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Na luta pela cidadania

Foto: Arquivo Trensurb

Durante os últimos meses estamos contando histórias de pessoas que estão conectadas com a Trensurb de alguma forma. Como foi o caso do Lícaro e da Nailane que se conheceram nas viagens de trem, ou do Flávio, que trabalha no centro de controle operacional da empresa e cultiva as tradições gaúchas em cima de sua Harley Davidson.

Hoje é a vez do Bira, ou melhor dizendo, do Ubirajara Carvalho Toledo, 54 anos. Técnico industrial do Setor de Sinalização, ele trabalha na Trensurb há 28 anos.

Formado em Direito na Unilasalle, Bira tem em sua trajetória muito ativismo e luta no movimento social negro. Desde 1999 ele está engajado em contribuir com as comunidades rurais negras. Atualmente, Ubirajara é coordenador do Instituto de Assessoria às Comunidades Remanescentes de Quilombolas (IACOREQ), que busca desenvolver a cidadania nessas comunidades do Rio Grande do Sul.

O IACOREQ conta com aproximadamente 25 associados e profissionais de diversas áreas que trabalham voluntariamente.  Fundado em 18 de dezembro de 2001, ele foi o pioneiro na localização e cadastramento de quilombos no estado. “Nós somos apenas amplificadores das demandas dessas comunidades”, conta Bira.

Ano passado, Ubirajara fez parte da exposição Lanceiros Contemporâneos, organizada pelos Correios, e que esteve na Estação Mercado em março, destacando 20 personalidades por seu trabalho em prol das causas dos movimentos sociais afro-brasileiros.

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Das comunidades para a Trensurb

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Foto: Arquivo Trensurb

Paulo André Geitens, 45 anos, transmite tranquilidade ao falar e traz serenidade no olhar. O técnico em gestão atua há dois anos no setor jurídico da Trensurb. “Eu lido diariamente com a logística interna da área trabalhista, da prestação de contas”, relata.

A forma como Paulo André entrou na Trensurb pode ser considerada um pouco mística, uma daquelas coincidências da vida: “Eu estava caminhando na estação do trem, quando vi um papel no chão. Quando fui juntar para colocar no lixo, na mesma hora uma moça me entregou um panfleto falando do concurso para trabalhar na Trensurb. Aí eu fiz as provas e deu certo”.

Antes de ingressar na Trensurb, Paulo André já havia “feito de tudo”, como ele mesmo define. Isso inclui cuidar de cachorros, trabalhar como guarda-parques e morar em uma comunidade isolada no Paraná: “Trabalhei cuidando de minhocas, de material de construção nessa comunidade. Eram 80 pessoas que seguiam princípios típicos dos cristãos primitivo, e tudo que a gente produzia era dividido entre todos, criando um sentimento de coletividade”.

Foto: Arquivo Trensurb

Foto: Arquivo Trensurb

Além desta experiência, o técnico em gestão também conviveu em uma comunidade Hare Krishina em Pindamonhangaba e tira uma importante lição desses momentos: “Eu acreditava muito que o ser humano deveria viver mais em comunidade, dividir mais. Eu tinha isso em mim. Mas foi aí que eu percebi que a grande comunidade é o mundo. Comecei a notar que havia pessoas que passavam boa parte do ano comigo, do meu lado, e eu tinha pouca intimidade. Em compensação, falava com amigos e conhecidos à distância, e tinha uma ligação muito maior. Por isso a questão do relacionamento é importante”.

Paulo diz que no ambiente de trabalho procura aplicar um pouco do que aprendeu nas comunidades, estimulando o relacionamento e até mesmo algumas práticas saudáveis: “Eu sou o cara do chá. Faço todo dia de manhã e de tarde”, disse. “Eu converso com muita gente todo dia, vou além do meu setor. Tento fazer aqui o que aprendi lá fora, ampliando as relações e aproximando as pessoas”, explica.

Confira também a história da Jaqueline e a forma como a vida dela está conectada a Trensurb.