Entrevista: Ale Maia e sua homenagem a Sapucaia do Sul

Carlos Alexandre Torres Siqueira de Maia e Pádua, mais conhecido no meio das artes plásticas como Ale Maia e Pádua, tem 36 anos, nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, e graduou-se em design pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) de Porto Alegre em 2012. Começou a pintar no fim da faculdade, quando se apaixonou pelas artes visuais e passou a assinar não mais como designer e sim como artista. Desde 2015, ele já apresentou quatro exposições de arte aos usuários da Trensurb, no Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos e na Galeria Mario Quintana, na Estação Mercado.

Também autor do painel Os cavalos, em exibição permanente na Estação Luiz Pasteur da Trensurb, Ale esteve recentemente no Rio Grande do Sul mais uma vez e pôde finalmente conferir seu trabalho de perto. Uma homenagem ao município de Sapucaia do Sul, a obra foi instalada em 27 de fevereiro deste ano, às vésperas do aniversário de 34 anos de operação do metrô gaúcho – completados em 2 de março. O painel de três metros quadrados conta com elementos que remetem à geografia, cultura e história de Sapucaia do Sul. Conversamos com Ale sobre Os cavalos, seu processo de criação e sua carreira.

Já faz meses que a obra está em exposição na estação. Como foi vê-la pela primeira vez?

Vim a convite do Jânio [Ayres, gerente de Comunicação Integrada da Trensurb], conhecer a obra, bater algumas fotos, ver os detalhes da obra. Fiquei muito contente com o resultado, com o tamanho, a qualidade da imagem, o cuidado que tiveram em pôr uma película para proteger do sol e não desbotar. Vim justamente ao Rio Grande do Sul fazer três exposições, que tem a ver com esta obra exposta, que faz parte da exposição Finício, que foi apresentada na Pinacoteca, Casa Holtz e Espaço Cultural 512.

Além dos cavalos, quais outros elementos representam a cidade na obra?

Nas íris dos cavalos é possível notar o Morro do Chapéu, símbolo geográfico de Sapucaia e ambos os animais estão olhando para o morro. Completando a obra, a presença dos figos, que remetem à figueira torta, antiga árvore símbolo da cidade, mesmo não existindo mais.

Qual a sensação de ver a obra pronta?

Eu fiquei surpreso. Confesso que eu já sabia a dimensão dela. Na prática, é surpreendente. A qualidade também é muito boa. Tenho recebido um retorno bem legal do Jânio e de outras pessoas que passam pela obra e eu acabo recebendo um comentário positivo a respeito, algumas até conseguem identificar os detalhes que representam a cidade na obra. Eu fico muito contente, de verdade. E, desde que começamos a pensar nesse projeto, foi planejado fazer algo que o povo de Sapucaia do Sul se identificasse e que agregasse um ponto cultural e tirasse o passageiro do lugar comum, pra ele aproveitar o maior benefício da arte, que é nos fazer pensar e ter uma linha lógica mais abstrata.

Como foi a pesquisa que levou à criação da obra e a escolha das cores?

Tive a parceria do Jânio para pensar na obra, pensando como ela ficaria. Precisei entender bem como era a cidade. Eu tinha que entender onde eu estava entrando, o ambiente no qual eu iria construir a obra e não só como um processo artístico, mas também como sinal de respeito. É comum procurarmos referências artísticas, mas eu precisava entender o que era a cidade de Sapucaia e depois partir para o traço. E, na paleta de cores, eu acabei padronizando da minha arte, que eu gosto de trazer algo com muitas cores, muito colorido, para nos tirar do lugar comum. E cada artista vai buscando no decorrer de sua vida uma arte que seja própria e eu me beneficiei dessa busca que cada artista tem.

Entre pesquisa e o primeiro traço, quanto tempo levou?

Demorou bastante, não lembro o tempo ao certo, mas entre o primeiro traço e ela ficar pronta, demorou cerca de seis meses mais ou menos. E ela é a terceira ou quarta tentativa de um mesmo quadro. Tive que fazer e refazer o mesmo quadro. Acontece, é comum, não adianta parar as coisas pela metade e querer que a obra esteja pronta quando na verdade não está. E essa obra eu sinto que está pronta.

Tu tens um trabalho inspirado na ideia de se pintar um mesmo objeto por 30 anos. Qual é o objetivo e a inspiração de um trabalho assim?

Agora estamos falando de outra exposição, que se chama Las infinitas vidas del fin, baseada em outra exposição minha que se chama Finício, que é sobre uma viagem feita por mim do Rio de Janeiro até Ushuaia, extremo sul do mundo. E lá me deparei com um fim do mundo repleto de montanhas, a Cordilheira dos Andes. A inspiração de se pintar uma mesma obra por 30 anos vem de um mestre chamado Katsushika Hokusai, gravurista japonês que ficou fascinado pelo monte Fuji e pintou a obra “A Grande Onda”, inspirada no monte. E por eu também ser fascinado pela Cordilheira dos Andes, decidi fazer o mesmo, ficaria anos e anos praticando, com o objetivo de que eu possa dizer que ela esteja pronta e eu fique satisfeito, buscando resultados diferentes de um mesmo lugar.

Tens alguma projeção de expor futuros trabalhos nas estações da Trensurb?

Há cerca de dois anos, fiz uma exposição na Estação Mercado chamada VIVER É LUTAR, onde, pela primeira vez, eu apresentei um quadro chamado RIO 1567, que traz personagens e uma história de um dia específico que sucedeu na formação do Rio de Janeiro. Esse quadro foi exposto em outros lugares e até em Lisboa, e espero que possamos fazer uma segunda edição dessa exposição.

Engenheiro, profissional de TI e segurança

O agente metroviário Bruno Tombesi Beck tem 27 anos e é natural de Porto Alegre, cidade onde reside até hoje. Quando mais jovem, Bruno decidiu ingressar no setor da informática e fez cursos básicos para obter conhecimento na área até chegar ao curso técnico. Também iniciou um curso de graduação em Relações Internacionais, mas acabou não concluindo o mesmo. Hoje, Bruno é graduado em Engenharia Civil pela UniRitter. Seu trabalho de conclusão de curso teve como tema a via permanente da Trensurb. A decisão de cursar engenharia surgiu após o nascimento de sua filha, Sofia, hoje com seis anos. Antes disso, Bruno foi estagiário no Tribunal de Justiça do estado, atuando na área de tecnologia da informação. “Passei muito tempo lá como estagiário, eu até brincava que era um estagiário profissional”, conta. Estagiou também na Assessoria de Relações Internacionais do Governo do Estado.

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Estagiária premiada!

Estagiária da Ouvidoria da Trensurb, Luana de Oliveira tem 27 anos e cursa o sétimo semestre da graduação em Jornalismo da UniRitter. Recentemente, junto de sua colega Marjorie Paula, ela conquistou o prêmio Expocom – Exposição de Pesquisa Experimental em Comunicação na categoria charge/caricatura/ilustração. A Expocom é uma exposição e um prêmio destinado aos melhores trabalhos experimentais produzidos por estudantes no campo da comunicação, organizado pela Intercom – Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação. A premiação foi entregue no último dia do 42º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, realizado pela Intercom na Universidade Federal do Pará, em Belém, entre 2 e 7 de setembro.

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Mais uma vez, trem foi o meio mais eficiente para se chegar à Expointer

Ano após ano, o metrô segue sendo uma das principais opções de deslocamento para quem visita a Expointer. A Estação Esteio da Trensurb fica ao lado do Parque de Exposições Assis Brasil, que sedia a feira. Durante a edição deste ano, realizada de 24 de agosto a 1º de setembro, 1.266.238 passageiros utilizaram o sistema metroviário. Isso corresponde a um acréscimo de 138.261 (ou 12,26%) usuários em relação à média em período similar deste ano. Conversamos com alguns visitantes do evento, que nos falaram de suas experiências ao embarcar no trem para ir até o Parque Assis Brasil.

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Preservando a história da empresa

Sara Orcelli dos Santos é natural de Rio Grande, tem 32 anos e trabalha como arquivista no Setor de Apoio (Seapo) da Trensurb há quase quatro anos. Desde dezembro de 2015, reside em Porto Alegre, onde já havia morado no segundo semestre de 2012 e início de 2013. Foi nesse período que ela prestou o concurso público da Trensurb, no qual foi aprovada.

Graduada em Arquivologia pela Universidade Federal do Rio Grande em 2012, ela iniciou no mesmo ano seu mestrado em Patrimônio Cultural pela Universidade Federal de Santa Maria, concluído em 2014. Desde o começo da faculdade, buscou experiência no mercado de trabalho, realizando estágio na Alfândega de Rio Grande e na Refinaria Riograndense. No último semestre de graduação, veio morar em Porto Alegre, onde trabalhou no acervo histórico do Theatro São Pedro.  Em 2013, já formada, retornou à cidade natal para atuar na prefeitura municipal após ser aprovada em concurso. No final de 2015, voltou à capital para assumir a vaga na Trensurb.

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Entrevista: Galegos & Frangalhos, Laboratório-Escola e a arte-educação

Até o final de outubro, a unidade Mercado do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), da Trensurb, recebe a exposição fotográfica Laboratório-Escola de Arte Popular: arte-educação (des)construindo corpos. O Laboratório-Escola é um espaço de desenvolvimento humano criado pelo Coletivo de Artes Galegos & Frangalhos. Busca oferecer experiências artístico-culturais transdisciplinares, tomando as artes como ponto de partida para caminhos alternativos na educação e na aprendizagem. O espaço conta com mais de 15 oficinas descentralizadas, gratuitas e/ou com preços populares e mais de 100 alunos. A Trensurb apoia a iniciativa por meio da divulgação das ações do Laboratório-Escola nos monitores do Canal Você e nos murais das estações. A exposição em cartaz traz fotografias do espaço e de sua história, suas oficinas e metodologias, além de expor alguns figurinos. As fotos da mostra são de Amanda Guimarães, João Pedro Lima, Marília Dias e Max Leidemer.

Na última semana, a plataforma da Estação Mercado recebeu uma intervenção artística do Coletivo Galegos & Frangalhos/Laboratório-Escola, que buscou chamar a atenção para a exposição e para o EMLsT. Novas intervenções similares devem ocorrer no local nos próximos meses.

Conversamos com o artista e arte-educador Bruno Flores, um dos fundadores do Coletivo, sobre a exposição, a parceria com a Trensurb, as atividades do grupo e do Laboratório-Escola. Leia a entrevista a seguir.

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