Entrevista: a sociedade monocromática pelas lentes de Gustavo Nardon

Até 28 de fevereiro, o Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), localizado na plataforma de embarque da Estação Mercado, recebe a exposição fotográfica Despercebidos, do jornalista Gustavo Nardon. A mostra consiste em um conjunto de imagens monocromáticas, registradas entre 2013 e 2016, que retratam a inspiração de Gustavo: as pessoas, “engrenagens” essenciais da nossa sociedade que muitas vezes não são notadas.

Gustavo foi estagiário na Gerência de Comunicação Integrada da Trensurb durante dois anos, atuando parte desse tempo no Espaço Multicultural. Agora, retorna ao local de forma diferente, com sua primeira exposição.

Quer saber mais sobre Gustavo e seu trabalho? Confira a seguir a entrevista que fizemos com ele.

Sobre o que trata a exposição?

Com meu trabalho, gostaria de fazer a diferença para a sociedade. Só isso. Já falando em sociedade, este é o tema que norteia minha primeira exposição: Despercebidos. É um conjunto de fotografias registradas entre 2013 e 2016 que mostram pessoas, assim como você, eu e muitíssimas outras que circulam por aí.

Qual foi sua inspiração para fotografar?

As pessoas, minha inspiração, são apenas engrenagens, contudo essenciais, em um sistema complexo. Passam sem serem notadas e são essas pessoas que gosto de fotografar.

Tem algum fotógrafo que seja referência para você?

Sim. Sebastião Salgado é minha principal referência.

Há alguma técnica que você utiliza em suas fotografias?

Na exposição, as fotografias estarão monocromáticas, em preto e branco, extraindo estes indivíduos do mundo. Certa vez li uma entrevista de Sebastião Salgado, onde ele explicou sua opção por utilizar tal técnica. Queria eu ter a mesma capacidade para esta descrição.

“Nada no mundo é em branco e preto. Mas o fato de eu transformar toda essa gama de cores em gamas de cinza me permitiam fazer uma abstração total da cor e me concentrar no ponto de interesse que eu tenho na fotografia.”

— Sebastião Salgado

 Qual das fotos da exposição é a sua preferida?

 Infelizmente, não sei qual das fotografias é a minha preferida, mas duas delas acredito que não poderiam faltar que são: The clown had a bad day e The face of hope.

 Quais são os seus sonhos e objetivos profissionais?

Hoje, tenho minha empresa que atua na produção de conteúdo e gestão de redes sociais. O mestrado é só uma questão de tempo para acontecer, mas é meu foco. Quanto aos sonhos e objetivos, gostaria de rodar pelo mundo registrando tudo e todos que eu puder. Conhecer histórias e contá-las através da fotografia seria meu objetivo maior. Fazer com que outras pessoas que não têm contato com as verdades registradas naquele momento possam ter acesso ao conhecimento.

Qual a importância dessa exposição para você?

Despercebidos está sendo pra mim como esperar o nascimento de um filho. É o orgulho e a responsabilidade. A felicidade e o estresse. É um conjunto de sentimentos agrupados, mas que, ao menos, me deixam alegre e confiante. É a primeira vez que exponho minhas fotografias e meu intuito é provocar uma reflexão sobre nós mesmos, mas a ideia das pessoas só acharem as imagens bonitas ou feias já me agrada. De alguma forma eu contribuí para o desenvolvimento de um senso estético. E o lugar não poderia ser melhor, no EMLsT. Como não ter um carinho por este local que presta um serviço social tão essencial para a população? E eu pude fazer parte disso por um período de minha vida, me completou de alguma forma.

Como você ingressou no jornalismo?

Bem, se formos falar de empregos, eu poderia ficar muito tempo escrevendo porque já trabalhei com muitas coisas. Muitas coisas mesmo. Talvez isso tenha contribuído para a formação de um olhar mais crítico quanto ao que vejo. Sempre me achei um “cara criativo” e o curso de Publicidade e Propaganda foi minha primeira opção para ingressar na universidade, isto aos 28 anos, mas por questões burocráticas tive que esperar mais um semestre, até que entrei para o Jornalismo. Desde minha adolescência, gostei de ter a câmera em mãos para poder registrar tudo o que me parecia interessante, mas na graduação tive o contato com as técnicas e equipamentos profissionais, o que mudou, acredito que para melhor, minha forma de pensar. Nesse período da graduação, estagiei em veículos de comunicação e em outros até fui efetivado, mas a melhor experiência levo da Trensurb.

Qual a sua relação com a Trensurb e o EMLsT?

Foram dois anos (de 2014 a 2016) de estágio na Gerência de Comunicação Integrada, com os melhores profissionais e estagiários que pude conhecer, uma bagagem que não tenho como descrever, somente agradecer. No último ano de estágio, parti para um novo desafio: criar ações estratégicas de comunicação para aumentar o número de associados do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos. Utilizando as redes sociais como principal ferramenta, desenvolvi um plano de comunicação baseado nas informações analisadas e embasadas em diversos autores que li durante o curso superior. Os resultados alcançados foram tão positivos que o case foi o objeto de estudo de meu trabalho de conclusão de curso. O trabalho foi reconhecido como uma excelente contribuição acadêmica e fui indicado para apresentá-lo no Intercom Sul (Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sul). A pesquisa me proporcionou ministrar palestras em um projeto social, em eventos da própria Ulbra, além de já ter sido convidado a apresentar em sala de aula (a maior responsabilidade, mas também a experiência mais gratificante).

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