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COLETÂNEA DOS ARTISTAS GAÚCHOS: CLARA PECHANSKY

15.03.2022

Confira a entrevista que fizemos com a artista participante da Coletânea sobre sua obra e a participação no projeto.

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos – a biblioteca do metrô –, a Trensurb está promovendo a Coletânea dos Artistas Gaúchos, novo projeto cultural que busca destacar a produção dos artistas visuais do estado, dando visibilidade ao seu trabalho para um público que não tem o hábito de frequentar os espaços tradicionais de exposição de arte. Os perfis nas redes sociais da Trensurb e do Espaço Multicultural divulgam, mensalmente, três obras de cada um dos 15 artistas participantes do projeto. As obras também estarão nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações), que apoia o projeto. A curadoria da Coletânea é do poeta e assessor da Trensurb, Élvio Vargas, da artista multimídia Liana Timm e da professora Dione Detanico.

Em fevereiro a Coletânea destaca três obras em acrílico sobre tela pintadas pela artista Clara Pechansky em 2018, intituladas Senhora da FlorestaSenhora da Harmonia e Senhora de Gramado. Bacharel em Pintura aos 19 anos, com Medalha de Ouro, pela Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), Clara começou sua carreira profissional em Porto Alegre, trabalhando para jornais e agências de publicidade. Produziu mais de 80 capas de livros e ilustrações para diversos fins. Licenciada em Desenho e História da Arte, e especializada em Educação Audiovisual pela UFRGS, fundou o Atelier Clara Pechansky em 2001, onde ministra aulas de Desenho e Pintura. Trabalha em diferentes técnicas, como desenho, gravura, litografia e pintura. Realizou 70 exposições individuais em galerias e museus do Brasil, Bélgica, Colômbia, Alemanha, Espanha, Holanda, Portugal, México e Estados Unidos. Selecionada e convidada para mais de 200 exposições coletivas, premiada e homenageada em muitos países, atua também como gestora social e cultural no Brasil e América Latina. Criou, em 2003, o Projeto Miniarte Internacional, que, depois de 40 edições, já percorreu cinco continentes. Em 2018, criou o Projeto Fiesta de Paz Brasil, agora em sua quinta edição.  Em 2021, iniciou o ciclo de exposições Duas Mulheres de Fino Traço, com Liana Timm, sua parceira em diversos outros projetos culturais.

Confira a seguir a entrevista que realizamos com ela a respeito da participação no projeto e sua obra.

Como vês o projeto Coletânea dos Artistas Gaúchos, organizado pela Trensurb?

Clara Pechansky - Acho que é uma iniciativa importante para divulgar arte de boa qualidade em um local não convencional. Agradeço à Liana Timm, ao Élvio Vargas e à Dione Detanico a indicação do meu nome, junto a artistas importantes do Rio Grande do Sul.

Até que ponto os layouts dos bancos das praças de Pelotas - momento seminal de tua trajetória - influenciaram o que viria depois?

Clara Pechansky - Os bancos de pedra das praças em Pelotas foram minha primeira experiência profissional, porque eu era paga para criar propaganda que era reproduzida nos encostos dos bancos. Foi também o meu primeiro contato com a publicidade.

Ilustrar suplementos de poesia, contos e histórias infantis para jornais provocou uma inquietação desafiadora nas cores vivas de tua obra?

Clara Pechansky - Eu sempre quis ser ilustradora. Fui muito influenciada na minha infância pelos livros ilustrados, sabia o nome e imitava as assinaturas dos ilustradores. A ilustração se constitui num desafio permanente, porque é necessário ler o livro, conhecer a poesia, ler o conto para ilustrá-los adequadamente. Na época em que comecei como ilustradora de jornais, eu não podia usar cores, porque os jornais eram impressos no máximo a duas cores, devido a limitações técnicas. A redução das cores te obriga a usar cinzas, preto e branco, o que é um excelente exercício para o artista.

O domínio do desenho é importante na tua arte ou ele foi reformatado e segue velado, sinalizando as cores e os volumes de tua pintura?

Clara Pechansky - O domínio do desenho é fundamental para qualquer técnica que o artista decida desenvolver, não importa se ele vai ser um figurativo ou um abstrato, um escultor ou um pintor, um gravador ou um aquarelista. Em todas as minhas obras sobre papel ou tela, ou em minhas gravuras em litografia, serigrafia e gravura em metal (calcografia), o desenho está sempre aparente, nunca apago as marcas dos desenhos. Ele nunca está velado, ao contrário.

As fotografias, para ti, representaram uma alfabetização visual?

Clara Pechansky - As fotografias, para mim, servem apenas para documentar minha obra ou para registrar momentos especiais. A alfabetização visual se dá para todas as pessoas através de imagens, não importa se são fotografias, pinturas, desenhos ou gravuras. Toda criança desenha e, se o adulto não podar sua criatividade, será através do desenho, da representação da forma, que ela vai se inserir no mundo e compreendê-lo.

Desde quando tu produzes arte? Como foi tua trajetória?

Clara Pechansky - Comecei a desenhar muito pequena, antes de aprender a ler, e meus familiares sempre incentivaram minha vocação. Tenho 66 anos de arte, uma trajetória bastante longa, mas que felizmente ainda me permite estar sempre aprendendo. Sou uma eterna curiosa em relação à arte e aos artistas.

O que motivou a escolha das artes para a Coletânea? O que elas representam para ti?

Clara Pechansky - Estou expondo três telas pintadas em acrílico nesta Coletânea, em formato horizontal, o que facilita a fruição da imagem. Busquei escolher imagens fáceis de serem compreendidas e que permitem que cada espectador crie sua própria narrativa. O viajante da Trensurb poderá “viajar” apreciando minhas pinturas, que são bastante coloridas, podem ser fotografadas e, nesse caso, o viajante vai carregar a imagem no seu celular. Não importa o tempo do percurso, as imagens podem sempre ser levadas para casa e, nesse caso, o viajante se apodera da minha obra e a utiliza como quiser.

Como é teu processo criativo?

Clara Pechansky - Trabalho com o risco inicial, seja em gravura, pintura ou desenho. Não uso borracha, não apago nada, deixo-me surpreender pela linha. Não faço esboço nem estudo prévio e trabalho sempre em várias telas, papeis ou chapas de cobre ao mesmo tempo, em geral aos pares. Quando fazia litografia, trabalhava sobre várias pedras. E, quando faço serigrafia, o processo é sempre assim, longo e lento: vou indicando as cores que irão se mesclar, formando novas tonalidades. O processo é, para mim, bem mais interessante e gratificante do que o produto final.

O que gostas de abordar em suas artes?

Clara Pechansky - Meus temas são bastante recorrentes, como por exemplo meus cinco personagens: o Mágico, o Quixote, o Candidato, o General e a Dama, que me acompanham desde a década de 1980 até hoje, sempre reprogramados e revisitados. Sou fascinada por alguns mestres da História da Arte e produzo releituras também constantes. Nas minhas obras, são visíveis os instrumentos musicais, mas basicamente eu sempre me interesso por pessoas e suas relações afetivas.

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