Foto: arquivo Trensurb

Paixão pelas motos e pela tradição

Foto: arquivo Trensurb

Foto: arquivo Trensurb

Flávio Renato Kessler é funcionário da Trensurb há quase 30 anos e trabalha no Centro de Controle Operacional. Apesar da aparência um tanto séria, é daquelas pessoas que riem à toa. É casado há 29 anos com Maria Bambina e tem duas filhas, uma de 26 e outra de 24 anos. Quando perguntado sobre a origem do sobrenome da família, brinca que “é comum tipo o ‘Silva’, só que com origem na Alemanha Antiga”.

Kessler revela que, depois da família, tem duas grandes paixões: a sua moto Harley-Davidson e o DTG Trilhos da Tradição, do qual faz parte “desde que o terceiro pilar foi erguido”. Localizado no Parque Esportivo Eduardo Gomes, próximo à Estação Fátima, o DTG Trilhos da Tradição tem 10 anos de existência. Mesmo com a proximidade da Semana Farroupilha, ele lamenta que o DTG não seja mais popular entre seus colegas. “Eu gostaria que o DTG fosse mais prestigiado pelo pessoal da Trensurb “.

Já a história da moto é um pouco mais antiga. Ele conta que tinha uma moto quando conheceu sua esposa, mas com a chegada das filhas teve que se desfazer do veículo. Mais ou menos 26 anos depois, retomou sua ligação com o motociclismo. Hoje em dia, ele é um gaúcho pilchado dirigindo uma Harley. Ou um “harleyúcho”. Um exemplo de gaudério pós-moderno.

Bom atendimento para você e para seu celular

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

A Estação Mathias Velho é a terceira mais movimentada da Trensurb. No meio de tantas pessoas, uma delas abre diariamente seu quiosque ao público. Há nove anos, a Margarete Lacerda da Rosa mora em Canoas. “Eu sou de Caçapava do Sul. Já morei no Mato Grosso, em Goiânia, em Minas… Viajava acompanhando o meu marido. Quando a gente se separou, vim para Canoas, onde boa parte da minha família mora”, conta.

Margarete trabalha na estação há sete anos, atendendo as pessoas em busca de uma capa ou acessório novo para celular. O sucesso é garantido – tivemos que interromper a entrevista várias vezes para que ela atendesse os clientes. “Normalmente são as mesmas pessoas que sempre circulam por aqui. Por isso atender bem é fundamental. Quando alguém chega e eu não tenho o acessório compatível com o aparelho, eu pego o contato do cliente e vou atrás”, explica.

Além dos acessórios para smartphones, a Léka Celulares (nome do seu quiosque) também trabalha com artigos para presentes e informática. “Já cheguei a trabalhar aqui com compra, venda e conserto de telefones, mas agora estou mais focada nos acessórios”. Margarete aproveita e convida a todos que viajam de trem para descer na Estação Mathias Velho e fazer um “upgrade” no visual do seu celular. :)

 

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Dançando entre os números

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Um SMS aproximou Renan de Oliveira, 25 anos, de um universo do qual seu pai já fez parte – ele trabalhou na antiga rede ferroviária que existia antes da Trensurb. A mensagem vinha de uma agência de estágios, informando a existência de uma vaga na área de contabilidade. Renan não pensou duas vezes: mandou seu currículo e cá está ele desde janeiro.

Experiência na área o Renan já tem: trabalhou na prefeitura de São Leopoldo com a compra das merendas escolares.” Acredito que todo mundo, como cidadão, deveria trabalhar em uma empresa pública ou de economia mista. A experiência te dá uma visão que como usuário tu não possui. A gente não vê como a engrenagem trabalha, não percebe os esforços de todo mundo para que tudo funcione bem”.

Depois que virou estagiário da Trensurb, ele também passou a ver os trens de outra maneira. “Do lado de fora eu não tinha noção, por exemplo, do trabalho de manutenção dos trilhos, da equipe de apoio, do centro de controle de operações. Hoje, quando eu vou pegar o trem, já sei que o pessoal está trabalhando nisso ou naquilo, consegue ver um fluxo maior, enxergar o todo”.

Nas horas vagas, Renan deixa os números de lado para encarar os ritmos da dança de salão. “É uma atividade que descontrai, alivia o estresse. Melhora a comunicação, a desinibição e ajuda a se soltar mais em algumas situações”, explica o estagiário. E se surgir uma oportunidade de se apresentar para o público interno da Trensurb com seu grupo de dança? “Isso depende da nossa evolução, ainda não somos nenhum pé de valsa, mas quando estivermos prontos, quem sabe?”

 

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Das comunidades para a Trensurb

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Foto: Arquivo Trensurb

Paulo André Geitens, 45 anos, transmite tranquilidade ao falar e traz serenidade no olhar. O técnico em gestão atua há dois anos no setor jurídico da Trensurb. “Eu lido diariamente com a logística interna da área trabalhista, da prestação de contas”, relata.

A forma como Paulo André entrou na Trensurb pode ser considerada um pouco mística, uma daquelas coincidências da vida: “Eu estava caminhando na estação do trem, quando vi um papel no chão. Quando fui juntar para colocar no lixo, na mesma hora uma moça me entregou um panfleto falando do concurso para trabalhar na Trensurb. Aí eu fiz as provas e deu certo”.

Antes de ingressar na Trensurb, Paulo André já havia “feito de tudo”, como ele mesmo define. Isso inclui cuidar de cachorros, trabalhar como guarda-parques e morar em uma comunidade isolada no Paraná: “Trabalhei cuidando de minhocas, de material de construção nessa comunidade. Eram 80 pessoas que seguiam princípios típicos dos cristãos primitivo, e tudo que a gente produzia era dividido entre todos, criando um sentimento de coletividade”.

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Além desta experiência, o técnico em gestão também conviveu em uma comunidade Hare Krishina em Pindamonhangaba e tira uma importante lição desses momentos: “Eu acreditava muito que o ser humano deveria viver mais em comunidade, dividir mais. Eu tinha isso em mim. Mas foi aí que eu percebi que a grande comunidade é o mundo. Comecei a notar que havia pessoas que passavam boa parte do ano comigo, do meu lado, e eu tinha pouca intimidade. Em compensação, falava com amigos e conhecidos à distância, e tinha uma ligação muito maior. Por isso a questão do relacionamento é importante”.

Paulo diz que no ambiente de trabalho procura aplicar um pouco do que aprendeu nas comunidades, estimulando o relacionamento e até mesmo algumas práticas saudáveis: “Eu sou o cara do chá. Faço todo dia de manhã e de tarde”, disse. “Eu converso com muita gente todo dia, vou além do meu setor. Tento fazer aqui o que aprendi lá fora, ampliando as relações e aproximando as pessoas”, explica.

Confira também a história da Jaqueline e a forma como a vida dela está conectada a Trensurb.

Foto: Arquivo Trensurb

Mais de cinco mil livros sobre trilhos

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Ao viajar de trem, é possível perceber que cada pessoa tem uma forma individual de aproveitar a viagem. Muitos aproveitam os momentos no vagão para fazer uma boa leitura.

Pensando nisto e tendo como objetivo incentivar a leitura, a Trensurb criou a biblioteca Livros sobre Trilhos, localizada na Estação Mercado, em Porto Alegre. E agora, com a colaboração dos usuários do trem, o acervo passou da marca de cinco mil exemplares.

Sócia da biblioteca desde 2009, Angela Maria Cabral tem o hábito de doar os livros que compra, ficando somente com os prediletos. Foi dela a doação de número cinco mil, com a obra Um Porto Seguro, do Nicholas Sparks. Na Livros sobre Trilhos ela já retirou 112 obras. Romance, policial, moda e etiqueta são as temáticas que mais a interessa. “O melhor livro que já li aqui da biblioteca é Um amor para recordar, do Nicholas Sparks. É ótimo!”, declara Angela.

Segundo Fernando Noronha, empregado da Trensurb que trabalha na biblioteca, o local recebe em média 10 doações por dia e, atualmente, essa é a única forma de aumentar o acervo. “Para nós as doações são muito importantes. Inclusive, nós disponibilizamos uma abertura lateral na biblioteca para o usuário deixar o livro que quiser doar se o local estiver fechado”, afirma Noronha.

Quem tiver interesse em retirar uma obra para leitura deve se tornar sócio gratuitamente. Basta preencher uma ficha, apresentar documento de identidade, comprovante de endereço (original e cópia), além de uma foto 3×4. A Biblioteca fica aberta ao público de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h.

Já quem quer colaborar doando livros, pode entregar os exemplares na própria Biblioteca. Lembrando que os livros devem estar em bom estado de conservação, e que obras didáticas não são aceitas.