Ary! Isto aqui o que é?

“Brasil/Meu Brasil brasileiro/Meu mulato inzoneiro/Vou cantar-te nos meus versos”, escreveu Ary Barroso nas primeiras linhas da letra de Aquarela do Brasil. Os versos de Ary de fato cantaram – e encantaram – o Brasil não só com sua canção de maior sucesso, uma das músicas mais conhecidas no mundo todo, mas com diversas outras composições que exaltaram o país e suas qualidades. É celebrando o samba e a obra deste que é um dos maiores compositores da história da música brasileira que chega a edição 2016 do Arte nos Trilhos, com o tema Ary! Isto aqui o que é? e a participação do grupo Os Remanescentes, de São Leopoldo. São seis apresentações nas estações da Trensurb ao longo do mês de dezembro, uma em cada município atendido pelo metrô. A primeira delas foi no Dia Nacional do Samba, 2 de dezembro, na Estação Mercado. A próxima é na sexta-feira (9), na Estação Esteio. Mas você sabe quem foi Ary Barroso?

Para o músico Betinho, d’Os Remanescentes, Ary Barroso “foi o compositor mais representativo da era do rádio e o maior nome do samba-exaltação”. O tema do Arte nos Trilhos 2016 faz referência a outro de seus sucessos que exaltava os valores autenticamente nacionais. Em Isto aqui o que é?, Ary fala do “remelexo” da “Morena boa/Que me faz penar/Põe a sandália de prata/E vem pro samba, sambar”. E fala também “Desse Brasil que canta e é feliz/Feliz, feliz/É, também, um pouco de uma raça/Que não tem medo de fumaça, ai, ai/E não se entrega, não”.

Elogiado por compor grande melodias, Ary foi também criticado por seu trabalho como letrista, uma vez que abusava da redundância – como em “esse coqueiro que dá coco” – e de palavras incomuns no cotidiano – “inzoneiro” por exemplo. Isso não impediu sua obra de conquistar o Brasil e o mundo, com gravações de grandes artistas, como Francisco Alves – intérprete original de Aquarela do Brasil –, Carmen Miranda e Frank Sinatra, e presença em produções do cinema nacional e hollywoodiano. Walt Disney chegou a oferecer a Ary – sem sucesso – o cargo de diretor musical de seus estúdios.

Um homem de muitos interesses e talentos, Ary Barroso destacou-se – e foi polêmico – também como locutor esportivo – sem jamais esconder sua paixão pelo Flamengo –, apresentar de rádio e TV – comandando o primeiro programa de calouros do Brasil – e político – elegendo-se como segundo vereador mais votado no Rio de Janeiro, em 1946. Na música, além de inaugurar o samba-exaltação, cheio de ufanismo, compôs também canções passionais de sucesso como Morena boca de ouro e Pra machucar meu coração.

“Minha vida foi uma luta terrível, obstinada e penosa”, escreveu certa vez. Nascido no dia 7 de novembro, em Ubá, Minas Gerais, Ary perdeu os pais aos oito anos e foi criado pela avó materna. Aos 12, começou a trabalhar no cinema da cidade natal como pianista auxiliar. Após receber uma herança, aos 17 anos, mudou-se para o Rio de Janeiro para estudar Direito. Formou-se somente em 1929, após chegar a abandonar o curso, porém nunca exerceu a profissão. Costumava tocar piano em cinemas e cabarés para se sustentar. Nos anos 30, consolidou sua carreira como compositor. Morreu em 9 de fevereiro de 1964, durante o carnaval, horas antes da escola Império Serrano desfilar com um samba-enredo em sua homenagem.

Ary escreveu que, em sua “luta”, as “armas de defesa” foram: “Idealismo, escrúpulo, trabalho, caráter, produção e, acima de tudo, fé, fé inquebrantável!… Assim consegui superar incompreensões, transpor abismos, galgar alturas, esmagar a maledicência e sair do outro lado com a cabeça erguida, a consciência limpa e as mãos incólumes ao crime”.

Arte nos Trilhos

Com patrocínio da Caixa Econômica Federal, o Arte nos Trilhos leva cultura e entretenimento aos usuários da Trensurb anualmente desde 2008 – com edições, também, entre 2000 e 2004. Sempre nos últimos meses do ano, diversos artistas apresentam-se nas estações, dando um tom diferenciado à rotina do metrô gaúcho.

Programação

Apresentações do grupo Os Remanescentes, sempre às 18h:

09/12 – Estação Esteio

13/12 – Estação Sapucaia

16/12 – Estação São Leopoldo

20/12 – Estação Novo Hamburgo

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