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Trensurb e AMA: 24 anos de amizade

Hoje, comemora-se o Dia do Amigo, data escolhida para celebrar a amizade em alguns países da América do Sul. Nesta data, destacamos amigos muito especiais, que prestam auxílio emocional a quem precisar e têm uma parceria de 24 anos com a Trensurb.

Desde julho de 1992, a organização não governamental AMA – Amigos Anônimos Samaritanos Mundiais presta auxílio emocional, em parceria com a Trensurb, para pessoas que apresentam algum tipo de comportamento de crise emocional, especialmente próximo aos trilhos do metrô. Segundo a presidente da associação, Marilene Leal, é um comportamento perfeitamente perceptível: “É completamente diferente de uma pessoa que esteja somente esperando o metrô, diferente de qualquer pessoa que tem uma saúde emocional estável”.

O AMA conta com um quadro de voluntários que se revezam para melhor atender as pessoas que entram em contato. Marilene faz parte desse quadro desde 2005 e conta que descobriu a associação no trem, quando, no Dia do Amigo – celebrado em 20 de julho –, recebeu um folder da instituição e, sem pensar duas vezes, resolveu tornar-se também voluntária. Em 2010, foi eleita presidente e, desde então, dedica-se cada vez mais ao projeto. A ONG existe desde 1971 e foi fundada pela professora Zélia Lacassagne, porém, ainda como filial de outra instituição. Só se tornou independente em 1985. Dona Zélia, como era conhecida, faleceu em 2014, aos 94 anos. Marilene conta que, pelo pioneirismo em ajudar as pessoas dentro da estação de trem, o AMA já chamou atenção da imprensa nacional e internacional.

No início, segundo a presidente, a ONG era sediada somente na Rua Felipe Camarão, na capital gaúcha. Ela explica que quando havia algum caso de crise, os empregados da Trensurb faziam o primeiro contato – o primeiro acolhimento, que, segundo ela, é o mais importante – e posteriormente encaminhavam as pessoas para a sede do AMA. Com o passar do tempo, o AMA disponibilizou treinamentos para trabalhadores do metrô, a fim de facilitar a identificação de indivíduos com crises emocionais. A parceria da instituição com a Trensurb foi tão proveitosa que a empresa cedeu um espaço na Estação Farrapos, em 1992, para que o atendimento seja mais rápido e preciso.

A parceria

“Desde a criação do serviço na Estação Farrapos, o AMA vem auxiliando usuários com algum tipo de instabilidade emocional e isso é muito importante”, afirma o assistente de projetos da Gerência de Operações (Geope) da Trensurb, José Adriano dos Santos. Ele lembra também dos metroviários que resolveram ser voluntários na instituição: “Nós tivemos empregados que participaram do grupo do AMA, porque entenderam ser relevante essa participação, tendo em vista o atendimento que já se faz aos usuários todos os dias, então, o AMA veio como um serviço especializado e complementar para os atendimentos cotidianos”. José Adriano enxerga a parceria como “necessária” e “específica”, pois a área operacional exerce diversas funções durante o dia e, entre elas, o “atendimento direto às pessoas” é o fundamental. E o AMA dá um complemento justamente a esse serviço.

O metroviário ressalta que a segurança da Trensurb segue sempre um “viés cidadão” e que a premissa é “atender bem os usuários” e “tratar todos com o maior respeito e educação possível”, e, quando se trabalha com esse viés, “preconiza-se sempre o ser-humano”. José Adriano conclui dizendo que “trabalhamos não com bilhetes vendidos e, sim, com pessoas, trabalhadores e pais de família, entendendo o outro como ser humano, o outro consegue nos ver como ser humano, empregado, mas ser humano”.

O atendimento

A presidente do AMA conta que quando alguém entra em contato, o primeiro atendimento é fundamental para que a pessoa sinta-se acolhida, depois, segundo ela, os voluntários são literalmente amigos anônimos, que estão ali para escutar muito mais que falar.

Marilene fala, também, sobre uma das experiências que mais marcaram seus dez anos de voluntariado: “Um empregado da Trensurb trouxe uma menina, aparentemente abalada, ela sentou e contou sua história. Em pouco tempo, eu, voluntária, já estava chorando. A história dela era terrível, não tinha como ninguém tentar amenizar, falar que tudo ficaria bem, porque não ficaria. O jeito era apenas escutar, deixá-la desabafar, isso já ajuda muito alguém que esteja precisando conversar”.

O AMA atende diariamente das 13h às 22h, oferecendo auxílio emocional ou informações sobre como se tornar um voluntário por meio do telefone (51) 3211-2888 ou do e-mail samaritanosmundiais@gmail.com.

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