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Na linha do trem e na linha da escrita

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Com 21 anos, o trabalho de Luisa Geisler foi escolhido para integrar a coleção de contos da revista britânica Granta, especializada em literatura e novos talentos. Isso sem falar nos dois prêmios Sesc de Literatura conquistados em 2010 e 2011. Moradora de Canoas e estudante em Porto Alegre, a jovem escritora já aproveitou as viagens de trem para escrever e se inspirar. Veja como foi a nossa entrevista com ela:

– Quando foi que surgiu o impulso para se tornar uma escritora?

Luisa Geisler: Desde muito pequena, gostava de ler e gostava de escrever. Tinha um blog, coisa e tal, gostava das aulas de literatura. Em 2009, entrei numa Oficina de Criação Literária e daí foi ladeira abaixo.
– Como funciona o teu processo de criação de histórias?

Depende muito. Em geral, há uma estrutura antes, há um planejamento, mesmo que seja mínimo e mesmo que eu vá mudá-lo.


– Qual foi a tua reação quando soube que um dos teus trabalhos foi selecionado para fazer parte da coletânea de contos da Granta?

Foi surpreendente demais. Eu sabia que as coisas mudariam pra mim, mas não sabia que era tanto. Até hoje estou tentando absorver o impacto, às vezes parece que tudo aconteceu com outra pessoa, a “Luisa”.


– Quais são as tuas ambições como escritora?

Acho que continuar escrevendo? Viver de escrever, no sentido de não precisar trabalhar em outras áreas, enfim.


– Você mora em Canoas e estuda em duas faculdades em Porto Alegre. O trem faz parte da tua rotina? No que o ambiente do trem colabora no teu processo criativo?

Faz parte no sentido de que tenho muito tempo livre. E o trem é mais estável que o ônibus. Atualmente, vou pra aula de carona com um colega, mas o trem ainda faz parte em alguns dias. Também, mesmo quando não escrevo, leio no trem, e isso sempre me traz ideias mais cedo ou mais tarde.


– Já ocorreu de alguma situação vista ou vivenciada dentro do trem ter te inspirado a escrever uma história?

Há ideias de que tive, mas ainda não foram executadas. Já fui reconhecida no trem, já tive conversas estranhíssimas no trem, meu próximo livro tem algumas cenas no trem etc. Aquele monte de gente junta sempre tem alguma coisa (um pedaço de diálogo, uma cena engraçada ou bonita) pra guardar.


– Como você consegue conciliar as tuas atividades diárias e, mesmo com duas faculdades, arrumar tempo para escrever?

Não faço ideia. O tempo funciona de um jeito estranho. Por um lado, rabisco muito durante aulas chatas, escrevo pra passar o tempo. Escrever não é trabalho pra mim, é algo que é realmente prazeroso.


– Tens algum projeto em andamento? Se sim, qual?

Estou trabalhando num livro que se chama “Luzes de emergência se acenderão automaticamente”, que deve ser lançado a partir da metade do ano que vem. Ainda não o terminei, mas estou quase.


– Quais são os teus autores e livros favoritos?

Gosto de muita gente. Gosto de James Joyce, Ernest Hemingway, Luis Fernando Veríssimo, mas leio de tudo um pouco. Meu livro favorito… Também é difícil. Estou lendo no momento “Luz Antiga” de John Banville, é livro que tem me agradado muito. Também gosto de quadrinhos, desde Calvin e Haroldo até Watchmen.

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