Antologia Digital da Poesia Gaúcha: Lilian Rocha

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar mais cultura ao cotidiano da comunidade. Nesta semana, o projeto lança vídeos apresentando três poemas de Lilian Rocha, declamados pela própria autora. São eles: A Poeta, Garganta e Tranças II. Clique aqui e acesse a playlist com os vídeos da Antologia no YouTube.

Nessa primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Natural de Porto Alegre, Lilian Rose Marques da Rocha, além de escritora, é farmacêutica e analista clínica (UFRGS), especialista em Homeopatia (ABH), musicista (Liceu Palestrina) e facilitadora didata de Biodanza (IBF), com formação em Educação Biocêntrica (CDH/UB). É autora dos livros A Vida Pulsa – Poesias e Reflexões (Editora Alternativa, 2013), Negra Soul (Editora Alternativa, 2016) e Menina de Tranças (Editora Taverna, 2018). É coautora do livro Leli da Silva – Memórias: Importância da História Oral (Alternativa, 2018) e coorganizadora da antologia Sopapo Poético – Pretessência (Editora Libretos, 2016). É também membro da coordenação do Sarau Sopapo Poético, acadêmica da Academia de Letras do Brasil- Seccional RS, diretora de Organizações Sociais da ALB-RS, conselheira da Associação Negra de Cultura (ANdC), membro da Sociedade Partenon Literário e da International Writers and Artists Association (IWA), Acadêmica da Academia Internacional União Cultural, membro da Comissão Sobre a Verdade da Escravidão do Rio Grande do Sul – OAB-RS, membro do Mulherio das Letras, do Coletivo Poemas à Flor da Pele e do Coletivo Arte Negra, acadêmica da Academia Internacional de Literatura Brasileira, membro do Catálogo Intelectuais Negras Visíveis (UFRJ) e do Portal LiterAfro (UFMG), membro da Associação de Jornalistas do Brasil – Coordenadoria do Rio Grande do Sul e acadêmica da Confraria Internacional de Literatura e Artes. Participa de inúmeras antologias poéticas brasileiras e portuguesas. Seus poemas são publicados em vários sites, blogs, revistas e redes sociais. Confira a seguir a entrevista que fizemos com ela a respeito da participação no projeto, sua trajetória na literatura, processo criativo e temas abordados.

Como avalias o projeto da Antologia Digital da Poesia Gaúcha? O que pensas de fazer parte dele?

Lilian Rocha – A minha avaliação do projeto não poderia ser diferente, é que o mesmo possibilita a divulgação da poesia gaúcha para um número enorme de pessoas, que talvez não tenham tido outra oportunidade de conhecer esse gênero literário de forma tradicional, que é o livro impresso. Fico feliz de fazer parte dessa edição, pois é uma maneira de tornar a minha poesia mais conhecida no Rio Grande do Sul.

Desde quando tu escreves? Como foi tua trajetória na literatura?

Lilian Rocha – Comecei a escrever pequenos contos e crônicas logo depois que eu me alfabetizei. Eu era uma apaixonada por Agatha Christie. No ensino médio, na disciplina de literatura, comecei a escrever poemas e não parei mais. No final dos anos 90, participei de um curso de extensão na Unisinos, em conjunto com o CECUNE (Centro Ecumênico de Cultura Negra) que se chamava Universidade Livre. E o curso era de extensão, se chamava Curso de Africanidades, havia a disciplina Literatura Negra, foi lá que eu tomei contato com escritores como: Oliveira Silveira, Cuti, Elisa Lucinda, Conceição Evaristo e muitos outros. Me apaixonei mais sobre a temática, principalmente com relação à poesia negro-brasileira. Sou formada em Farmácia, com ênfase em Análises Clínicas, mas a literatura sempre foi muito importante para mim. Então, em 2013, publiquei o meu primeiro livro, A vida Pulsa – Poesias e Reflexões, junto com um olhar mais focado na literatura a partir de 2012, porque eu comecei a participar de vários saraus aqui em Porto Alegre, publicava muito nas redes sociais, realizei e facilitava cursos com enfoque na música e na poesia. Então, a partir daí, o foco foi muito grande. Já são três livros autorais e mais de 40 antologias poéticas, tanto brasileiras quanto portuguesas.

O que motivou a escolha do poema A Poeta para a Antologia, o que ele significa para ti?

Lilian Rocha – A Poeta é um poema muito significativo pra mim, pois a primeira versão era “O Poeta” e daí eu me dei conta que era necessário mudar o gênero do sujeito, pois eu estava falando de mim e o quanto muitas vezes a mulher é invisibilizada na literatura. Então eu fiz uma modificação e coloquei A Poeta para destacar bem que existem mulheres na literatura.

E quanto a Garganta?

Lilian Rocha – Garganta é um poema que está no meu livro Menina de Tranças, no capítulo Menina Mulher, que trata do silenciamento de muitas de nós mulheres, que sofremos e que somente no coletivo podemos ultrapassá-los. Garganta traz essa temática.

E “Tranças II”?

Lilian Rocha – Tranças II está também no meu livro Menina de Tranças. Ele praticamente finaliza o livro, trazendo a importância da ancestralidade através das mulheres negras, com histórias que se trançam no afeto, na resistência e na resiliência.

Como é teu processo criativo?

Lilian Rocha – Sempre fui muito observadora do ordinário. Do ordinário do cotidiano que eu extraio o extraordinário. Um fato, uma cena, uma palavra dão início a um fio da criatividade. A partir daí, é a inspiração que toma conta, que vai agindo. A partir de uma palavra escrita no meu bloco de anotações, vão se desenhando versos e prosas.

Quais temas tu mais gostas de abordar em teus escritos?

Lilian Rocha – Como eu falei antes, eu sou uma observadora do cotidiano. Desde pequena eu ficava observando as estrelas quando chovia e eu ia pra rua sentir o cheiro de molhado da terra, as plantas, ficava observando as pessoas, o que elas falavam, como elas se sentiam. Então, a partir das minhas experiências em relação ao meio em que vivo, são os temas que mais aparecem – sendo que as temáticas são o protagonismo negro, o feminismo, questões sociais e políticas, sem deixar, é claro, o lirismo do cotidiano.

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