Inauguração da Linha 1

30 anos de histórias sobre os trilhos

Em 2015, no dia 2 de março, a Linha 1 da Trensurb completou a marca de 30 anos de inauguração. A ideia de uma empresa de transporte metroviário na região havia surgido muito tempo antes, em 1976, quando estudos desenvolvidos pelo Grupo Executivo de Integração de Políticas de Transportes da Empresa Brasileira de Planejamento de Transporte (GEIPOT) justificaram o projeto como uma alternativa para reduzir o fluxo de veículos na BR-116, que, naquela época, já era grande. A Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A. nasceu, então, em abril de 1980. Os trens iniciaram a operação comercial, porém, no dia 4 de março de 1985 – dois dias após a cerimônia de inauguração.

O papel fundamental da Trensurb é conectar Porto Alegre, Canoas, Esteio, Sapucaia, São Leopoldo e Novo Hamburgo. Também ligados à empresa estão empregados que viram seu desenvolvimento e crescimento durante essas décadas de atendimento a população. Pessoas com vidas que se misturam com a história da empresa e podem contar um pouco dos acontecimentos dessas três décadas.

Para Valdinei Nascimento, ingressar na Trensurb era uma forma de estar em uma empresa com muitas inovações

Para Valdinei Nascimento, ingressar na Trensurb era uma forma de estar em uma empresa com muitas inovações

Em 1984, grandes navios chegaram a Porto Alegre, trazendo uma valiosa encomenda do oriente. Os 25 trens elétricos, comprados do Japão, desembarcaram na capital gaúcha e causaram grande curiosidade na população. Alguns dos funcionários que começaram a trabalhar na Trensurb chegaram à empresa justamente por essa curiosidade de estar em algo tão diferente para a época. Uma dessas pessoas é Valdinei Nascimento, na empresa há 31 anos. Anteriormente, ele trabalhava como estagiário de engenharia no Ministério de Educação e, por indicação, resolveu iniciar na Trensurb. “Falaram-me que era uma oportunidade de entrar em uma empresa que traria muitas inovações”, comenta.

No primeiro momento da operação comercial, os trens iam de Porto Alegre até Sapucaia do Sul, passando por Canoas e Esteio. Quando as estações foram abertas ao público, “muitas pessoas nunca tinham visto ou ouvido falar em trens, portanto aquilo causava certo medo nas pessoas”, declara Francisco Schreinert, na Trensurb também há 31 anos. Francisco entrou na empresa para participar de uma equipe que tratava das negociações para integrar as linhas de ônibus e o metrô. Esse serviço se iniciou na Estação Mathias Velho, de Canoas.

Quando os trens entraram em funcionamento, a curiosidade foi tamanha que algumas pessoas vinham das cidades do interior para a capital apenas para andar no novo veículo. Quem relembra é Eliani Pereira, que tem 31 anos de serviços prestados à Trensurb. Para ela, a Trensurb teve um papel fundamental. “Uma de minhas duas filhas nasceu com necessidades especiais. Ela passou, ao longo dos anos, por várias cirurgias e graças a Deus e ao plano de saúde que a empresa proporciona, que sempre foi muito bom, ela teve todos os recursos necessário para hoje ter uma vida saudável”, afirma.

Assim como a família de Eliani aumentou ao longo dos anos, a Trensurb expandiu seu alcance, e São Leopoldo viu o trem chegar em 1997, com a inauguração da Estação Unisinos. Três anos depois, a Estação São Leopoldo foi aberta ao público. Doze anos depois, a Trensurb chegou a Novo Hamburgo e, em 2014, foi concluída a expansão até o Centro do município, completando o projeto original da Linha 1.

Clésia

Clésia Vieira diz que ver os trens circulando nos primeiros testes era quase como assistir um filme

As ampliações da linha no decorrer desses 30 anos foram, na visão de Clésia Vieira – há 31 anos na Trensurb –, “uma injeção de ânimo para todos os funcionários e ver tantos projetos sendo concluídos foi empolgante; e, também, pensar que fizemos parte destes processos, cada um a sua maneira, renova a sensação de pertencimento, tão importante para qualquer funcionário”, diz. Clésia conta que, quando iniciou na Trensurb, a sede ficava ao lado da Estação Rodoviária, junto aos escritórios da Rede Ferroviária Federal. Naquela época, assim como agora, a empresa atraía profissionais devido à inovação que trouxe para a região. Então, cada etapa dos processos iniciais da empresa, desde a chegada dos trens, à colocação dos trilhos ou à abertura das estações “era um evento”. Clésia lembra que até os testes dos trens eram momentos incríveis de serem acompanhados. “Corríamos todos para a janela do prédio para ver as composições passando. Era como um filme”, comenta.

Enquanto os passageiros usam os trens para irem de uma cidade à outra, a Trensurb já levou seus empregados para lugares mais distantes. Muitos metroviários viajaram a trabalho para outros estados do Brasil. Paulo Vieira, há 31 anos na empresa, trabalhava como gestor de um contrato com o SENAI e isso fazia com que ele precisasse representar a Trensurb em diversas regiões. “Fomos para Brasília, Aracaju, Curitiba, Salvador”, lembra. Talvez conhecer diversos estados seja o sonho de muita gente, porém o de Paulo era outro: “Meu sonho sempre foi trabalhar em alguma empresa pública, então, quando consegui entrar na Trensurb, foi ter meu sonho realizado”.

Quando os novos empregados ingressavam na empresa, muitos não sabiam como trabalhar com o sistema metroviário. Portanto foram necessários vários treinamentos para cada um aprender o necessário. O jeito de ter essas aulas era indo a locais do país onde o metrô já estava implementado. Então os funcionários que chegaram foram enviados ao Rio de Janeiro, onde conheceram pela primeira vez um trem. Depois, foram a São Paulo para aprender a trabalhar com um sistema metroviário.

Assoprando as velinhas

No mês de março, a Trensurb promove uma série de eventos em comemoração aos 30 anos de operação. Hoje (4), foi a vez de um ato comemorativo na Estação Mercado, em Porto Alegre, com direito a inauguração da exposição fotográfica Trabalho da Noturna, de Carlos Latuff, na Galeria Mario Quintana. A mostra retrata o trabalho das equipes de manutenção noturna do metrô, cuja atuação é fundamental para garantir o funcionamento diário do sistema. Ao longo do mês, outras ações ocorrem em estações de Canoas, Esteio, Sapucaia do Sul, São Leopoldo e Novo Hamburgo.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *