Entrevista: Fagner Almeida, fotógrafo de cavalos que expõe seu trabalho na Galeria Mario Quintana

Até 31 de outubro, a Galeria Mario Quintana, localizada no túnel de acesso às plataformas da Estação Mercado, recebe exposição de fotografias de cavalos com imagens produzidas por Fagner Almeida. Elas retratam os animais em ambientes rurais ou de competições, como os Jogos Equestres Mundiais, ocorridos na França, em 2014 – maior competição do gênero. Confira abaixo a entrevista realizada com Fagner, que trabalha há seis anos com fotografias de cavalos.

Tem algum fotógrafo que te inspire?

Sim, Eduardo Rocha e José Guilherme Martini.

Quando surgiu seu interesse pela fotografia? E como começou a fotografar?

Sempre gostei de fotografia, porém nunca tive a pretensão de ser fotógrafo. Aos finais de semana, quando íamos para a cabanha de um amigo ajudar na lida, sempre me “jogavam” a maquina fotográfica, porque eu gostava de tirar fotos e as fotos ficavam boas. Então, em um leilão realizado por eles, usaram nossas fotos de fins de semana no catálogo para ilustração e a agência que produziu o mesmo queria saber quem era o fotógrafo que havia feito as imagens. Ao explicar que eu não era um fotógrafo e sim um aficionado somente, eles disseram que tinha muito talento para fotos, pois cavalos são difíceis de se fotografar. Bom, com isso veio um pouco de entusiasmo, mas ainda sem pretensão alguma, pois tinha um emprego e, por mais que gostasse, não imaginava viver de fotografia. Com o passar do tempo, vieram mais elogios e pessoas como Eduardo Rocha, fotógrafo já renomado no meio rural, incentivando e apoiando, acreditei que tinha mesmo um potencial e comecei a me dedicar à fotografia de vez.

Como é a sensação de expor ao público do metrô, que é bem numeroso (na Estação Mercado, passam cerca de 60 mil pessoas por dia) e diversificado?

Demorei para ver a exposição pessoalmente na estação, pois estava em função de muito trabalho. Não conseguia ir até lá, somente recebia fotos via celular e Facebook de amigos parabenizando e elogiando. Após uns 15 dias, pude ir pessoalmente e foi aí que realmente “caiu a ficha” de quantas pessoas, de quantos lugares, de diferentes gostos e estilos estavam passando e vendo meu trabalho ali exposto. Uma sensação muito boa e única, porque uma coisa é você ter uma exposição em uma galeria, em um local aonde as pessoas vão com o objetivo de ir ver o trabalho, aquele público realmente direcionado, que sabe que existe esse tipo de trabalho. Agora, você ter seu trabalho exposto para uma grande massa, onde muitos não têm nem ideia que possa existir um fotógrafo de cavalos, não tem preço. Confesso que fiquei para observar as diferentes pessoas que passam pela frente da Galeria Mario Quintana e é muito legal a reação das pessoas que passam ali e olham.

Tu és especializado em fotografar uma espécie de cavalo. Qual a diferença entre fotografar uma espécie e outra?

Sim, hoje sou especializado e com experiência muito significativa no cavalo Crioulo, mas há outras raças que venho me aprimorando e especializando há mais de um ano e esse é o objetivo. Há muitas diferenças. Cada raça tem sua característica e padrões e isso você precisa mostrar na fotografia. Muitas vezes, a foto para uma pessoa que desconhece o padrão ou a característica de uma raça é linda e perfeita, porém, para o proprietário do animal ou o conhecedor, ela é uma foto desinteressante, já que o animal não está bem parado ou está mostrando um defeito morfológico nele existente. São estes pequenos detalhes que preciso me especializar em diversas raças. Busco sempre essa harmonia de uma foto artística que consiga mostrar e agradar os dois lados, o leigo e o conhecedor.

Além de cavalos, há algum outro tema que tu gostes bastante de fotografar?

Sou apaixonado pelo campo, então a fotografia agropecuária e de natureza é o que sempre busco.

Entre as fotos já produzidas por ti, quais são aquelas de que tu mais gostas?

Não tenho uma específica. Tenho algumas que tenho um carinho por terem sido um momento marcante ou uma dificuldade para conseguir produzi-las ou pela história que elas contam.

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