Entrevista: Patrícia Langlois e “O Fio da História” na Biblioteca Livros sobre Trilhos

Até 30 de novembro, a Biblioteca Livros sobre Trilhos, localizada na plataforma de embarque da Estação Mercado, recebe as ilustrações da artista plástica Patrícia Langlois, presentes também no livro Tudo que Couber no Coração, escrito e ilustrado por ela. A exposição faz parte da 2ª Mostra Arte Sesc para Crianças, uma iniciativa do projeto Arte Sesc – Cultura por toda parte, que promove em Porto Alegre uma série de atividades culturais gratuitas voltadas especialmente ao público infantil. Saiba mais a respeito do trabalho de Patrícia na entrevista que fizemos com ela.

Como começou tua carreira?

Comecei ilustrando livros de outros escritores. Depois disso, fiz também algumas oficinas literárias, a fim de entender melhor a estrutura dos textos. A partir daí, enviei textos para diversas editoras, até a Cuore, editora de São Paulo, abraçar a ideia e resolver publicar.

Quais foram os livros que tu ilustraste?

O primeiro foi Os Amigos de Elvira, de Paulo Bocca, depois veio Um Presente Especial, da autora Leila Pereira, o Cadê o Prato Preto do Pato Pedro?, de Marion Cruz, Um Sinal para o Coração de Javaline, da Elis Simon que, inclusive, será lançado no dia 22 de outubro. Fiz também as ilustrações do livro O Sapo não lava o pé, de autoria da Dirce Camargo Longo, o exemplar de Álvaro Braga, Histórias do Papai e mais várias coletâneas.

De onde vem a tua vontade de fazer ilustração para livros infantis?

Como sempre gostei muito de literatura infantil, o fato de ter recebido o primeiro convite do Paulo [Bocca], agiu como se fosse um estopim. Com as ilustrações feitas no Os Amigos de Elvira, surgiu a oportunidade de fazer diversos outros trabalhos na área infantil. Sem contar que também tenho um filho de 10 anos, o Thiago, e que sempre li muito para ele. Hoje sou realmente apaixonada pela literatura infantil, leio muito, conheço vários autores, diversos ilustradores, desenvolvo projetos de literatura com a Prefeitura de Porto Alegre e contribuo sempre para programas de incentivo à leitura. Acho que é daí que vem minha vontade de trabalhar com crianças.

O que te inspira?

Muito do que faço é relacionado com a minha própria infância, inspiro-me muito nela. Nos livros, tu vês muita coisa relacionada ao resgate à criança dentro de todos nós. Procuro sempre me basear em coisas que elas gostam, como brinquedos e brincadeiras. Tento pensar no imaginário infantil enquanto estou criando uma história ou uma ilustração. Convivo bastante com criança, afinal sou professora, então a vivência que tenho com os pequenos contribui muito para a minha inspiração.

Como foi o recebimento do convite para a exposição?

Recebi o convite em dezembro de 2014. Quando soube, fiquei extremamente contente, tanto que, na mesma semana, chamei a Angelita Bento, que é agente de cultura do Sesc para vir ao meu ateliê e conhecer melhor minhas ilustrações. Juntas, conversamos e decidimos quais imagens ilustrariam as exposições.

A respeito da sua técnica precursora no país, a feltragem de lã a seco, como é feito o trabalho?

A feltragem a seco é uma técnica desenvolvida por mim que utiliza lã de ovelha, que possui um fio mais fino que um cabelo e completamente serrilhado. Usando uma agulha em um movimento que é repetido muitas vezes, faço com que esse serrilhado una-se com outros fios, como se eu tecesse o feltro. Contudo, a maior diferença é que eu não faço apenas detalhes com essa técnica, que geralmente é o que acontece, eu feltro toda a superfície da ilustração. Antes de começar a tecer, coloco um desenho ao lado e, olhando o esboço, vou montando o desenho na lã. O trabalho, por ser extremamente minucioso e delicado, demora aproximadamente um mês para que cada imagem fique pronta.

Pra ti, qual a importância da parceria da Trensurb com o Sesc em prol da cultura?

Eu achei muito bacana, principalmente no espaço da Trensurb, na biblioteca, pois oportuniza mais gente a ter acesso ao livro. Isso é um enorme incentivo a leitura. A exposição propriamente dita chama atenção das pessoas e principalmente das crianças que, mesmo não podendo pegar o livro naquela hora, vão ter o interesse de ler despertado.

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