Réplica de uma das estações de trem da época. Crédito: Mauricio de Andrade Silveira Andrade Silveira

Porto Alegre e São Leopoldo: conectadas pelos trilhos há quase 140 anos

Réplica de uma das estações de trem da época. Crédito: Mauricio de Andrade Silveira Andrade Silveira

Réplica de uma das estações de trem da época. Crédito: Mauricio de Andrade Silveira Andrade Silveira

A Trensurb começou as suas operações nos anos 80. Um tempo curto quando comparado às primeiras estações de trem criadas no Rio Grande do Sul, em 1874. Nesta época, os únicos meios de transporte eram as balsas e os veículos movidos a cavalo.

A criação da estrada de ferro unindo as duas cidades veio para suprir duas demandas: facilitar a viagem das pessoas e escoar a produção agrícola de São Leopoldo, à época considerada uma cidade-celeiro .

As primeiras estações eram feitas de madeira, e foram importadas da Inglaterra. A linha férrea tinha uma extensão de quase 34 quilômetros e compreendia quatro estações: Porto Alegre, Canoas, Sapucaia e São Leopoldo. Como o projeto inicial envolvia a cidade de Novo Hamburgo (cujas obras foram concluídas dois anos depois), a companhia responsável pelas operações foi batizada de “The Porto Alegre and New Hamburg Brazilian Railway.

Em 1982, a velha ferrovia foi desativada, dando lugar às linhas férreas da Trensurb. Hoje boa parte do acervo da antiga ferrovia pode ser visto no Museu do Trem, que fica ao lado da Estação São Leopoldo.

 

Foto: Arquivo Trensurb

Um quiosque entre cidades, um coração entre paixões

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Quem desce na Estação Luís Pasteur acaba sempre cruzando pelo quiosque do Osvaldo Santos. Isso porque a loja fica na passarela, em frente à entrada da estação. Conhecida ou desconhecida, a pessoa logo é atendida com animação e sorriso no rosto pelo vendedor. É pelo balcão que ele as idas e vindas das pessoas que circulam pelos carros da Trensurb e acompanha o dia a dia de duas cidades ao mesmo tempo – curiosamente seu quiosque fica na divisa das cidades de Sapucaia do Sul e Esteio. “Quando tem feriado em Sapucaia, sou obrigado a trabalhar porque não é feriado em Esteio e vice-versa”, brinca.  Mas esta não é a única dualidade na vida dele.

Osvaldo morava em Capão da Canoa, onde trabalhava em um supermercado. Há cerca de um ano e meio seu pai, dono do quiosque, teve um problema cardíaco, o que o levou a repassar o negócio para o filho. Quer dizer, nem tanto: “Hoje eu trabalho aqui para meu pai. De vez em quando ele me pergunta como está o movimento, quer saber como andam as coisas… Ele fica em cima mesmo”, conta. O vendedor deixou a brisa da praia e veio com a mulher e a filha para Sapucaia. “Da praia eu não tenho saudades. Sinto falta mesmo é dos amigos que ficaram por lá. Agora a saudade a gente mata pelo Facebook”, explica.

No lugar dos amigos que ficaram no litoral, surgiram os amigos que circulam diariamente na estação. É possível perceber isso pelos muitos cumprimentos que Osvaldo recebeu durante a entrevista. “Às vezes as pessoas estão com a cara amarrada, tão de mal com a vida, e tudo que querem ouvir é um ‘bom dia’. Aí você vai criando o hábito que antes não existia, e elas vão ficando mais leves”, conta.

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Para o vendedor, pontualidade é a alma do negócio. “Tem gente que sai de casa em cima da hora, atrasado para pegar o trem, contanto que vai chegar aqui e fazer um lanche ou tomar um cafezinho antes de embarcar. Pra essa pessoa eu não posso falhar. Eu tenho que me garantir aqui para ela poder garantir o dela”, explica Osvaldo, que trabalha das seis da manhã às seis da tarde.

Além de o quiosque estar na divisa de duas cidades, o seu coração é dividido entre duas paixões: o comércio e a arbitragem. “Eu atuo como árbitro de campo desde jovem. Meu sonho era ser jogador de futebol, mas eu sofri um acidente onde quase perdi a perna. Depois de recuperado, os joelhos estouraram. Aí me encontrei na arbitragem. É lindo ir para uma cidade do interior para apitar um jogo, porque não tem briga, não tem xingamento. O espetáculo é o jogo e a arbitragem. Agora, chegando quase aos 45 anos, eu estou fazendo o curso para virar árbitro de futebol de salão”.

Se Osvaldo tivesse que escolher entre os cartões do campo e os produtos do quiosque, ele não pensa duas vezes: “Eu ficaria com os dois. Por que eu gosto dos dois. Eu aprendi com minha mãe que a gente tem que fazer as coisas como se fosse a primeira, a única e a última vez. Este é o segredo para se fazer um bom trabalho, além de fazer o que se gosta”.

Foto: Arquivo Trensurb

Aeromovel é inaugurado em Porto Alegre

“Ele é silencioso, rápido e não polui o meio-ambiente”. Esta foi a declaração dada por uma das primeiras passageiras do Aeromovel, inaugurado no último sábado, dia 10, em Porto Alegre. Por acaso, a passageira que deu esta declaração foi a presidente da República, Dilma Rousseff, que esteve presente na cerimônia e ressaltou as qualidades do veículo em seu discurso.

“O Aeromovel é uma tecnologia 100% nacional e que carrega todas as características da sustentabilidade, tornando-se uma alternativa econômica e de qualidade para aprimorar os serviços de mobilidade urbana pelo país”, afirmou a presidente.

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

A tecnologia desenvolvida por Oskar Coester, nos anos 70, utiliza a propulsão do ar para mover os carros, que não são motorizados, até o seu destino.  Hoje ela interliga a Estação Aeroporto da Trensurb ao terceiro andar do Terminal 1 do Aeroporto Internacional Salgado Filho. O veículo, com capacidade de 150 passageiros, percorre o trajeto de pouco menos de um quilômetro em uma viagem suave que leva dois minutos.

Durante seu discurso, a presidente Dilma afirmou que parte dos investimentos do PAC Mobilidade Urbana serão aplicados na construção de outras linhas de Aeromovel, citando o projeto de expansão em Canoas como uma de suas prioridades.

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Nos próximos 90 dias, o Aeromovel opera em sistema assistido durante os dias úteis, das 10h às 16h. Até o fim deste período, um segundo veículo com capacidade para 300 passageiros será integrado ao serviço. Para dar uma volta nele é só pegar o trem, descer na Estação Aeroporto e embarcar no veículo sem custo algum.

Quem vem do Aeroporto precisa adquirir a passagem da linha do metrô (R$ 1,70) para pegar o Aeromovel rumo à estação.

 

Foto Kauê Menezes

A linha do tempo do Aeromovel

Foto Kauê Menezes

Foto: Kauê Menezes

Em breve o Aeromovel vai ser uma realidade para quem precisa se deslocar até o Aeroporto Salgado Filho com praticidade. A história desse veículo teve início em 1977, em São Leopoldo.

Você sabia disso? Não? Então está precisando dar uma volta na Estação Aeroporto. Lá está exposta a linha do tempo desta invenção 100% nacional, contando a história do seu surgimento até os dias de hoje.

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  • Entenda melhor essa super máquina:

O Aeromovel utiliza veículos leves não motorizados e movidos com propulsão a ar, que é soprado por ventiladores de alta potência através de um duto localizado no interior da via elevada. O vento empurra a aleta, uma peça semelhante a uma vela de barco, que movimenta o veículo sobre os trilhos.