Trocam-se moedas

Carlos Emílio Romano tem 65 anos, é comerciante aposentado e tem um hobby incomum: realiza a troca de moedas entre comerciantes e empresas em Novo Hamburgo. O senhor Romano, como gosta de ser chamado, já realiza a atividade há cerca de dois anos e, entre os empregados da Trensurb, é conhecido como “o senhor das moedas”.

O interesse pelas moedas surgiu de uma curiosidade: “Eu tenho um motivo de atração por coisas diferentes e, como eu descobri que algumas moedas têm alguns erros, eu procuro isso”, explica. O senhor Romano não se considera um colecionador, apenas um curioso: “Eu digo que eu sou um curioso desse tipo de moedas, eu acumulo esse tipo de coisa. A cada mil moedas, quatro mil ou cinco mil, tem uma anormal, o normal é não ter. Às vezes acontece de eu olhar seis a sete mil moedas e não encontrar nenhuma diferença, então precisa de um trabalho de paciência”, relata Romano.

As moedas utilizadas pelo aposentado são recolhidas no comércio da região, ele faz trocas com os comerciantes. Os que precisam de moedas de menor valor, como 5 ou 10 centavos, recebem-nas de Romano em troca de moedas de maior valor e vice-versa. Ao ser questionado sobre o tipo de moeda que mais costuma recolher, senhor Romano responde que depende da época. Segundo ele, no metrô, com a tarifa antiga, as moedas que mais encontrava eram as de 50 e 25 centavos. Quando o valor da passagem do trem passou a R$ 3,30, as moedas mais comuns passaram a ser as de 5 e 10 centavos.

O ex-comerciante roda por diversos estabelecimentos rotineiramente em busca de moedas para trocar. “Eu forneço pra outros lugares, tenho de 25 a 30 lugares que eu recolho e distribuo, em Novo Hamburgo, um pouco em São Leopoldo e recolho alguma coisa na serra também”, conta.

A parceria com a Trensurb surgiu após Romano perceber a eventual carência de moedas nas bilheterias. De acordo com o aposentado, a decisão de trazer as moedas para troca com a Trensurb é resultado do comprometimento dos metroviários. “Se o pessoal tivesse pouca simpatia, eu não estaria trazendo as moedas”, afirma. “Então, eles têm uma reciprocidade muito boa comigo e isso me incentiva sempre a trazer mais e a servi-los dentro das necessidades”, completa. Romano ressalta também a confiança criada entre ele e os empregados da Trensurb. Para ele, a confiança é um valor que precisa ser estimulado nos dias de hoje. “Se eu consigo amenizar a falta de troco, a importância é enorme, porque tu vais servir de alguma forma. E, hoje, eu acho que nós temos que procurar servir”.

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