Entrevista: Antonio Villeroy, músico que abriu o Arte nos Trilhos 2015

Ao longo desta semana, a Trensurb promove apresentações musicais na Estação Mercado, sempre às 17h, como parte do Arte nos Trilhos 2015. O cantor e compositor Antonio Villeroy abriu a edição deste ano, acompanhado do baterista Marquinhos Fê, apresentando canções de seu sétimo e mais recente álbum, Samboleria (vencedor do Prêmio Açorianos de Música 2015 como melhor disco), além de obras famosas na voz de outros artistas como Ana Carolina. Em 35 anos de carreira, Villeroy fez seu primeiro show em uma estação de trem. Confira nossa entrevista com o artista.

O que tu achas de te apresentar em um lugar público?

Estou completando, neste ano, 35 anos de carteira da Ordem dos Músicos, então, fiz muita coisa na minha vida. Só não me lembro de ter tocado assim, no metrô, com a plateia em movimento. Observei muito isso, principalmente no exterior, como Europa e Estados Unidos, mas não é um projeto, né, é só um cara tocando e passando um chapeuzinho. Aqui em Porto Alegre, no início da carreira, lembro que me apresentei na frente do Chalé da Praça XV, foi bem legal. Aqui, especificamente no trem, é diferente, pois as pessoas não estão aqui para te ver tocar, elas estão indo para casa e, na maioria das vezes, grande parte delas nem imagina quem eu sou.

Acha que esse projeto ajuda a levar música para mais pessoas?

É interessante, mas depende muito do grau de atenção das pessoas, porque, às vezes, elas olham, mas isso não significa que elas vão se ater ao que está acontecendo. Para, ouve uma música e sai, e isso promove uma rotatividade de público.

O que tu pensas de projetos como esse da Trensurb, de levar música e cultura para as pessoas?

Sensacional, muito bom. Penso que a intenção do projeto é extremamente boa. Até porque é um público que, possivelmente, a música não alcançaria se não fosse o projeto. Elas podem até ser pegas desprevenidas e, a partir daí, gostar e seguir. Isso faz com que as pessoas se libertem um pouco do rádio e da TV.

Quais são tuas referências na música?

Gosto de muita coisa, principalmente Chico Buarque, Toninho Horta, que é um cara muito importante, foi um compositor mineiro, fez musicas para o Milton Nascimento, e foi ele que me inspirou a procurar outros acordes, outras misturas e musicalidades, quase um Tom Jobim.

O que significa pra ti o Prêmio Açorianos de Música que ganhaste?

Sim, ganhei como melhor compositor, melhor disco de MPB, show do ano e disco do ano. Acho muito legal, é um reconhecimento ao trabalho que eu me esmerei muito para fazer e, ao mesmo tempo, coroou minha volta a Porto Alegre. Convenhamos, um reconhecimento na tua própria terra é muito legal. Sem falar que isso reflete também na agenda de shows, vejo que eles valorizam o artista premiado.

Tu vês alguma diferença entre o público do exterior e o público brasileiro?

Depende muito do país. Os países latinos são mais parecidos com os brasileiros, são mais festivos e próximos, já, França e Itália, mais participativos. Na Alemanha, Bélgica, Áustria e Suíça, o público já é mais introvertido, e vejo também que eles apreciam a música mais como uma forma de cultura do que de divertimento.

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