Entrevista: criatividade e representatividade na arte de Amanda Jacobus

Até 31 de janeiro do próximo ano, a exposição Mulheres de Coragem, de Amanda Jacobus, fica em cartaz no Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos, na plataforma de embarque da Estação Mercado. A mostra traz ilustrações que representam seis mulheres brasileiras, personagens do folclore e da história, que inspiram por sua coragem e determinação. A autora de Mulheres de Coragem é publicitária, sócia de uma agência de comunicação que auxilia negócios de mulheres empreendedoras e também mantém um blog sobre viagens e cultura. Afirma estar “metida em todas as formas de expressão” e conta que desenha, escreve, fotografa e faz vídeos “por hobby e paixão pela arte”. Conversamos com ela sobre a exposição, sobre arte, igualdade e seu trabalho como publicitária. Confira a entrevista a seguir.

As ilustrações das mulheres das lendas que fazem parte da exposição foram feitas originalmente para um concurso de design. Qual era a proposta desse concurso e como ele originou a mostra em cartaz na Estação Mercado?

Esse concurso acontece todos os anos. É uma competição de design da Oxford Porcelanas. Todo ano eles definem um tema e as pessoas precisam criar um design para o conjunto de louças Oxford. O escolhido pelos jurados do concurso têm sua arte utilizada oficialmente em uma coleção especial, assinada pelo artista.

Este ano (2018) foi sobre folclore. A partir disso, criei as três personagens das lendas brasileiras, todas mulheres (Iara, Vitória Régia e Caipora). Queria elevar o papel da mulher dentro do folclore brasileiro e isso gerou a ideia de trazer personagens da história (Anita Garibaldi, Dandara dos Palmares e Maria Quitéria) que também não são muito conhecidas pelo público em geral.

Como se deu a escolha das personagens representadas na exposição? Quais teus critérios de escolha?

As primeiras três eram personagens fictícias de lendas brasileiras para o concurso. As outras três foram escolhidas por não serem tão conhecidas. Anita Garibaldi é a mais conhecida entre as três personagens reais, porém ela é sempre colocada ao lado do marido (assim como a Dandara). Queria mostrar que elas, por si mesmas, eram mulheres incríveis e cheias de história. Pretendo continuar criando ilustrações sobre outras mulheres desconhecidas que fizeram a diferença na história, como várias mulheres da ciência que tiveram papel importante na evolução do país.

Como tu avalias que a arte – tanto a tua exposição especificamente, como a arte de maneira geral – pode ajudar na busca pela igualdade de gênero?

As pessoas precisam de representatividade. Precisam de exemplos! Como minha ilustração tem apoio histórico dentro do contexto, acho que isso é ainda mais impactante para mulheres que não acreditem em seu potencial. Com o atual momento histórico e político do Brasil, será cada vez mais importante elevarmos os melhores exemplos que tivermos para que a força da mulher não se perca.

A arte, de forma geral, ativa a criatividade, oferece um mundo de histórias para a imaginação e ainda estimula o questionamento crítico. Quero que tanto homens quanto mulheres vejam que ilustrei pessoas incríveis e não muito conhecidas e se inspirem com isso.

 Já havias exposto teu trabalho artístico em outras ocasiões? O que pensas de expor numa biblioteca em uma estação de metrô?

Esta é a primeira vez e estou super animada! É uma grande oportunidade que estou tendo de colocar minha “voz” em um espaço com muitas pessoas. E o melhor: mostrando que mulheres são poderosas e inteligentes. Expor na biblioteca me anima ainda mais, pois sou apaixonada por leitura e livros. Tenho pilhas enormes de livros em casa e no escritório, amo demais. Não poderia combinar mais comigo o fato de a exposição acontecer exatamente na Livros sobre Trilhos.

Qual é a diferença, pra ti, entre fazer trabalhos publicitários e artísticos?

A diferença é que no trabalho artístico eu tenho voz e liberdade de criar o que eu quiser, comunicar o que estiver sentindo. No trabalho com publicidade, existe um briefing muito específico e o objetivo final é vender, seja um produto ou um serviço. Na arte coloco minha opinião, ofereço ao mundo minha visão de mundo. Obviamente, a arte passa a ser de cada um que a vê e interpreta quando colocada no mundo, o que é ainda mais incrível. Espero que esse conjunto de ilustrações possa gerar bons questionamentos e interpretações diversas pelo público.

Tens planos de seguir criando e expondo material artístico?

Sempre! Já me aventurei na literatura, na criação audiovisual e no desenho. Como criar é algo muito natural para mim, pretendo continuar pelo resto da vida! (Risos).

Tens algum novo projeto em mente ou já em andamento?

Nenhum por enquanto! Curtindo esse primeiro, antes de pensar em outros. Mas se for possível, gostaria de levar essa pequena exposição para outros lugares. Outras cidades, quem sabe! A gente pode sonhar, né! (Risos).

No teu trabalho como publicitária, também lidas com questões de empoderamento e igualdade de gênero ao atuar junto a mulheres empreendedoras, certo? Como é feito esse trabalho?

Sim! Na Desiderata, trabalhamos com foco em mulheres empreendedoras. Muitas delas se deparam com a vontade de empreender após a gravidez, a fim de ficar mais perto dos filhos, e criar empresas com propósito. Por isso, criamos marcas e fazemos gestão de redes sociais para que elas possam focar em seus negócios de maneira plena. E estamos acostumadas a receber e-mails e mensagens às 2h da manhã, pois sabemos que muitas vezes este é o horário da amamentação noturna, o horário mais calmo e quando elas pensam em seus negócios. Tudo é adaptado para estimular o empreendedorismo feminino, fazer com que a mulher se apaixone por sua própria empresa e suas bandeiras. Também temos clientes homens e todos eles entendem quem somos e respeitam nosso posicionamento.

Trabalhamos também com a ONG Projeto Camaleão, que tem como objetivo estimular a autoestima de mulheres com câncer. Tudo isso faz parte das nossas ações como empresa!

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