamente 15 minutos, durante os quais a artista buscou apresentar as diferentes reações e sensações provocadas pela chuva por meio de uma cena que utilizou malabarismo aliado a projeções e trilha sonora. O projeto é realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Rio Grande do Sul.

Leia a seguir nossa entrevista com Karine, que falou sobre sua carreira como artista circense e a concepção da intervenção Dias de Chuva.

Como foi o início da sua carreira como artista?

Eu já trabalho com circo e teatro há mais de 10 anos, comecei como artista de rua e, depois de algum tempo, fiz diversas oficinas de circo e, então, comecei a me aventurar pelos teatros. Participei de alguns espetáculos em salas de teatro e esse é o segundo projeto que eu estou fazendo. O primeiro foram intervenções em escolas e, agora, eu quis propor um espaço público alternativo para as intervenções.

Esse é o único projeto que você está desenvolvendo no momento?

No momento, sim. Neste ano, eu estou tralhando nesse projeto Dias de Chuva. Eu vinha fazendo um trabalho contínuo de pesquisa com o grupo Necitra, que ficava na Usina das Artes, e esse grupo se desfez agora no último ano. Então, esse projeto é um solo, meu primeiro projeto de carreira solo, e ele é um projeto de criação de número, não de espetáculo, então por isso que é mais curtinho e é uma proposta dentro do circo. Ele é um projeto em que eu utilizei elementos que não são só de malabarismo, eu utilizei elementos que são mais cotidianos. Também faz parte de uma pesquisa que eu já venho fazendo há anos e que comecei dentro desse grupo que se chama Necitra, e agora eu estou em carreira solo.

Por que você escolheu fazer uma apresentação em formato de intervenção?

O projeto de intervenção é um pouco diferente do espetáculo porque ele é mais visual, mais lúdico, mais poético e desperta essa mudança no cotidiano. Como artista, minha ideia é pegar todos os públicos, as crianças, os idosos, as pessoas que estão indo trabalhar e não têm tempo de ir ao teatro. A intenção é fazer as pessoas pararem e verem uma situação totalmente fora do cotidiano no caminho. Isso pra mim é bem legal.

A intervenção foi toda idealizada por você? Como foi essa criação?

É um projeto de criação e execução minha, os textos são meus e a concepção e a produção do projeto também é toda minha. A ideia de fazer esse projeto é pensar na arte como forma de expressão. Então, ele fala muito sobre os meus sentimentos e o meu cotidiano, sobre uma vida real, por isso eu quis fazer a apresentação em um espaço público. O que eu quis fazer foi ligar o circo, que é algo do imaginário, com uma vida real, para as pessoas comuns que vão, que vêm, que se molham. Então o projeto tem essa ideia de ligar a arte do circo às pessoas comuns, com o cotidiano mesmo.

Quais são seus planos para projetos futuros?

Agora, eu estou finalizando esse projeto, temos ainda uma última apresentação que vai ser em um teatro, mas não sei ainda o que vem para 2019. Estou em processo de finalizar esse por enquanto. Eu trabalho como educadora também, dou aulas de circo e teatro para crianças e dou oficinas regulares de circo também para crianças.

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