Entrevista: a fotografia de Leonardo Savaris e a arte que transpõe barreiras

Foto: Leonardo Savaris visitou a Galeria Mario Quintana junto do vice-presidente da Associação dos Senegaleses em Porto Alegre, Omar Diongue

Até 31 de maio, a Galeria Mario Quintana, localizada na Estação Mercado, recebe a exposição fotográfica Magal de Touba, do fotógrafo Leonardo Savaris. Promovida em uma parceria entre a Trensurb e o Sesc Centro (de Porto Alegre), a mostra traz imagens do festival senegalês Magal de Touba, comemorado em diversas partes do mundo, inclusive na capital gaúcha. Ela busca apresentar um lado diferente da África, desmistificando pontos de vista e retratando o lado humano e social dos imigrantes.

Leonardo Savaris é natural de Caxias do Sul e, atualmente, reside em Novo Hamburgo. Começou sua relação com a fotografia em 2011 e, no ano seguinte, ingressou na faculdade de fotografia da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), graduando-se em 2017. Uma das principais características de seu trabalho envolve a captura de momentos espontâneos, além da fotografia urbana. “Eu sempre gostei da fotografia urbana. Essa fotografia que tu consegues colocar momentos em um quadro. Uma coisa mais espontânea”, diz o fotógrafo.

Quer saber mais sobre Leonardo e o seu trabalho? Confira a seguir a entrevista que fizemos com ele.

Do que trata a exposição Magal de Touba?

É sobre uma festa típica deles. Nesse dia, eles acordam muito cedo e um pessoal está preparando a alimentação na Igreja Pompéia, onde eles se reúnem. E isso é o legal, tu podes comer comidas diferentes, que eles estão ali disponibilizando, fazem distribuição nas ruas para as pessoas, e o custo é todo de doações deles próprios. Isso é interessantíssimo, para todo mundo. A forma como eles estão vindo para cá e se colocando diante da gente, deveria ser ao contrário. E é essa questão do coletivo, do ser humano.

Qual a tua relação com a Trensurb? O que tu pensas de expor em uma estação de metrô?

Eu pego trem. Na verdade, eu só ando de trem. E essa questão do trem não ter muros, ser tudo aberto, para quem quiser ver é sensacional. Então, a exposição estar ali, no fluxo de vai e vem, não tem barreiras. Chega de barreiras nesse mundo, estamos construindo muros demais. Achei bem significativo, poder exercer o direito de ir e vir e a mostra estar ali. O mundo está sendo controlado por meia dúzia de pessoas e nós precisamos mudar isso. Ótima oportunidade para nos reeducarmos sobre os imigrantes vindo para cá. Outras culturas, outros povos, o ser humano, na palavra certa. Não criar barreiras.

Como tu vês essa relação da arte com a educação, poder compartilhar conhecimento com outras pessoas?

Eu acho incrível, têm um poder gigante. Ninguém consegue calar a arte. O nosso país está passando por muitas dificuldades, mas é bacana ver a arte se manifestando com relação a algumas questões, porque a arte se sobressai. Ela de alguma forma cativa com seu discurso. Ela tem poder de curar. De repente, um jovem passa pela exposição e se pergunta: “Nossa, quem é que fez? Que interessante”. Mas temos que estar abertos para a arte.

Como foi teu ingresso na fotografia?

Foi bem louco. A minha trajetória na fotografia é um pouco diferente. Eu morava em Caxias [do Sul] e trabalhei muitos anos na Marcopolo, uma grande empresa. E, na verdade, foi uma mudança porque a minha mulher passou em um concurso da Caixa Econômica Federal em Novo Hamburgo e nós viemos para cá. Quando eu cheguei aqui, até consegui entrar numa empresa, mas era menor então eu não consegui me adaptar assim de cara. Então minha mulher me disse: “Por que tu não fazes algo que tu realmente gostas?” E eu sempre gostei de foto mas nunca fui muito a fundo.  E ali eu vi uma oportunidade. Fiz o vestibular e entrei na Unisinos, mas comecei no jornalismo. Do jornalismo, uma professora de fotojornalismo passou a ser coordenadora do núcleo de foto. A foto estava recém abrindo na Unisinos, e ela insistiu para eu ir para [o curso de] fotografia. A partir daí, eu falei com um dos homens mais geniais, o Eduardo Vernes, um crítico de arte que me aconselhou a seguir meu sonho e ir para fotografia. Comecei a produzir e fazer meus trabalhos e meio que a coisa fluiu.

E quais foram as tuas referências para começar?

Eu tenho várias pessoas. Tadeu Vilani foi um dos caras que eu olhei o trabalho dele e fiquei encantado. Marcelo Buainain, que é de fora do Rio Grande do Sul. André Feltes, que tem um trabalho sensacional. Além de nomes como Luiz Carlos Felizardo e Tiago Coelho, que são referências importantes para mim no que diz respeito ao meu aprendizado como fotógrafo.

Acesse o site de Leonardo Savaris e conheça mais do trabalho do fotógrafo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *