Facilitando o acesso à literatura

Jânio Ayres, gerente de Comunicação Integrada da Trensurb

No Dia Nacional da Biblioteca* é importante registrar a relevância de iniciativas como os dois espaços culturais que a empresa disponibiliza aos usuários do metrô: a unidade da Livros sobre Trilhos na Estação Mercado e a recém inaugurada unidade na Estação Novo Hamburgo; esses dois locais têm um importante papel de facilitar o acesso ao livro, à literatura e o contato com mediações de leitura e afins.

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Conheça o slam: prática que leva poesia a ambientes não convencionais estará presente na Feira do Livro de Porto Alegre

Talvez desconhecido pela maioria, o slam é a prática de declamar poesia sem o auxílio de acompanhamento musical. Surgido em Chicago, em 1984, o movimento ganhou muitos adeptos por conseguir tirar a poesia dos livros e dos ambientes tranquilos e colocá-la nas ruas, próxima de quem quisesse ouvi-la.

O rapper e slammer (nome dado aos praticantes do slam) Vinícius Brasil é um dos diversos apaixonados pelo formato. Segundo ele, escrever poesias é sua válvula de escape. “Os sonhos são indispensáveis para seguirmos em frente, pois eles me mantêm vivo”, declara.

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Entrevista: Leandro Selister e o projeto “Leve a minha Cidade”

O artista visual Leandro Selister está trazendo seu novo projeto à Galeria Mario Quintana, na Estação Mercado da Trensurb: Leve a minha Cidade – Coleção Porto Alegre e Coleção Expressões daqui. A Casa de Cultura Mario Quintana, a Usina do Gasômetro e o MARGS são alguns dos desenhos da Coleção Porto Alegre, criados pelo artista para chamar a atenção para as belezas da capital. Na Coleção Expressões daqui, o autor busca inspiração na cultura pop e nas histórias em quadrinhos para apresentar uma espécie de dicionário ilustrado com expressões de uso cotidiano pelos gaúchos como “bah”, “bem capaz” e “arrecém”. As ilustrações do projeto permanecem na galeria até 29 de junho.

Confira a conversa que tivemos com Selister a respeito do trabalho dele.

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Porto Alegre: 244 anos de história, 31 anos com o metrô

No dia 26 de março, é comemorado o aniversário da capital gaúcha, Porto Alegre. Há 244 anos, em 1772, era fundada como Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais. Em 1821, ganhou o status de cidade graças ao imperador Dom Pedro II. Atualmente, Porto Alegre integra o pólo turístico do Estado e, sob diversos aspectos, é considerada modelo para o país. A Trensurb opera na capital há 31 anos, ligando-a hoje a outros cinco municípios. Atualmente, a população da capital gaúcha é de 1,47 milhão de habitantes, em uma área que se estende por de 496,7 quilômetros quadrados. Com sete estações do metrô gaúcho (incluindo o aeromóvel) localizadas na cidade, a estação terminal Mercado foi a que mais teve acessos de usuários em 2015 dentre todas que integram o sistema metroviário, com 8,95 milhões de passageiros.

Banhada pelo Lago Guaíba, circundada por dezenas de morros, terra de Inter e Grêmio, de domingos ensolarados nos parques e tema de canções e poemas, “Porto Alegre é demais”. Atrai cada vez mais pessoas em busca de oportunidades, de um lugar para viver, ou mesmo turistas e moradores de outras cidades e países em busca de lazer e/ou momentos e lugares únicos que só a capital gaúcha oferece.

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Entrevista: Vila dos Ferroviários em Porto Alegre – uma experiência documental

Até 30 de setembro, a Biblioteca Livros sobre Trilhos, na plataforma da Estação Mercado, recebe a exposição fotográfica Vila dos Ferroviários em Porto Alegre – uma experiência documental, que traz fragmentos de pesquisa desenvolvida no curso de tecnologia em fotografia da Ulbra Canoas.

O objetivo do trabalho foi desenvolver uma descrição da vila por meio da fotoetnografia, buscando provocar o debate em torno das memórias do local e do patrimônio cultural dos habitantes. Os painéis na Biblioteca apresentam parte da pesquisa, contando com imagens do Grêmio Esportivo Ferrinho, da vila e seus moradores. O espaço cultural que abriga a mostra funciona de segunda a sexta-feira, das 10h às 20h.

Leia a seguir uma entrevista com a professora que coordenou o trabalho de pesquisa e fotografia, Alice Bemvenuti.

Quando surgiu o interesse pela Vila dos Ferroviários?

Em 2009. Procurei o senhor Hélio [Bueno] para conhecer o Grêmio Esportivo Ferrinho, pois havia uma indicação de que ele era uma pessoa muito importante para a história ferroviária. Em 2012, eu comecei a pesquisa com o grupo da Ulbra e, desde então, a pesquisa é feita anualmente e, a cada ano, a pesquisa foca determinado tema, pois são diversos assuntos que podem ser abordados.

O que os alunos pensam sobre a pesquisa?

Quando os alunos começam, não sabem nada sobre a ferrovia, é tudo novidade. Conforme anda a pesquisa, eles começam a se dar conta que possuem até familiares ferroviários e, assim, acabam agregando ainda mais ao trabalho, trazendo, muitas vezes, informações de pessoas próximas que foram ou que são ferroviários.

Qual a importância da pesquisa para a sociedade e para os ferroviários?

Hoje, penso que com a exposição inauguramos um acesso à memória que, talvez, a Trensurb e a sociedade careçam e, com a mostra estando aqui, porventura seja suprida essa carência, sendo importante para a Trensurb, para a população e, inclusive, para o Grêmio Esportivo Ferrinho, nosso principal apoiador.

Qual o teu pensamento sobre a exposição feita dentro das dependências da Trensurb?

Acho uma iniciativa muito legal. Penso que seja fundamental, tudo de bom. Acredito que a exposição vá gerar diversos frutos e, quem sabe, possamos pensar em algo mais permanente sobre a história do mundo ferroviário dentro dos espaços da Trensurb.

O que tu pensa sobre a relação da Trensurb com a cultura?

A Trensurb tem avançado a passos largos quando o assunto é ocupação de espaços culturais e tem feito isso com muita competência. Eu tive a oportunidade me aproximar da empresa enquanto estive como diretora do Museu do Trem, de 2009 a 2012, e percebi o valor que a entidade dá para ações desse tipo.

Porto Alegre, 243 anos de história e 30 anos de parceria

Em março de 2015, a Trensurb completa 30 anos de operação comercial e, no mesmo mês, a capital dos gaúchos está completando 243 anos de histórias. Ao longo de três décadas de funcionamento de metrô, Porto Alegre se destaca como principal origem e destino dos usuários do sistema. Somente em 2014, 20.241.599 de passageiros embarcaram nas seis estações existentes na capital. Mas antes de falar um pouco mais da relação entre a empresa e a cidade, vamos elucidar alguns fatos importantes para a construção desta metrópole que a todos encanta.

Se você lembra das aulas sobre a história do Brasil, deve recordar do famoso Tratado de Tordesilhas que, em 1494, definia a localidade onde se estabeleceria a cidade de Porto Alegre como domínio espanhol. Diversos tropeiros se radicaram na Província de São Pedro, transformando-se em estancieiros e solicitando a concessão de sesmarias ao governo português. A primeira delas foi concedida a Manuel Gonçalves Ribeiro somente em 1732, na Parada das Conchas, onde hoje é Viamão. Em 1737, a corte portuguesa autorizou o embarque de cidadãos das ilhas de Açores e Madeira para colaborar na colonização da Capitania do Rio Grande de São Pedro. Entre 1748 e 1756, cerca de seis mil ilhéus desembarcaram na então Ilha de Santa Catarina, hoje Florianópolis, mas ao contrário da pretensão de colonizar o interior, os imigrantes se instalaram no litoral por conta do clima semelhante ao de seus locais de origem. Em 1751, foi ordenado ao então governador de Santa Catarina, Manoel Escudeiro de Souza, que selecionasse e enviasse 60 casais ao Porto de Viamão, local estratégico geograficamente. Os açorianos se instalaram próximo ao porto e que por esse motivo passou a ser conhecido como Porto dos Casais.

Com a tomada da Vila de Rio Grande pelos espanhóis em 1763, o governo da Capitania do Rio Grande de São Pedro teve que se mudar às pressas para Viamão e lá estabeleceram a sua nova sede. Logo, o Porto de Viamão foi elevado à freguesia, se chamando Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais, em 26 de março de 1772, data em que se comemora a fundação da cidade. Um ano após, o governador da capitania, Marcelino de Figueiredo, determinou a transferência da capital de Viamão para lá, quando a freguesia já tinha cerca de 1.500 habitantes e seu nome alterado para Freguesia da Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre. Com a paz instaurada entre Espanha e Portugal através do Tratado de Santo Ildefonso, em 1777, a posse da terra foi regularizada, passando a ser propriedade portuguesa. Em 1808 a freguesia foi elevada a categoria de vila e em 1812 tornou-se sede da recém criada Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul, encabeçando a comarca de São Pedro do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Em 1822 a vila ganhou foro de cidade e passou a receber imigrantes alemães que se instalaram na região do Vale do Sinos. Em 1835, com a Revolução Farroupilha, a capital foi tomada pelos revolucionários, comandados por José Gomes de Vasconcelos e Jardim e Onofre Pires. Em 1836, o legalista Major Manoel Marques de Souza, conhecido posteriormente como Conde de Porto Alegre, conseguiu retomar a posse da cidade. Muitas batalhas foram travadas nas cercanias da capital e devido à resistência, em 1841, recebeu de Dom Pedro II o título de “Mui Leal e Valerosa”, lema que permanece no brasão da cidade até hoje.

Transporte público histórico

A história do transporte coletivo da capital não é tão antiga, mas tem suas origens em 1864 quando o cidadão Estácio Bitencourt contratou a construção de uma linha de carris de ferro tracionados por mulas. Estes veículos foram batizados pela população de maxabombas, porém com custos elevados a empresa não se sustentou.

Em 1872, foi criada a Companhia Carris de Ferro Portoalegrense, que substituiu a empresa de Estácio Bitencourt e as maxabombas vendidas para a cidade de Rio Grande. Em 1873, começou a circular o primeiro bonde, ainda tracionado por mulas, fazendo a linha Menino Deus até 1914. Já em 1893 surge a Companhia de Bondes Carris Urbanos, que se fundiria, em 1906, com a empresa já existente e formaria a Companhia de Força e Luz Portoalegrense, responsável pela implantação de bondes elétricos na cidade. Somente em 1908 é que começaram a circular os 37 bondes britânicos, veículos de um e dois andares. Em 1926, começou a circular o primeiro ônibus na cidade, propriedade de Amador dos Santos Fernandes e Manuel Ramires.

Durante o ano de 1928, o controle acionário da Companhia Carris passou a ser da Bond & Share, propriedade da General Eletric. Devido a uma série de greves e desinteresse dos norte-americanos em manter o serviço de bondes em Porto Alegre, a Prefeitura interviu na companhia em 1952. Foi definido como interventor José Antônio Aranha, irmão do ministro Oswaldo Aranha. A empresa foi encampada pela Prefeitura em 29 de novembro de 1953, durante o governo de Ildo Meneghetti.

Em 1929, Amador fundou a Empresa Amador que fazia o transporte de passageiros entre a Capital e São Leopoldo, dando origem a atual Central Transportes. Neste mesmo ano começaram a circular os primeiros ônibus da Companhia Carris, tendo seus serviços interrompidos em 1956 e retomados somente em 1966. No mesmo período, os bondes continuaram circulando pelas ruas da capital e seguiram assim até 8 de março de 1970, data em que o último bonde percorreu as vias de Porto Alegre. Um ato solene foi realizado com a presença de autoridades locais e toda a população pôde viajar gratuitamente até às 20h30, quando o bonde foi recolhido ao depósito.

Ainda na década de 50 foi projetado o serviço de trólebus, espécie de ônibus alimentado por energia elétrica, que só entrou em operação em 1964. Somente duas linhas foram instaladas para auxiliar no transporte, Gasômetro e Menino Deus, e a extensão máxima da rede elétrica era de 10km. Em maio de 1969, o serviço foi desativado por problemas de adaptação voltaica da rede elétrica e porque os veículos apresentaram problemas recorrentes nos freios.

Nos trilhos do progresso

A partir de 1976 começou a ser idealizada uma empresa que, através de estudos desenvolvidos pelo GEIPOT (Grupo Executivo de Integração da Políticas de Transportes), da Empresa Brasileira de Planejamento de Transportes, justificou o projeto de um modal ferroviário baseando-se na redução do fluxo de veículos na BR-116, já saturada à época, e pela oferta à população de uma alternativa de transporte com baixo custo e com maior rapidez, segurança, conforto e capaz de absorver uma demanda prevista que poderia chegar aos 300 mil passageiros por dia.

Em 1980, através do Decreto nº 84.640, foi criada a Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A., conhecida como Trensurb. Entre 1980 e 1985, foram realizadas as obras de implantação do sistema, com a construção da Linha 1. Para apresentar um modal que atendesse as necessidades de uma população que sofria com um trânsito congestionado, atravessamos o mundo e buscamos tecnologia japonesa. Um consórcio entre diversas empresas do Japão construiu os trens em solo nipônico e transportou-os até a capital gaúcha por meio de navios.

Em 1984, desembarcaram em Porto Alegre os 25 trens unidades elétricas Série 100. Em março de 1985, foi inaugurado o primeiro trecho, com 27 quilômetros de extensão e 15 estações, ligando Porto Alegre a Sapucaia do Sul, cruzando os municípios de Canoas e Esteio.

Em 1997, a Trensurb chegou à cidade de São Leopoldo, com a inauguração da Estação Unisinos, e, em 2000, foi aberta a Estação São Leopoldo. Em julho de 2012, começaram a operar comercialmente mais duas estações: Rio dos Sinos, também em São Leopoldo, e Santo Afonso, em Novo Hamburgo. Em maio de 2014, iniciou-se a operação comercial em outras três estações no município hamburguense: Industrial/Tintas Killing, Fenac e Novo Hamburgo. Assim, a linha alcançou uma extensão de 43 quilômetros.

Em janeiro de 2011, o metrô gaúcho ultrapassou a marca de um bilhão de passageiros transportados, representando uma economia de mais de R$ 2,2 bilhões para a sociedade. Atualmente, transporta uma média diária de aproximadamente 200 mil usuários por dia útil. Com os novos trens da Série 200, dotados de climatização, sistema de comunicação multimídia e gasto energético 30% inferior aos veículos originais, o conforto e eficiência tendem a aumentar.

Dos 243 anos que Porto Alegre completa, nos orgulhamos de estar presentes nos últimos 30, atendendo a população com um índice de satisfação de 90,53% entre os usuários, muitos deles porto-alegrenses de nascimento e outros tantos que adotaram a cidade como seu lar.

Parabéns Porto Alegre! Feliz 243 anos! Que possamos manter essa parceria por muitos outros anos de história.