Casa dos Gatos: solidariedade e cuidados com os animais

Desde pequena, Suéllen Dutra foi louca por animais. Certo dia, no carro com seu avô, Celmar Trindade, ela avistou um filhote de gato na pista. Após seu avô parar o carro para evitar um acidente com o animal, a jovem desceu e levou-o até a calçada. Com um olhar apaixonado para a gatinha, Suéllen logo deixou seu coração falar. “No começo, ela miou e ficou brava, era um bebezinho. Pensei: ‘se eu colocar na calçada, ela vai morrer de qualquer jeito daqui a pouco’”, relata. Foi então que ela e seu avô – e “cúmplice” de resgates – decidiram levar a mascote para casa.

Suéllen mora na casa dos avós e, na época, foi necessário algum esforço no convencimento de sua avó para que concordasse com a adoção da gatinha – então batizada como Nikita. Com seus olhos lindos e jeito carinhoso, a gata conquistou o coração de todos na casa. Ao notar que Nikita ficava muito sozinha em casa, Suéllen resolveu adotar outra gata para lhe fazer companhia. Assim, deu um lar para a gatinha Maria. Celmar havia esvaziado a casa que alugava ao lado da sua. Com isso, Maria e Nikita ganharam uma casa só pra elas, muito mais espaçosa e com mais liberdade para suas travessuras.

A partir desse novo espaço dado a seus animais, Suéllen começou a trazer gatos de rua para casa, com o intuito de usar as redes sociais para encontrar pessoas dispostas a adotarem-nos. Foi assim que surgiu a Casa dos Gatos, que, logo no início de suas atividades, em 2011, ampliou seu olhar para resgatar também cães abandonados.

A avó de Suéllen, Lara Trindade, permite que a neta continue com seu trabalho, porém implica bastante com o crescente número de animais na casa. Por isso, ao resgatar gatinhos abandonados, muitas vezes Suéllen, ao chegar em casa, esconde os animais dentro da bolsa para que a matriarca não descubra sua boa ação. O avô costumava ajudar a esconder os animais, agindo como seu cúmplice nos resgates, sempre carinhoso e atencioso com os bichinhos. Porém ele faleceu em 2016.

Em sua maratona matinal, Suéllen acorda às 5h30 para limpar o espaço, dar água e comida aos pets antes de sair para trabalhar. Na volta do trabalho, busca a filha na escolinha e retorna ao lar para retomar os cuidados com os cães e gatos da casa. Ela conta que separa os cães mais velhos dos demais para que os mais novos não venham a machucá-los. Sua filha Rebeca, de 3 anos, vive em meio aos animais desde bebê. “Ela adora! A primeira coisa que o médico falou quando eu estava grávida foi que eu não podia chegar perto dos gatos, falou pra eu me desfazer, mas como eu ia me desfazer?!”, diz Suellen. Ela conta que, após o nascimento da filha, a primeira coisa que fez foi apresentá-la aos bichinhos. A garotinha corre em meio aos pets e, prontamente, coloca-se como ajudante na hora de alimentá-los.

Parceria com a Trensurb

Desde 2016, a Casa dos Gatos tem uma parceria com a Trensurb por meio do projeto Adote um vira-lata RS. Desde então, os anúncios de animais disponíveis para adoção são feitos por meio das páginas da empresa metroviária nas redes sociais. Já no primeiro ano de parceria com a empresa, Suéllen conseguiu achar lares para cerca de sessenta gatos. “A visibilidade para o anúncio é bem maior, as pessoas procuram mais”, declara.

Além da ação conjunta com a Trensurb, a Casa dos Gatos tem uma parceria com uma clínica veterinária que não cobra consulta e dá desconto em determinadas ações, como cirurgias e vacinas. Além disso, os animais possuem padrinhos que ajudam na compra de rações e mantimentos.

Adoções e acompanhamento

Quando um animal adulto é adotado, ele chega à nova família já castrado e com a vacinação em dia. No entanto, quando é filhote, devido a questões de segurança e ao tempo correto para vacinas e castração, os procedimentos necessários ficam sob responsabilidade dos adotantes. Após a adoção, Suéllen continua acompanhando a rotina do animal junto à família: “Eu dou termo, eles assinam e fico acompanhando toda semana. Normalmente, eu não preciso ficar chamando, os adotantes mesmos mandam fotos toda semana, enviam vídeos e vão dando notícias”.

Certa vez, Suéllen encontrou um novo lar para uma gata e, depois, tentou diversas vezes entrar em contato com a adotante, porém sem sucesso. Ela decidiu então ir até a casa da pessoa e encontrou o animal magro e com muita queda de pelos. Suéllen não pensou duas vezes: pegou a gatinha no colo e resgatou-a de sua adoção mal sucedida.

Sempre cuidadosa e com um amor sem medidas pelos animais, Suéllen continua a se preocupar com os bichinhos adotados, mesmo depois de deixarem a Casa dos Gatos e chegarem aos braços de seus novos tutores. Ela segue com seu trabalho em parceria com o Adote um vira-lata e, atualmente, tem oito cães e dez gatos para adoção.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *