Uma viajante que aprendeu a dar valor ao seu tempo

Madalena Schwertner é natural de Cerro Largo, tem 65 anos e trabalha como operadora de trens no Setor de Tráfego (Setra) da Trensurb há 34 anos, sendo a empregada há mais tempo no setor. Na adolescência, Madalena e suas irmãs Maristela e Márcia mudaram-se para Porto Alegre para estudar. Em meio aos desafios na capital e à saudade de casa, as irmãs dividiam um apartamento com mais três amigas na época. Durante as férias da faculdade, voltavam para a casa da família para trabalhar no negócio do pai e cobrir as férias dos funcionários. Após se formar em administração de empresas e comércio exterior pela Unisinos, Madalena não quis voltar à cidade natal para trabalhar no comércio do pai. Resolveu prestar concursos públicos e, em pouco tempo, obteve sucesso ao ser chamada pela Trensurb.

Guiada pela sua paixão por conduzir o trem, em todos esses anos, a metroviária nunca mudou de função, permanecendo sempre no comando da cabine, garantindo a segurança e a informação dos passageiros. “Eu gosto do que faço, gosto de pilotar o trem. Desde que eu comecei aqui, descobri muitas coisas e uma das coisas que aprendi é valorizar o tempo”, afirma. Para ela, cinco, dez ou até um minuto podem se tornar quase uma vida. Entre manobras no pátio e operar o trem entre Mercado e Novo Hamburgo, Madalena prefere estar na via, conduzindo, comunicando e prestando auxílio aos usuários do serviço.

Mãe divorciada, Madalena gosta de ficar em casa na companhia do filho Mathias. Um de seus principais passatempos é a leitura. Um hobby semanal que mantém é jogar pôquer, mas apenas por diversão, sem apostar dinheiro. O jogo, aliás, já lhe rendeu alguns troféus em torneios realizados na capital.

Apaixonada por viajar, a operadora sonha em, num futuro próximo, conhecer aos poucos cada contorno do mundo. Junto das irmãs que a acompanharam desde a infância, Madalena planeja ir ao maior número possível de países, ficando durante um ano em cada um deles. Desde a juventude, quando começou a conhecer novos ares, ela tem tido experiências incríveis em suas viagens. Uma delas foi na terra do sol nascente: “A coisa mais linda que eu já vi foram as cerejeiras no Japão, são árvores que não têm folhas, apenas flor”. Além da beleza, segundo Madalena, o país é totalmente diferente em seu modo de ser, um lugar totalmente à parte dos outros. Ao falar sobre seu maior sonho realizado, logo lhe vem a imagem de um passeio de canoa no Rio Solimões, no Amazonas. “Foi maravilhoso, tinha um monte de passarinhos levantando voo e aquele pôr do sol no meio”, afirma, garantindo que em nenhum outro lugar avistou um final de tarde tão lindo.

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