Mengue

Acertando os ponteiros

Na foto, Luis Mengue (dir.) e seu colega Rui Meira – que contribuiu na montagem do hardware projetado por Mengue – apresentam o sistema de gerenciamento remoto de centrais horárias aos diretores Humberto Kasper e Francisco Vicente

O metroviário Luis Antonio Mengue formou-se em ciência da computação pela Universidade Luterana do Brasil no dia 19 de fevereiro, uma sexta-feira. Pouco mais de 24 horas depois, no final da noite de sábado, ele colocou em funcionamento, na Trensurb, o projeto que foi seu trabalho de conclusão de curso. Com alguns comandos dados por meio de softwares e hardwares que ele mesmo desenvolveu, Mengue realizou o acerto centralizado de horário de verão em todas as centrais horárias analógicas da Trensurb, localizadas entre as estações Mercado e São Leopoldo. Anteriormente, esse processo envolvia diversas equipes e poderia chegar a durar mais de um dia. “Ver tudo funcionando no sábado foi um prazer imenso, do ponto de vista acadêmico e profissional”, afirma o novo bacharel em ciência da computação.

O sistema de sincronismo horário da Trensurb está dividido em duas partes, uma mais moderna, de fácil ajuste, entre as estações Rio dos Sinos e Novo Hamburgo, e outra antiga, nas demais estações. Baseada em arquiteturas analógicas, com concepção de 30 anos atrás, a parte antiga do sistema consiste em um relógio mestre principal, instalado no Centro de Controle Operacional, e um relógio mestre secundário para cada uma das 17 estações de Mercado a São Leopoldo.

Antes da implantação do sistema de gerenciamento remoto concebido por Mengue, cada um desses relógios mestres precisava ser ajustado manualmente – fazendo-se com que os ponteiros “andassem” mais rápido para adiantá-los no início do horário de verão ou parando-os por uma hora para atrasá-los ao fim do período com horário diferenciado. Para realizar esse procedimento de acerto, a empresa tinha duas opções: convocar vários empregados para trabalharem na madrugada de sábado para domingo, gerando pagamento de horas extras, ou então iniciar o ajuste das centrais horárias na sexta-feira ou no sábado e concluí-lo apenas na tarde de domingo. A segunda alternativa vinha sendo praticada nos últimos anos e poderia gerar alguns transtornos para os usuários do metrô. “Ficava chateado com isso”, afirma Mengue, que é técnico em eletrônica do Setor de Sinalização e atua na manutenção preventiva dos sistemas de telecomunicações e sincronismo horário. “Como sou muito prático e conhecia bem esse sistema, escolhi como tema do meu trabalho de conclusão”, conta. Ele explica que “o projeto visa a minimizar a logística necessária para o acerto de horário”.

Para sua execução, foi necessária a instalação de 17 dispositivos eletrônicos, um por estação, junto às centrais horárias analógicas. Eles funcionam como interface de comandos, enviados pelo software desenvolvido por Mengue através da rede lógica de informática da empresa. O custo total da implantação foi de R$ 5,95 mil – ou apenas R$ 350 por estação. Foram utilizados também inúmeros materiais já disponíveis na empresa.

Mengue afirma que centrais horárias analógicas ainda são muito usadas em metrôs e outros locais mundo afora, mas que ele nunca havia tido relato de um sistema de gerenciamento remoto como o que criou para a Trensurb. O metroviário conta que, no ambiente acadêmico, seu trabalho rendeu diversos elogios, muito em função de ter sido um projeto que de fato solucionou problemas dentro da empresa. Ele destaca que sua principal motivação para desenvolver o trabalho foi “levar a credibilidade da Trensurb também para o seu sistema de sincronismo horário”.

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