A convivência na diferença

Convivência – palavra essencial para um sistema de transporte por onde passam quase 200 mil usuários por dia. Em meio a toda essa gente, existem pessoas dos mais variados tipos, de todas as caras, cores, gostos e jeitos. Diferença requer tolerância e respeito, que se consegue através da empatia gerada, adivinhe só, pela convivência. “Não é só importante para eles saírem. É importante para outras pessoas conviverem com eles. Entenderem que têm medos, que às vezes podem gritar. Os dois lados ganham e aprendem”, afirma a educadora social Teresinha Oliveira, referindo-se a seus alunos da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) de Sapucaia do Sul. Dentre os variados tipos de pessoas, existem aquelas que se enquadram nos objetivos da organização social. A APAE caracteriza-se por promover a atenção integral à pessoa com deficiência intelectual e múltipla. A associação presta serviços de educação, desenvolvimento social e atendimento clínico.

Já é praxe que a APAE realize alguma atividade alusiva ao Dia das Crianças, 12 de outubro. Como já havia acontecido em outros anos, a associação planejou levar os alunos ao shopping de Novo Hamburgo. Mas, desta vez, eles queriam algo diferente: queriam andar de trem. “Tem uns aqui que nunca tinham andado de trem, eles estavam bem ansiosos. Alguns estavam até com medo e eles estão superando este medo”, disse Teresinha. A Coordenadora Pedagógica da APAE, Bruna Niz da Silva, afirma que “o objetivo principal é eles saírem, estarem na rua, fazerem o que nós fazemos. Pra eles, são muito importantes essas saídas. Eles se sentem vistos e valorizados”. Essa foi a primeira vez que Lidriane de Moraes, de 15 anos, acompanhou sua irmã, Patrine, em uma saída de campo. A jovem afirmou estar gostando de fazer o acompanhamento e o sorriso de Patrine não deixou dúvidas de que compartilhava do sentimento da irmã. Aliás, sorrisos não faltaram na viagem do trem até Novo Hamburgo. Alguns tímidos, outros mais extravagantes. Sorrisos diferentes entre si, pois, como afirmou um pai que preferiu não se identificar, “nenhuma pessoa é igual, e todos nós temos nossas diferenças”.

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