PERFIL: CONDUTORA DE TRENS QUER TAMBÉM PILOTAR AVIÕES

Ana Carolina Wolf Gambin tem 33 anos, é natural de Porto Alegre, mas atualmente reside em Canoas. Sua trajetória profissional começou desde muito cedo, quando tinha apenas 14 anos ela foi convidada para ser monitora de um curso de português e matemática que à época ela fazia. Hoje ela é graduada em Engenharia Ambiental pela Universidade La Salle, concluído em 2015, e também é Técnica em Plásticos. Ana realizou o concurso e ingressou na empresa em 2008 e conta que foi convocada pela Trensurb quando estava terminando seu estágio do curso técnico.

Ana Carolina está na empresa há 13 anos e, inicialmente, atuou como Agente de Estações e, em 2010 ela se tornou Operadora de Trens, através do processo de progressão interna e, assim, iniciou sua trajetória no Setor de Tráfego (Setra). Ao comentar sobre o trabalho no novo setor e a empresa, Ana destaca que o tempo de casa de alguns funcionários tornam o ambiente amigável: “como em toda empresa há relacionamentos que são mais difíceis, mas o tempo de casa da maioria dos funcionários cria um ambiente amigável onde se pode rir e brincar e isso é algo que me encanta”. Hoje suas principais responsabilidades são revisar e conduzir os trens de forma que todos tenham uma boa viagem. Das curiosidades em sua rotina de trabalho, Ana cita a operação de um trem série 100, por exemplo: “eu não chego e volto no mesmo trem, eu freio e acelero com “as mãos”, no trem “velho” a buzina é no pé, sou eu que falo as estações e também sou eu que abro e fecho as portas. Isso é parte da minha rotina e são as perguntas que mais escuto. Gosto de me sentir útil no que faço”.

Em sua vida pessoal ela gosta muito de viajar, sendo uma das suas viagens favoritas um tour pela Europa com sua irmã. No seu tempo livre, Ana também gosta de estar com seus amigos e familiares, praticar atividades físicas, descansar e ter um tempo para si própria. Ela também pratica meditação e yoga. Ana possui plantas que são muito especiais para ela: “tenho minhas plantas que são minhas filhas; elas alegram e cuidam da minha casa”. Sua paixão, desde nova, está nas coisas que a fazem se sentir viva, como ela mesmo explica: “gosto de tentar entender um pouco de tudo, mas desde nova dizia que eu iria dirigir tudo que tem motor. Falta um avião. Gosto das coisas que me façam sentir viva”.

Antologia Digital da Poesia Gaúcha: Eliane Marques

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar mais cultura ao cotidiano da comunidade. Nesta semana, o projeto lança vídeos apresentando três poemas de Eliane Marques – todos eles sem título –, declamados pela própria autora. Clique aqui e acesse a playlist com os vídeos da Antologia no YouTube.

Nessa primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Poeta, ensaísta, psicanalista e tradutora, Eliane Marques publicou os poemários o poço das marianas (Escola de Poesia, 2021), e se alguém o pano (Prêmio Açorianos na categoria Poema, Escola de Poesia, 2016), Relicário (Grupo Cero, 2009) e as traduções Pregão de Marimorena, da poeta afro-uruguaia Virginia Brindis de Salas (Figura de Linguagem, 2021) e O trágico em Psicanálise, da psicanalista argentina Marcela Villavella (Psicolibro, 2012). Mantém uma coluna sobre cultura e sociedade no jornal Zero Hora. Tem poemas publicados nas revistas Cult e Piauí, entre outras importantes publicações do Brasil. Coordena a editora Escola de Poesia e o projeto Orisun oro que visa à tradução e à publicação de livros de mulheres poetas afro-latino-caribenhas no Brasil.  É docente na Après Coup Porto Alegre Psicanálise e Poesia, onde coedita a revista de psicanálise e cultura Anna O. Trabalhou como roteirista, produtora executiva e diretora do documentário Wole Soyinka – A forja de Ogum, entre outros trabalhos artísticos. Nascida em Sant’Ana do Livramento, na fronteira entre Brasil e Uruguai, graduou-se em Pedagogia e Direito, é mestre em Direito Público, especialista em “Constituição, Política e Economia”, além de trabalhar como Auditora Pública Externa do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul. Confira a seguir a entrevista que fizemos com ela a respeito da participação no projeto, sua trajetória na literatura e processo criativo.

Como avalias o projeto da Antologia Digital da Poesia Gaúcha? O que pensas de fazer parte dele?

Eliane Marques – Quanto à forma, o projeto é inovador e contemporâneo, respondendo às demandas deste tempo com os instrumentais tecnológicos que ele disponibiliza.  Sinto-me honrada de integrá-lo junto com outras e outros poetas.

Desde quando tu escreves? Como foi tua trajetória na literatura?

Eliane Marques – Comecei a escrever na idade adulta. Na infância, fiz apenas versinhos, como muitas crianças fazem. Publiquei os poemários Relicário (2009), e se alguém o pano (Prêmio Açorianos de Literatura, 2016) e o poço das marianas (2021). Como tradutora publiquei Pregão de Marimorena, da poeta afro-uruguaia Virginia Brindis de Salas, e Cabeças de Ifé, da poeta afro-cubana Georgina Herrera (no prelo), esse último no âmbito do projeto Orisun oro.

O que motivou a escolha dos poemas para a Antologia? O que eles significam para ti?

Eliane Marques – Escolhi poemas dos meus dois últimos livros que coubessem na proposta da Antologia. Prefiro que as leitoras/leitores digam do significado dos poemas para cada uma/um. Como poeta, prefiro me mantar afastada de qualquer autoridade sobre os poemas.

Como é teu processo criativo?

Eliane Marques – Os meus poemas são criados como se fossem algo concreto, eles vão se montando ou desmontando conforme eu os escrevo. Não escrevo a partir de ideias ou imagens ou sons pré-concebidos e nem objetivo deixar qualquer mensagem.

Quais temas tu mais gostas de abordar em teus escritos?

Eliane Marques – Não trabalho com temas pré-definidos, os temas vão se apresentando no ato de escrever.

Antologia Digital da Poesia Gaúcha: Romar Beling

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar mais cultura ao cotidiano da comunidade. Nesta semana, o projeto lança vídeos apresentando três poemas de Romar Beling, declamados pelo próprio autor. São eles: Quem trago, É tempo de seara e Ode ao sempreClique aqui e acesse a playlist com os vídeos da Antologia no YouTube.

Em sua primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Natural de Linha dos Pomeranos, na região serrana de Agudo, Romar Rudolfo Beling nasceu em 24 de julho de 1969. Desde 1988, está radicado em Santa Cruz do Sul, onde há cerca de 30 anos atua no jornalismo junto à Gazeta Grupo de Comunicações. Graduado em Letras, é especialista em Literatura e mestre em Letras – Leitura e Cognição. Professor, editor, escritor, cronista e poeta, foi editor da Editora Gazeta e atualmente é diretor de Conteúdo Multimídia da Gazeta Grupo de Comunicações. Publicou os livros: A história de muita gente, livro alusivo aos 50 anos da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) e à presença histórica do tabaco na história mundial; Terra de bravos: imigração alemã no Brasil 180 anos, de 2007; Noites em chamas, sua estreia em livro de poesia, em 2011; Uma poética da memória: o holocausto na obra de Jorge Semprum, ensaio, publicado em 2011; Trinta e seis: fotos com poesia, livro que mescla poemas com fotos do fotógrafo Lula Helfer e que teve ainda poemas de Mauro Ulrich e Daniela Damaris Neu, publicado em 2013; as antologias Nem te conto I, II e II, que organizou em conjunto com o professor Rudinei Kopp, entre 2012 e 2014; e A felicidade de estar vivo, segundo livro de poesia, em 2017. Além disso, tem artigos e ensaios publicados em revistas e livros, além de ter colaborado com poemas e crônicas em coletâneas e antologias.

Confira a seguir a entrevista que fizemos com ele a respeito da participação no projeto, sua trajetória na literatura, processo criativo e temas abordados em sua obra.

Como avalias o projeto da Antologia Digital da Poesia Gaúcha? O que pensas de fazer parte dele?

Romar Beling – Entendo que essa foi uma iniciativa muito feliz, tanto pela idealização da forma de divulgação de poesia nesse ambiente específico quanto pela parceria estabelecida. Nesse período tão marcado pela pandemia, e que inviabilizou muitas das atividades que proporcionariam mais exposição, com ações presenciais, projetos como o da Antologia Digital da Poesia Gaúcha permitem que um público mais amplo e eclético tenha contato com essa forma de expressão que é a poesia. E o fato de essa ação reunir nomes já consagrados com outros, talvez menos conhecidos da população, é igualmente uma forma de congraçamento e de aproximação entre gerações e diferentes vozes autorais. Uma iniciativa muito louvável, que, torço, possa vir a inspirar outros organismos, e me sinto honrado e lisonjeado por dela fazer parte.

Desde quando tu escreves? Como foi tua trajetória na literatura?

Romar Beling – Escrevo poesia desde muito jovem, num primeiro momento sem maior pretensão ou sem imaginar que talvez viesse a fazer dessa uma forma pessoal de expressão artística ou cultural. Na verdade, o motivador veio do meu gosto, desde a infância, por leituras variadas e de qualidade, de jornais, revistas, prosa e poesia. Quando ingressei no curso de Letras, na Unisc, isso em 1988, firmou-se para mim a determinação de que a leitura e a produção de textos seriam meu campo de atuação. Formado em Letras, tornei-me jornalista, atividade na qual permaneci ao longo dos últimos 33 anos. Segui escrevendo poesia, e publiquei dois livros nesse gênero, Noites em chamas, em 2011, e A felicidade de estar vivo, em 2017. Igualmente me dedico a crônica e ensaio, embora hoje tenha a produção jornalística como minha ocupação diária. E costumo me definir, mesmo na condição de jornalista ou de poeta, essencialmente como leitor. Leio de tudo, sobre tudo, buscando manter máximo e constante olhar sobre o panorama da literatura brasileira e mundial, e em poesia li praticamente tudo e todos que seria relevante a um poeta digno desse nome ler, dos nacionais e dos estrangeiros, de todas as épocas e voltados a todas as correntes de fazer poesia.

O que motivou a escolha do poema Quem trago para a Antologia? O que ele significa para ti?

Romar Beling – No Quem trago busco brincar, por assim dizer, com uma construção visual do poema, da distribuição dos versos na página, em variadas extensões, e explorando o ritmo, a sonoridade, que vem tanto das rimas quanto da própria extensão, com paralelismo, dos versos. Assim se tem uma primeira parte, a I, com duas estrofes com a mesma construção de quatro versos e as rimas entre uma e outra estrofe; depois uma segunda parte, a II, com uma espécie de contraponto a essa primeira; para então arrematar com a parte III novamente com a mesma disposição de duas estrofes de quatro versos cada, e com as mesmas rimas entre as duas estrofes a exemplo do que ocorrera na parte I. Há um diálogo visual muito claro, consciente e proposital entre as partes I e II, como um começo e um fim, mediado por um fiel da balança da parte II. O poema fala claramente de amor, onde um indivíduo (o eu poético, no qual o leitor se projetará), reconhecendo que ele será sempre o menino que um dia foi, mas é um homem que precisa do abraço, do aconchego, como sina definitiva para a plena realização do viver, para a felicidade. É um poema de que gosto muito, pela simplicidade e por ser despojado, e creio que pode soar bem a homens, mulheres, pessoas de todas as idades.

E quanto a É tempo de seara?

Romar Beling – A “seara” do título, com o significado de colheita, remete ao momento na vida em que, depois de ter plantado e cuidado, a pessoa “colhe”, desfruta do resultado de tudo aquilo que antes motivou seu esforço, seu empenho. É uma vez mais um poema em cujo intertexto está a concretização de um amor, ou o resultado de algo ao qual o eu lírico se dedicou, o que ele almejava. Há novamente a rima entre uma estrofe e outra, e novamente com versos curtos, brincando com o ritmo e a sonoridade. O poema remete a uma colheita que é realizada a quatro mãos, no relacionamento marcado pelo amor e pelo companheirismo, “no reino que faço / contigo”, como sinaliza a última estrofe. Penso que o amor, o afeto, a sabedoria, na relação humana, são os temas clássicos, essenciais e definitivos da poesia, pela qual e com a qual abrem corações e mentes.

E o poema Ode ao sempre?

Romar Beling – Novamente, a exemplo dos outros dois poemas, Ode ao sempre é essencialmente uma definição para o sentimento, para o amor, numa celebração da importância da pessoa amada. Nesse caso, quando o eu lírico “se perde” na outra pessoa ou com a outra pessoa, ele se acha. Aqui se salienta muito a alteridade, tão evidente no amor pleno, em que um se conhece e se reconhece a partir do outro, fundindo e confundindo mentes, desejos, sonhos, planos e aspirações. Penso que o leitor também se identificará muito rapidamente com a essência e o significado do poema a partir da leveza, da sonoridade e da simbologia empregadas.

Como é teu processo criativo?

Romar Beling – Embora o poema, como visualmente se pode verificar, implique em uma construção muito rigorosa, exata, na extensão dos versos, na disposição das rimas, dentro de cada estrofe ou entre uma e outra, o que sugere um exercício cerebral, de escolhas, os meus poemas são muito intuitivos também. Normalmente há uma primeira imagem e a intenção de dizer, traduzir, sugerir um efeito, um significado, e assim o poema se constrói, se veste. Quase sempre meus poemas apresentam versos curtos ou médios, que apresentam um ritmo ou uma sonoridade muito peculiar. Prezo e persigo essa construção, esse efeito visual na página, que, em algumas ocasiões, tem quase um significado “visual” em paralelo ao do conteúdo linguístico propriamente dito. Claro, quem ouve o poema sendo lido não tem a imediata noção dessa disposição gráfica, mas ela para mim é importante.

Quais temas tu mais gostas de abordar em teus escritos?

Romar Beling – Lido naturalmente, como talvez ocorra com quase todos os poetas e escritores, com os temas que falam muito alto à minha formação, a minha origem, as experiências ao longo da trajetória de formação, a memória de situações vivenciadas. Mas também gosto de promover intertexto com as leituras feitas, de maneira que muitas vezes leituras, viagens e outras experiências estéticas (música, cinema, artes plásticas, fotografia) são incorporadas. O poema, para mim, é uma via de expressão do íntimo, dos sentimentos, e eventualmente até mesmo a fixação, no papel, de uma filosofia, de uma concepção filosófica da vida, do mundo. Não consigo compreender uma vida plenamente vivida sem que ela inclua ou envolva a leitura constante de poesia, diante do exercício de reflexão e de expansão da consciência que só as metáforas permitem alcançar.

PERFIL: DAS ESCOLAS DE PERNAMBUCO PARA A SEGURANÇA DO METRÔ GAÚCHO

Marílis Gonçalves da Silva Pereira tem 34 anos, é natural de Recife (PE) e mora atualmente em Porto Alegre. Graduada em Pedagogia na Universidade de Pernambuco (UPE), ela já trabalhou em três colégios particulares em Recife, como auxiliar de coordenação pedagógica e como coordenadora pedagógica. Em 2017, por meio de concurso público, ingressou na Trensurb, onde atua desde então como agente metroviária, na ocupação de segurança, no Setor de Operações (Seope). Marílis conta como é seu dia a dia na função: “Atuo nas estações mantendo a ordem, acompanhando deficientes até o trem ou saindo da estação, faço rondas noturnas e diurnas de viatura na área externa dos trilhos. Quando necessário, desço na via para retirada de objetos que os usuários deixam cair, dentre outras atribuições. Mas, no momento, estou fazendo serviço administrativo, cuidando do ponto eletrônico de todos os seguranças. Através do sistema TOVTS, eu verifico abonos, horas extras e faltas dos empregados e faço os ajustes necessários”.

Sobre a mudança da pedagogia para a segurança metroviária, Marílis afirma: “No começo, fiquei um pouco travada, pois eram situações bem adversas e totalmente diferentes das minhas vivências anteriores. Mas, com o passar do tempo, fui me familiarizando com as situações e rotinas das estações. A pedagogia me auxiliou muito no dia a dia do trem, pois precisamos atender os usuários com muita atenção e clareza nas informações”. Outra mudança drástica que ela enfrentou foi em relação ao clima. Acostumada ao calor em Pernambuco, a segurança teve que passar a enfrentar as baixas temperaturas do inverno gaúcho. “Vim morar aqui em junho de 2014 e estava muito frio na época”, relata. “Lembro que quando cheguei aqui estava dando 2ºC, quase morri de frio. Foi muito difícil no começo e não nego que ainda não me acostumei e ainda sofro muito com o frio daqui (risos)”.

Marílis diz que adora toda a rotina da segurança. “São atividades diversas e sempre estamos em movimento. Sou muito agitada e gosto de estar sempre em atividade”, justifica. “Quando estava atuando na linha, nas estações, gostava muito de acompanhar as pessoas com deficiência até o trem ou até a saída da estação. Gosto de acompanhar a torcida organizada também”, conta ela. Agora na área administrativa, a agente afirma: “Gosto de organizar minha rotina, manter sempre as coisas no lugar. Costumo organizar minha planilha com todas as informações dos empregados atualizadas para facilitar na hora de verificar no sistema”. A segurança diz que pretende seguir carreira na empresa e seu objetivo profissional no momento é ser aprovada para a progressão interna à ocupação de controle de segurança.

Mas nem só de trabalho vive Marílis. Em seu tempo livre, ela gosta de ir a praças e à orla do Guaíba com o filho Alberto, de cinco anos, para ele brincar e andar de patinete. Por conta da pandemia, no entanto, reduziu muito a frequência dos passeios e também das idas a restaurantes. Ela já tomou a vacina contra a Covid-19 e diz que foi uma sensação incrível: “Me senti muito feliz! Foi uma mistura de sentimentos: alívio, felicidade e tranquilidade. Minha mãe e meu irmão, que moram em Recife, também já se vacinaram”, relata. Além de sair para passear, ela também gosta de assistir séries – as preferidas são Brooklyn 99 e Lucifer. Recentemente, começou a fazer Pilates, atividade oferecida pela empresa, e diz estar “amando”. Sobre seus sonhos, ela diz que já realizou o maior de todos, que era o de ser mãe, mas gostaria de viajar pelo mundo algum dia.

Ao falar sobre a Trensurb, Marílis relembra como se sentiu ao receber a convocação para assumir o cargo e também como é feliz trabalhando na empresa: “Fiz o concurso em 2014, mas só fui chamada em 2017. Achei que não seria mais convocada, mas quando recebi a ligação do Sepes [Setor de Pessoal] fiquei muito feliz. A Trensurb é uma empresa muito boa de se trabalhar. Fiz muitos amigos aqui e fui muito bem acolhida pelos colegas em geral. Todo o esforço que o Seope faz para manter o trem andando e transportar os passageiros de maneira rápida e segura me deixa muito orgulhosa em fazer parte desta equipe”.

Entrevista: Liana Timm e seu afeto por Porto Alegre

Desde 10 de julho, os monitores do Canal Você, em trens e estações, exibem a exposição intinerante Cidade do Meu Olhar, assinada pela artista Liana Timm. O trabalho de Liana é divulgado também nos perfis da Trensurb nas redes sociais, incluindo o videoarte completo no YouTube. A peça destaca fragmentos da série Cidade do Meu Olhar, que reúne cerca de 300 obras criadas pela artista em diversos momentos, buscando sempre pensar a cidade de Porto Alegre através de sua história e contemporaneidade. Iniciada em 1986, a série segue em progresso, acrescentando o que a urbanidade oferece de tempos em tempos. Cidade do Meu Olhar segue em exibição nos monitores do metrô até 31 de agosto.

Artista multimídia, arquiteta, poeta e designer, Liana Timm nasceu em Serafina Corrêa, no interior do estado, mas adotou a capital gaúcha, da qual fez uma inspiração para suas obras. Liana tem mais de 40 livros publicados, cerca de 70 exposições individuais e participou de mais de 100 coletivas, recebendo diversos prêmios e, em 2008, o título de Cidadã Honorária de Porto Alegre, da Câmara Municipal. Dirige a Território das Artes Editora, especializada em artes visuais, literatura e ciências humanas. Foi uma das participantes da Antologia Digital da Poesia Gaúcha, projeto da Trensurb que veicula – nos monitores de trens e estações, além das redes sociais – vídeos de poetas declamando suas poesias.

Confira a seguir a entrevista que fizemos com ela a respeito de Cidade do Meu Olhar, de sua relação com Porto Alegre e sua trajetória como artista multimídia.

Como surgiu a ideia de fazer a série Cidade do Meu Olhar?

Liana Timm – Desde 1986 me dedico ao tema Cidade do Meu Olhar. Nasceu quando eu estava elaborando as obras para o livro Quintana dos 8 ao 80. Convivi com o poeta durante seis meses e tomei contato com sua poesia de forma profunda. Para criar os trabalhos da publicação tive que entender verso a verso o significado daquelas palavras e, como já apreciava a poesia de Quintana, esse novo momento me fez admirá-lo ainda mais. Após esse contato veio a vontade de ampliar minha produção sobre a cidade e a partir daí continuei a fazer obras em torno da história e da atualidade de Porto Alegre.

Como funcionou teu processo criativo para essa série?

Liana Timm – Nasci em Serafina Corrêa e aos 3 anos meus pais se mudaram para Porto Alegre. Como médico meu pai iniciou sua vida profissional no interior e depois veio para a capital, onde se estabeleceu. Moramos em vários bairros: Independência, Rio Branco, Petrópolis, Santana, Moinhos de Vento, Cidade Baixa e Cristal. Vivi intensamente cada um deles e tais vivências fizeram aumentar meu amor pela cidade. Além disso, tive oportunidades que me possibilitaram produzir textos e imagens sobre vários aspectos emblemáticos de Porto Alegre. Assim, fui gradativamente colecionando exemplares que reuni, em parte, no vídeo que criei para a Trensurb.

Como é tua relação afetiva com Porto Alegre?

Liana Timm – É muito natural que a cidade em que se vive seja motivo de afeto. Assim, Porto Alegre tem extrema importância tanto na minha trajetória artística quanto pessoal. Posso viajar para os lugares mais fascinantes, mas voltar é sempre reconfortante. Me envolvo com os problemas sociais, ambientais, culturais, artísticos e políticos de nossa cidade, pois entendo ser uma responsabilidade cidadã ser ativa no que diz respeito às melhorias que precisam ser implantadas para que todos possam ter uma vida digna e produtiva.

Como funciona teu trabalho como artista visual e multimídia?

Liana Timm – Meu trabalho nas artes visuais visita várias técnicas e materiais. Trabalho com a manualidade e a tecnologia. Com o analógico e o digital, com a história e a contemporaneidade. Misturo linguagens e me aproprio do que me parece necessário no momento. A liberdade de escolha e pensamento são prioridades para todo artista.

Como foi tua trajetória artística e profissional?

Liana Timm – Este ano faço 52 anos de dedicação às artes visuais e 35 anos de poesia. Muitas realizações e histórias para compartilhar. Um caminho trilhado com muita dedicação, perseverança e paciência. E, acima de tudo, muita paixão. A arte para mim é como o oxigênio: fundamental e insubstituível. Uma maneira de ser.

O que significa pra ti ter a série Cidade do Meu Olhar exposta de forma itinerante nos trens?

Liana Timm – O que mais aprecio é fazer circular a minha produção artística em ambientes fora do circuito convencional da arte. Tenho muita satisfação em estar presente nas estações, nos vagões e nas redes sociais da Trensurb. Que todos possam conviver com a arte e entender a sua importância no nosso dia a dia. A arte transfigura o óbvio e possibilita novos olhares sobre a vida.




Antologia Digital da Poesia Gaúcha: José Nedel

Por meio do Espaço Multicultural Livros sobre Trilhos (EMLsT), a Trensurb está desenvolvendo o projeto Antologia Digital da Poesia Gaúcha, buscando levar mais cultura ao cotidiano da comunidade. Nesta semana, o projeto lança vídeos apresentando três poemas de José Nedel, declamados pelo próprio autor. São eles: Reinvenção da roda, Safras medianas e Onça bebe águaClique aqui e acesse a playlist com os vídeos da Antologia no YouTube.

Nessa primeira fase, o projeto promove a veiculação quinzenal de vídeos curtos de poetas declamando poesias, nas redes sociais e nos monitores do Canal Você (presentes em trens e estações). A Antologia tem apoio da Academia Rio-Grandense de Letras, do Instituto Estadual do Livro e do Canal Você.

Natural de Itapiranga, em Santa Catarina, José Nedel mudou-se ainda jovem para o Rio Grande do Sul, onde estudou e trabalhou por quase toda sua vida, na capital e em diversos municípios do interior. Hoje, reside em Porto Alegre. Graduado em Letras Clássicas, Filosofia e Direito, é mestre e doutor em Filosofia. Juiz de direito e professor aposentado, é autor de muitos artigos em jornais, revistas e obras de autoria coletiva, bem como de duas dezenas de livros individuais, entre os quais estes puramente literários: A curvatura da razão: poemas (2009); A vez do verso: sonetos (2011); A vez do verso: quadras (2012); Última floresta: sonetos (2015); Quadras em metro (2016); Vida breve: sonetos (2018). Ocupa a cadeira 34 da Academia Rio-Grandense de Letras (ARL). Confira a seguir a entrevista que fizemos com ele a respeito da participação no projeto, sua trajetória na literatura, processo criativo e temas abordados.

Como avalias o projeto da Antologia Digital da Poesia Gaúcha? O que pensas de fazer parte dele?

José Nedel – Trata-se de uma iniciativa maravilhosa do escritor e poeta Élvio Vargas, meu colega na ARL [assessor da Trensurb e organizador do projeto]. A iniciativa propiciará diariamente a milhares de usuários do trem contato com poemas, a fina flor da literatura. Representará para eles, que se encontram, muitas vezes, em meio à correria imposta pelos afazeres da vida, um valioso momento de emoção estética e reflexão. Sinto-me honrado pelo convite para participar do projeto. Um poema bem executado é a criação de um tipo de beleza. O belo é uma forma de bem. Afinal, o que importa na vida é fazer o bem.

Desde quando tu escreves? Como foi tua trajetória na literatura?

José Nedel – Escrevia desde os meus tempos do ginásio, quando tinha 14 ou 15 anos de idade. Posteriormente, revia os textos guardados, emendando alguns e descartando outros. Como professor, costumava registrar em textos as matérias que lecionava. Muitas vezes, mimeografava-os para os alunos. Retocados mais tarde, tais escritos passaram a formar a maioria dos livros que publiquei, vinte obras individuais até agora, entre elas seis de poemas, na forma de sonetos e quadras. Escrevi também muitos artigos em jornais, grande parte aproveitada na composição de meus livros.

O que motivou a escolha do poema Reinvenção da roda para a Antologia? O que ele significa para ti?

José Nedel – Escrevi este soneto, motivado por uma frase do médico e escritor Alcides Mandelli Stumpf, autor de Amigos & Medos. Em entrevista publicada no Correio do Povo, Caderno de Sábado, 26/01/2019, p. 4, ele disse: “Existe uma tendência de reinventar a roda”. A expressão não era nova para mim, mas naquele momento me causou um impacto: a instantânea percepção de que serviria como chave de ouro de um soneto. A partir disso, passei a compor-lhe o corpo, com começo, meio e fim, como deve ser de praxe. O poema incorpora um toque biográfico: a aprendizagem de que, com a idade, tendemos a ficar mais modestos nos arroubos, mais conformados com as limitações naturais e mais realistas nos projetos e empreendimentos.

E quanto a Safras medianas?

José Nedel – Escolhi este soneto para a Antologia porque é condizente com a condição humana comum a todos: a mistura de bens e males, de alegrias e sofrimentos, de vitórias e derrotas. Em geral, alcançamos média razoável dessas realidades ambivalentes e agridoces, uma espécie de safras medianas, sendo raras as ótimas, primorosas, excelentes. É da vida, da experiência de cada um.

E o poema Onça bebe água?

José Nedel – A expressão “Um dia a onça vem e bebe água” é bem conhecida. Certa vez, a Cláudia Tajes a usou em comentário acerca do Prêmio Camões concedido ao cantor, compositor e escritor Chico Buarque, em 2020. Ao ler a crônica da Cláudia, tive a intuição de que a expressão dava para o fecho de um poema, no caso, um soneto. A partir disso escrevi o texto. O poeta, como todo artista, precisa de um choque, estalo ou assombro causado por fato, circunstância, pessoa ou frase que lhe desperte a inspiração. O fazer humano nunca é ex nihilo, vale dizer, a partir do nada. Também não sai perfeito, por via de regra, na primeira tentativa. É preciso fazer e refazer, tentar sempre de novo, aperfeiçoar até que dê certo. E um dia dará, se Deus quiser. Assim se realiza o belo na arte, “aquilo que visto (ouvido, percebido, conhecido) agrada”, segundo a clássica definição de Tomás de Aquino.

Como é teu processo criativo?

José Nedel – Escritos de natureza filosófica surgem das atividades profissionais do magistério: escrevo os textos para as aulas que, reunidos e retrabalhados, formam livros. Poemas surgem a partir de assombros, choques ou intuições despertadas por imagens, coisas, pessoas, palavras ou textos sugestivos. Tudo demanda muita leitura, anotações, estudo, reflexão e prática. Bem escrever requer, primeiro que tudo, bem pensar. Meus cursos de Letras Clássicas, Filosofia e Direito valem para isso: formam um tripé que sustenta o meu fazer literário.

Quais temas tu mais gostas de abordar em teus escritos?

José Nedel – Na área teórica, meus temas prediletos são de teoria do conhecimento. Na área prática, são temas de ética, estética e filosofia do direito. Meus textos literários sempre têm algum conteúdo filosófico, moral, espiritual ou bíblico. Por sinal, a Bíblia, o livro dos livros, é um repertório inexaurível de temas de reflexão que podem ser apropriados, de modo especial, em forma de sonetos.