Descobrindo o universo dos ferro-fãs

Todos temos hobbies, atividades específicas para os momentos de lazer. Séries inteiras que assistimos em pouco tempo, autores que conhecemos bem, times para os quais fazemos questão de torcer… Mas você sabia que existem pessoas realmente apaixonadas por sistemas ferroviários e metroviários? Na série de posts “O Universo dos Ferro-Fãs” você descobrirá várias particularidades sobre aqueles que gostam muito de trens e ferrovias. Vem com a gente!

Construindo um futuro sobre trilhos

No pátio da Trensurb, no Setor de Responsabilidade Socioambiental (Seram), pode-se ouvir o som de um trem Metropolis, da Alstom. É um dos veículos da série 9000 da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). O áudio emana das caixas de som do computador utilizado por Djessi Carvalho, estagiário do setor desde fevereiro deste ano. Ele assiste a um vídeo do trem partindo de uma estação da capital paulista. Gabriel, colega de trabalho de Djessi, com um sorriso, dispara: “esse daí gosta muito de trem”.

“Já viu gente que é louca por trem? Aquele tipo de cara que, quando vê um, para tudo o que está fazendo para tirar foto? Eu sou tipo esse cara”, justifica. Pelas conversas com seus colegas de empresa, evidencia um conhecimento avançado sobre sistemas ferroviários para um jovem de 16 anos. Assistindo atentamente ao vídeo, expressando visível admiração, Djessi compara trens da CPTM (SP), SuperVia (RJ) e Trensurb – e sabe exatamente a que séries correspondem: 9000, 4000 e 200, respectivamente. “O Metropolis da Trensurb é o mais original de todos. Suas extremidades têm cores diferentes”, analisa.

Morador do município de Esteio, Região Metropolitana de Porto Alegre, Djessi é um autodeclarado ferro-fã – termo utilizado para designar indivíduos fascinados pelo universo ferroviário. Contudo, o peculiar interesse por tudo o que se relaciona a trens, segundo ele, não surgiu por acaso. “A história começa antes mesmo de eu nascer”, explica. Tudo teve início quando Teilor, o irmão de Djessi, foi levado pela avó à Trensurb com o intuito de conhecer a empresa. Em 1998, ele andou na cabine de um dos trens, conheceu o Centro de Controle Operacional e o Setor de Manutenção Leve. A visita rendeu um vídeo, “feito com aquelas câmeras que eram grandes e pesadas na época”, descreve Djessi.

Anos depois da icônica visita, o ferro-fã mirim começou a assistir às filmagens com profunda admiração. “E eu pensava: nossa, que legal, cara!”, recorda, destacando que esse foi um simples ato, mas responsável por despertar nele uma nova paixão. “Depois que assisti àquilo, queria andar de trem para ver se teria a mesma sensação que meu irmão”. Desde então, a vida de Djessi passou a ter uma profunda conexão com o mundo dos trilhos de ferro e trens. Com a primeira visita do pequeno à empresa – sempre em busca da mesma sensação de fascínio que teve seu irmão –, teve a oportunidade de conhecer melhor a Trensurb e diversos aspectos do sistema metroviário. “Não cheguei a andar na cabine, mas comecei a gostar ainda mais”, lembra. A partir daí, as visitas se tornaram mais frequentes. Atendendo aos apelos do filho, de oito anos na época, a mãe, Vera Lúcia, levou-o à Estação Farrapos para um evento em comemoração aos 22 anos de operação da Trensurb. À época, no ano de 2007, o interesse de Djessi já era notório, tanto que chamou a atenção da equipe de comunicação e ele foi um dos entrevistados para uma matéria publicada no site da empresa. “O que eu mais gosto é brincar de trenzinho, tenho uma coleção em casa, e quando crescer quero trabalhar no trem”, declarou, sem imaginar que o sonho se concretizaria oito anos depois.

Sua paixão ferroviária já o levou a vários lugares. Em 2012, visitou São Paulo junto de sua avó. “Ela me acompanha nas viagens. Ela diz: Djessi, eu pago as passagens de trem e a gente vai. Andamos em toda as as linhas de trem e metrô, foi muito legal”, conta. No mesmo ano, visitou a Alemanha, onde teve a oportunidade de conhecer os trens regionais e o trem bala. “A sensação é boa, mas, ao mesmo tempo, é meio entediante, porque não se sente nada. O trem está a 300 quilômetros por hora e parece que está parado”, opina.

Trilhando novas conquistas

A internet foi uma espécie de ponte para que Djessi conseguisse o estágio que hoje desempenha. Determinado, descobriu um grupo da Trensurb no Facebook. Ele resolveu ser um integrante para obter contatos e informações no intuito de candidatar-se a uma vaga de estágio. Dessa forma, conheceu alguns empregados da empresa que, até hoje, continuam próximos do estagiário. “Agora que consegui, estou realizando meu sonho”, diz.

Para um futuro nem tão distante assim, as perspectivas de Djessi são animadoras. Ele pretende cursar engenharia ferroviária em São Paulo e dedicar-se ao ramo com o intuito de alcançar seu próximo sonho: ser um operador de trens. E, para qualquer um que se dedique a observar a história do jovem, não há dúvidas de que sua paixão o levará ainda mais longe.

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