Antologia Digital da Poesia Gaúcha: Liana Timm

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar mais cultura ao cotidiano da comunidade. Nesta semana, o projeto lança um vídeo apresentando o poema Tempo, de Liana Timm, declamado pela própria autora. Clique aqui para conferir. Ou acesse a playlist com todos os vídeos da Antologia.

Nessa primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Artista multimídia, arquiteta, poeta e designer, Liana é natural de Serafina Corrêa e tem 41 livros publicados, 69 exposições individuais, 112 coletivas e 15 prêmios recebidos. Dirige a Território das Artes Editora, especializada em artes visuais, literatura e ciências humanas. Confira a seguir a entrevista que fizemos com ela a respeito da participação no projeto, sua obra, inspirações e sua trajetória na literatura.

Como avalias o projeto da Antologia Digital da Poesia Gaúcha?

Liana – Todo projeto que dá visibilidade à cultura e às artes é bem-vindo. Principalmente nestes tempos em que desvalorizar as expressões artísticas tornou-se moda. Este projeto, colocando a poesia no cotidiano de todos nós, desempenha papel importante, pois leva a públicos diversos um pouco da produção gaúcha contemporânea.

O que pensas de fazer parte do projeto?

Liana – Sempre que tenho oportunidade de levar a poesia a outras pessoas, isso me agrada. E a Antologia Digital da Poesia Gaúcha, da Trensurb, tem toda a minha simpatia, principalmente por se tratar de um projeto implantado dentro deste transporte de vital importância para diferentes pessoas. Uns o utilizam para trabalhar, outros para estudar e mais outros simplesmente para se deslocar. Durante o trajeto fica interessante oferecer aos usuários algo que eles possam se interessar, tornando o tempo, entre um destino e outro, mais agradável e ameno. A Antologia, sendo um projeto do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos, fará repercutir ainda mais a literatura e o livro entre as pessoas que se utilizam diariamente do metrô, pois o alcance é fantástico. Através das TVs nos trens e estações, e nas plataformas digitais da empresa, a Trensurb atinge 200 mil pessoas e isso quer dizer que, potencialmente, a vida estará inundada de poesia.

Como se deu a tua trajetória na literatura?

Liana – Ano que vem farei 35 anos de poesia. São 18 livros individuais publicados sem contar mais de 38 em coautoria ou participações em antologias. Escrevo desde adolescente, mas quando entendi ser essa uma das minhas preferências na vida, resolvi penetrar fundo no mundo da poesia e busquei orientação com um grande poeta, Armindo Trevisan, e com a crítica de literatura Tania Carvalhal. A partir daí, foram dez anos de estudos e leituras até publicar o meu primeiro livro. Agora, estou organizando toda essa produção para, em 2021, lançar minha poesia reunida como registro desse trabalho já realizado.

O que motivou a escolha do poema para o vídeo?

Liana – A gravação do poema coincidiu com o lançamento do meu 18º livro intitulado O Íntimo das Horas acontecido através da 1ª Maratona Digital Literária da Território das Artes Editora. Eu estava produzindo os vídeos que seriam postados no Facebook e Instagram, das 8h às 24h, com a leitura dos poemas do livro, e achei que este seria significativo para a Trensurb. Ele fala sobre o tempo de todos nós. De como enfrentamos o tempo no dia a dia e como o tempo nos conscientiza sobre a solidão humana. É um poema que chama à reflexão.

Quais são tuas inspirações para a escrita e quais escritores tens como influência?

Liana – A inspiração é chamada quando há trabalho. Não tenho ondas de inspiração. Me sinto, sim, tomada pelo desejo de escrever. Aí sento em frente ao computador e começo despretensiosamente escrevendo algo. A partir daí se desencadeiam as temáticas, e elas vêm de um lugar desconhecido. Dou passagem a estas pulsões e os poemas vão se formando com as bagagens que se acumularam durante toda a minha vida. Normalmente o que pensamos é que o autor se inspira neste ou naquele poeta. Sim, é verdade, poderia aqui arrolar uns cem nomes de poetas maravilhosos que me ajudaram a aperfeiçoar a linguagem (Lispector, Cecília, Pessoa, Bandeira, Hilst, César, Cícero, Stein, Artaud, enfim, os clássicos) mas me dei conta que as maiores influências estão fora deste universo. Estão na música, no cinema, nas artes visuais, no teatro, na filosofia, na história, enfim, na própria vida.

Como é teu processo criativo?

Liana – Escrevo. Deixo de lado. Volto a ler e acontece a artesania do texto. Entre escrever e dar por terminado o texto tem muitas variantes. Alguns textos nascem quase prontos, outros precisam de mais tempo para serem finalizados. Mas, para mim, não existe poesia sem trabalho e algo que pratico sempre é a leitura oral dos poemas. Poesia precisa de ritmo, tonalidade, e fundamentalmente conteúdo. É preciso dosar tudo isto para que o efeito da sonoridade não capture o ouvinte e este se deixe embalar pela melodia em detrimento do sentido das palavras.

Quais temas são abordados em tuas obras? Pensa em escrever mais livros futuramente?

Liana – Não me prendo a temas. Acho que para encontrar os temas da minha poesia devo buscar uma análise crítica da produção. Isso acontecerá na publicação da minha produção dos 35 anos. Aí também ficarei sabendo das abordagens poéticas. Mas se tiver que escolher um, o TEMPO, para mim, é o meu grande tema. Se penso em escrever mais livros? Tenho um texto que responde essa pergunta final. Ele diz assim: Muito do que escrevo sinto mais do que compreendo e, nisso, me encontro afetada por um desejo de vida. Subverto a ordem dos dias, desde o momento em que ouvi alguém questionar a lógica do inquestionável. Sou e serei como sangue, circulando e alimentando a imaginação, enquanto a vida, esse milagre incompreensível, achar que em mim vale a pena pulsar.

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