Foto: Vinicius Silveira/Famecos/PUCRS

Trabalho sobre a mensuração de reputação da Trensurb é premiado no 30º SET Universitário

De 22 a 29 de setembro, ocorreu o 30º SET Universitário da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS. A semana de atividades acadêmicas, oficinas e palestras é promovida anualmente pela instituição. O último dia do SET é tradicionalmente marcado por uma premiação que elege os melhores trabalhos de área da comunicação, divididos em 45 categorias. Mais de 7 mil alunos de 49 diferentes universidades de todo o Brasil inscreveram-se no Prêmio SET 2017. Na categoria Pesquisa Institucional e Organizacional, o trabalho vencedor do Prêmio foi “Mensuração da Reputação da Empresa Trensurb”, realizado pelos alunos Cristiane Curi, Matheus Felipe, Paula Merker e Rubiana Valim, da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação da UFRGS, orientados pela professora Ana Karin Nunes.

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Crédito da foto: Leandro Selister

Os instantes de Leandro Selister

Crédito da foto: Leandro Selister

Crédito da foto: Leandro Selister

Quem circula pelas estações da Trensurb já deve ter encontrado alguns QR Codes espalhados por aí. Eles fazem parte do projeto de intervenção urbana do artista plástico Leandro Selister, chamada Em Instantes – Conectar, Colecionar, Compartilhar. O usuário do trem é convidado a usar seu smartphone para escanear o QR Code, sendo levado a uma imagem feita pelo artista, um flagrante fotográfico realizado em uma das seis cidades que fazem parte do percurso da Trensurb, publicada a cada semana. Conversamos com o Leandro para que ele falasse um pouco do seu projeto e de suas motivações.

– Como surgiu a ideia da intervenção Em Instantes?
Leandro Selister: A ideia surgiu a partir da observação dos QRCodes. Eu comecei a reparar nesses códigos em revistas, restaurantes e também pela rua, em placas de imobiliárias e construtoras. Fiquei curioso com aquela imagem e comecei a pesquisar o que seria isso. Uma rápida busca pelo Google foi o suficiente para entender do que se tratavam aqueles códigos e como poderiam ser utilizados. Como tenho experiência na construção e programação de sites, comecei a fazer testes para entender a lógica de tudo. Para minha surpresa, era muito mais simples do que parecia, e, a partir disso, como estou sempre fotografando, pensei em juntar as duas coisas, ou seja, oferecer para as pessoas fotografias que seriam acessadas através desses códigos. Eu gosto de utilizar a tecnologia nos meus projetos de arte e, ao mesmo tempo, mostrar que ela é mais simples do que pensamos.

– Por que a escolha do universo que cerca a Trensurb como foco deste projeto?
A minha relação com a Trensurb é antiga e muito bem sucedida. Em 2001, recebi o Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia como Projeto de Intervenção Urbana Cotidiano, que foi todo pensado para o ambiente do Trem. Na época, a repercussão foi incrível. Levar a Arte para um ambiente frequentado por milhares de pessoas. O projeto foi bem recebido, tive apoio total da equipe da Trensurb. Quando pensei no projeto Em Instantes, a escolha do trem foi automática pela experiência que eu já tinha e pela perspectiva de um novo projeto com os usuários.

– É a primeira vez que você utiliza a tecnologia como forma de expressão? O que levou você a optar pelo QR Code ao invés de expor diretamente as fotos?
Sim, é a primeira vez que utilizo. Pensei no uso dos códigos como uma maneira de compartilhar além das imagens, a própria tecnologia. No início do projeto eu tinha a preocupação em relação a isso: será que as pessoas entenderiam o processo do trabalho? Mas, aos poucos, e, agora, chegando na 18º imagem, percebo que as pessoas já entendem um pouco mais sobre os códigos, seu funcionamento e principalmente em como a tecnologia pode ser utilizada de forma criativa. Isso é muito bom.

– Qual o seu critério de observação para escolher o lugar/objeto a ser fotografado?
Eu optei por visitar as cidades que fazem parte do trajeto do trem semanalmente. Não preparei as 25 imagens antes do projeto começar. Foi um processo de descoberta mesmo. Os lugares são os mais variados, às vezes óbvios, mas procuro sempre um ângulo novo, uma imagem que remeta à cidade e algumas fotos são feitas nas próprias estações. Acredito que o espaço do trem é muito ¨fotogênico¨ e cheio de possibilidades. Fotografar é um exercício, e, quanto mais fotografo, mais percebo novos ângulos, e, essa tem sido a minha rotina desde abril, quando comecei o projeto.

Crédito da foto: Leandro Selister

Crédito da foto: Leandro Selister

– Quais os objetivos que você deseja alcançar com o seu trabalho?

Quando disponibilizo a foto da semana, sempre escrevo um pequeno texto sobre a imagem. Não quero apenas distribuir fotos gratuitamente. O objetivo maior do projeto é justamente compartilhar uma experiência minha sobre o processo de fotografar, de ficar toda segunda-feira quase 6h viajando de trem, substituindo os cartazes com os códigos, percebendo o espaço. Os textos, embora pequenos, apresentam os locais fotografados, e, eu mesmo, descobri locais que nunca tinha visitado em Novo Hamburgo, e, por incrível que pareça, quando fiz as fotos das Esferas em Esteio, foi a minha primeira visita naquele local. Gostaria que isso acontecesse com as pessoas, essa descoberta dos lugares, do seu ambiente, do seu cotidiano.

– Qual a importância do olhar fotográfico sobre o mundo em uma era de conexões e compartilhamentos, acontecendo na internet em grandes volumes e quantidades, através de aplicativos como Instagram?
Vivemos num mundo cada vez mais saturado de imagens, isso é fato. Com a facilidade dos smartphones essa avalanche de imagens está ainda maior. Como tu mesmo comentastes, o Instagram é uma prova disso, assim como o Facebook e as redes sociais. Há quase três anos eu iniciei um projeto chamado Coisas do Cotidiano, através da meu perfil no Facebook. Faço imagens de cenas comuns, sempre buscando como no trem, um olhar diferenciado sobre isso. Compartilho a imagem associada com um título que conduz a leitura da mesma. Esse projeto tem uma receptividade incrível no Facebook entre os meus amigos. Com esse projeto, conquistei o VII Prêmio Açorianos de Artes Plásticas em 2013. Foi incrível, porque no meio de tantas imagens que circulam, num mundo tão saturado, meus registros encontram a acolhida das pessoas. Acho que a importância do olhar fotográfico num mundo como o de hoje, é justamente essa: enxergar o que ninguém percebe, de forma simples e poética. É isso que tenho feito, é nisso que acredito, e, é esse o meu objetivo com a fotografia.